125 da abolição: negros chegam à classe média

Por Maya Santana
Negros já constituem 51% da classe média brasileira

Negros e pardos já constituem 51% da classe média brasileira

Após 125 anos da abolição da  escravatura, o Brasil ainda está longe de ser uma nação livre de desigualdades  raciais. Uma análise dos indicadores econômicos e sociais dos últimos 20  anos revela, no entanto, que o país tem avançado. Tabulações feitas pelo GLOBO  em pesquisas do IBGE mostram, por exemplo, que a proporção de brasileiros que se  autodeclaram pretos ou pardos no ensino superior dobrou em dez anos, saltando de  19% para 38%. Como resultado, cresceu o percentual de negros em quase todas as  carreiras universitárias. Ao mesmo tempo, a distância que separa brancos de não  brancos no país em termos de renda per capita também diminuiu.

Uma das principais razões para o aumento de negros no ensino superior está na  expansão do setor, que de 1995 a 2011 viu o número de estudantes quadruplicar,  especialmente na rede privada, que concentra 80% das matrículas.

Uma análise dos Censos Demográficos de 2000 a 2010 mostra, no entanto, que  este crescimento não foi igual em todas as carreiras. Em cursos de formação de  professores, por exemplo, o percentual de recém-formados pretos e pardos já  chega a 41%, próximo dos 51% registrados no total da população. Em Medicina,  porém, são só 17%, apesar de mesmo nesse seleto grupo ter havido aumento de  profissionais negros.

A escravidão no Brasil só foi abolida oficialmente em 13 de maio de 1888

A escravidão no Brasil só foi abolida oficialmente em 13 de maio de 1888

Professora da UFRJ, a antropóloga Yvonne Maggie afirma que a queda da  desigualdade racial no acesso à educação teria sido resultado de um processo  vindo nas últimas duas décadas. No entanto, a desigualdade só será de fato  combatida, diz Yvonne, com melhoria da rede pública de educação básica. Para  ela, com esse investimento na base, haveria menos violência, menos crise de mão  de obra, e menos desigualdade.

— Está havendo uma mudança de perspectiva: há dez anos, pouca gente da classe  trabalhadora almejava o ensino superior. Isso não é de hoje, porque não teria  dado tempo para medidas mais recentes, como as cotas, terem tido efeito  imediato. Isso é um processo de melhora que tem vindo nos últimos 20 anos, com a  estabilização econômica e a melhora da qualidade de vida das pessoas e do  próprio sistema educacional no período, com governos passando a enfocar o  problema da reprovação, por exemplo — analisa Yvonne. Leia mais em O Globo 


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