1ª negra no governo da Itália vive sendo insultada

Por Maya Santana
Primeira negra a integrar um governo italiano, Cecile é sistematicamente insultada

Cecile Kyegen, 48, é do Congo. Mudou-se para a Itália aos 18 anos

Após ser comparada com um orangotango pelo vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, a ministra de Integração da Itália, Cécile Kyenge, uma médica oftalmologista, negra, 49 anos, de origem congolesa, foi alvo de outro ato de intolerância e escárnio na noite de quinta-feira, quando  duas bananas foram  lançadas no palco onde estava por militantes do movimento Força Nova, da extrema direita. Os fatos ocorreram em uma festa do progressista Partido Democrata (PD), o mesmo do primeiro-ministro Enrico Letta, na cidade de Cervia, no nordeste do país, como  informou neste sábado a imprensa italiana.

Sem dar importância ao gesto, Cécile usou o Twitter para comentar o ato. “Com tantas pessoas morrendo de fome por causa da crise é triste desperdiçar comida assim”, afirmou a ministra na mensagem divulgada por sua equipe assistente, a qual confirmou o ocorrido. Dado o alto nível de crispação gerado na extrema direita em torno da primeira ministra negra a integrar um governo na Itália, a polícia estava alerta em relação à possíveis ataques contra Cécile, mas, mesmo assim, não conseguiu evitar essa agressão.

“Havia um grupinho de opositores, mas ninguém viu. Saíram logo em seguida. A ministra não comentou o episódio de modo particular porque é uma pessoa educada”, afirmou os jornalistas Paola de Micheli, do PD, que estava presente no momento do ato.

Senador Calderoli comparou a ministra a um orangotango

Senador Calderoli comparou a ministra a um orangotango

Um dia antes, na quinta-feira, no mesmo local da festa do PD, militantes da Força Nova também colocaram três bonecos sujos com tinta, que simulava ser sangue, ao lado de panfletos contra o plano do governo italiano de conceder nacionalidade aos filhos de imigrantes nascidos na Itália. Segundo os militantes da extrema direita, “a imigração mata”.

O lançamento de bananas se soma aos últimos episódios ofensivos dos quais a ministra italiana já foi vítima, a começar pelo comentário feito pela ex-conselheira da separatista Liga Norte, Dolores Valandro, – segundo ela, a ministra deveria ser estuprada – o qual valeu sua expulsão do partido além de uma condenação de 13 meses de prisão e três anos de inabilitação por usar motivos raciais para  instigar atos de violência sexual. Na noite do último dia 13, o vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, também da Liga Norte, gerou uma grande polêmica no país ao comparar a ministra negra com um orangotango. (Fonte: Folha)

Cecile Kienge emigrou do Congo, na África, para a Itália, onde pretendia estudar medicina, quando tinha 18 anos de idade – no próximo dia 28 de agosto, completará 49.  Ela vive no país, portanto, há 31 anos. Há cerca de um mês, foi  escolhida pelo presidente Enrico Letta para integrar o seu governo como ministra da Integração, responsável pela sensível questão dos imigrantes. Desde então, vem sendo sistematicamente insultada, sobretudo por membros da extrema direita, insatisfeitos com a campanha que ela faz para a entrega da nacionalidade imediata a crianças nascidas na Itália que sejam filhas de imigrantes.


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