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’12 Anos de Escravidão’ leva Oscar de melhor filme

Por Maya Santana

O diretor Steve McQueen rodeado pelo elenco de seu grande filme

O diretor Steve McQueen rodeado pelo elenco de seu grande filme

Como era esperado, “12 anos de Escravidão” levou o Oscar de melhor filme, na cerimônia deste domingo em Hollywood, dando pela primeira vez a estatueta a um longa-metragem dirigido por um cineasta negro: o britânico Steve McQueen. Vendo o filme, fiquei pensando porque é que no Brasil, assim como nos Estados Unidos também, um tema tão candente como este vem sendo até agora tão pouco explorado pelas artes visuais. Sabemos muito pouco da nossa escravidão, apesar de o Brasil ter sido o país que mais importou negros da África: ao longo de três séculos e meio, foram mais de quatro milhões. Na cerimônia do Oscar, “12 Anos de Escravidão” ainda ganhou os prêmios de melhor roteiro adaptado e de melhor atriz coadjuvante – a excepcional Lupita Nyong’o, mexicana criada no Quênia -, de um total de nove indicações.

Leia o artigo da BBC Brasil sobre como o tema escravidão é tratado na região onde ocorreu esta história:

O filme 12 anos de escravidão foi elogiado pelo retrato vívido que faz da escravidão no sul dos Estados Unidos. Baseado no livro de mesmo nome, ele conta a história real de Solomon Northup, um homem livre que foi sequestrado e forçado a trabalhar como escravo no interior da Louisiana. Mas como o legado daquela história é tratado hoje na região?

Faltou dar o Oscar à belíssima atuação do ator Chiwetel Ejiofor

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O livro havia deixado de ser impresso décadas antes de ser descoberto pela historiadora Sue Eakin, que vivia em Rapides Parish, a mesma área onde Northup foi escravizado.

Ela leu a história pela primeira vez na casa de uma amiga aos 12 anos, encontrou o livro novamente na biblioteca da faculdade e ficou “fascinada” por ele. Seu sobrinho-neto, Lamar White, diz que o homem que vendeu o livro para Eakin, disse a ela que se tratava de “um monte de mentiras”.

A mexicana criada no Quênia Lupita Nyongo-o levou Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante

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Determinada a provar que ele estava errado, ela devotou sua vida a pesquisar a autenticidade do livro e republicou uma versão editada em 1968, com o colega historiador Joseph Logsdon. Em uma época em que os Estados Unidos ainda eram um país profundamente segregado, Eakin também enfrentou desafios por ser uma mulher branca tentando discutir a história de um escravo negro.

“É difícil construir uma comunidade quando existe esta ferida psicológica tão grande criada pela escravidão. É mais fácil para as pessoas se relacionarem se ignorarem isso”, diz Lamar White. Até hoje, muitos em Rapides Parisg se recusam a reconhecer a história de tortura na região. Clique aqui para ler mais.

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