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1º lugar Prêmio Bradesco de longevidade: ‘Acreditar no Possível’

Por Maya Santana

A vencedora do Prêmio com a filha, autora da crônica comovente sobre a mãe

A vencedora do Prêmio com a filha, autora da crônica comovente sobre a mãe

Esta é uma história que merece ser lida. Uma filha sensível e amorosa resolveu contar no papel a vida da mãe, por quem nutre profunda admiração. Não só escreveu sobre sua extraordinária genitora, como inscreveu o texto num dos prêmios mais importantes de longevidade no Brasil: Histórias de vida, do Bradesco Seguros. Resultado: ganhou o primeiro lugar. A premiação foi em São Paulo, na terça-feira, 20 de outubro.

Leia o que Angela Cristina Lugão de Carvalho Porcaro escreveu sobre a mãe, Lays Lugão de Carvalho:

Demorei muito para perceber que dentro daquela pessoa serena, disfarçada em calma, habitava uma alma inquieta, dotada de uma força indomável. Teimosa…totalmente teimosa.

Acreditava na transformação e principalmente, acreditava que todas as pessoas possuíam um potencial e buscava fazer desabrochar algo que ninguém esperava.

Sua trajetória começou trazendo crianças, portadoras de deficiência, para serem “trabalhadas” na nossa casa. Por ser professora, encontrou na alfabetização o primeiro passo de sua crença no possível.

Em tempos onde essas crianças viviam guardadinhas em suas casas, ela foi pescando uma a uma, convencendo pais, convencendo pessoas da cidade até que se viu rodeada de crianças e adolescentes e acabou fundando a APAE no interior de Minas.

A ela, agregaram-se profissionais que também confiaram na crença do possível e os ensinou a pensar sobre a vida de cada um daqueles seres que precisavam ser vistos com dignidade e carinho.

Lays Lugão de Carvalho: ser humano extraordinário

Lays de Carvalho: ser extraordinário

Não satisfeita e apesar de leiga, começou a estudar sobre o cérebro humano e vorazmente buscou métodos e padrões que poderiam estimular o potencial daqueles que apresentavam algum déficit motor ou intelectual. Participou de congressos, visitou outras instituições, leu muito, pesquisou, mas o que mais importava era seu espirito desbravador e forte que dava esperanças a pais desenganados, de que seus filhos poderiam alçar novos horizontes.

Nunca contou o número de pessoas que passaram por ela durante mais de quatro décadas. Viu crianças engatinharem, andarem, correrem. Viu inúmeras aprenderem a balbuciar, falar, ler e escrever. Ensinou muitas delas a dar laço nos sapatos, a segurar a colher, escovar os próprios dentes. Testemunhou diversos pais chorarem ao ouvir a primeira palavra dita por um filho já crescido. E acolheu muitos e muitos beijos babados e abraços desajeitados cheiinhos de carinho de “seus meninos”.

Achou que ainda era pouco o que fazia e quis promover uma verdadeira integração. Criou um centro de estimulação da inteligência onde criancinhas sem deficiência brincavam aprendendo, além de conviverem num mesmo ambiente com outras “diferentes”. Não sei se entre elas alguma percebeu diferenças, pois conviviam alegres e pacificamente. Umas aprendendo com as outras.

Para comemorar seus sessenta anos, inventou uma viagem exótica. Vendeu o carro e gastou o dinheiro passando dois meses na Índia. Voltou com o cabelo faiscando de hena vermelha, com os olhos brilhando de felicidade e com a certeza de que existia um povo generoso, alegre e espontâneo, mesmo cercado de uma tremenda pobreza.

Depois que completou setenta anos, todos esperavam por sua aposentadoria, pelo tempo que ela dedicaria a si própria para andar na praia, talvez fazer tricô, assistir filmes… Pois foi quando ela iniciou uma nova fase de vida. Através de suas pesquisas e pela própria experiência pessoal de não deixar-se esmorecer, iniciou um trabalho de estímulo à memória voltado para idosos. Vinculou suas pesquisas anteriores a exercícios motores, com atividades específicas para que o envelhecimento das pessoas fosse dilatado e dotado de muito mais qualidade. Este trabalho cresceu e ela o vai desenvolvendo com vários “alunos” e o explanando através de palestras e encontros onde mostra que a idade não limita, adiciona.

Lays e Cristina recebendo o Prêmio do Bradesco Seguros na categoria Histórias de Vida

Lays e Cristina recebendo o Prêmio do Bradesco Seguros na categoria Histórias de Vida

Hoje, aos oitenta e três anos ela continua a desenvolver suas atividades, dirige por todo lado, caminha pela praia, pratica stand up paddle, mantém uma invejável vaidade, adora cinema, está sempre se atualizando em diversos assuntos, além de participar de congressos e encontros sobre o envelhecimento.

Teve quatro filhos e eu sou a mais velha deles. Assistir à trajetória da mamãe foi um privilégio e é uma grande lição de viver. Com ela aprendi que a generosidade, não só aquela que doa dinheiro e bens, mas aquela onde se usa inteligência, percepção e vontade de promover a evolução de outras pessoas é a verdadeira generosidade. Sei que é o emendar uma atividade na outra que a mantém lúcida e que ao viver essa história tão cheia de “tudo” ela carrega dentro de si um mundo bonito, feliz e plenamente realizado.

Esperamos, os quatro filhos, sete netos, dois bisnetos e mais uma bisneta próxima de nascer, que ela viva por muitos anos sendo nosso exemplo de amor, ponderação e energia.

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11 Comentários

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Bete caputo 19 de setembro de 2016 - 15:49

Cristina

só agora conheci seu texto e pude me maravilhar com a vida de Lais (que conheci em Caratinga)
e aprendi a admirar. Agora mais ainda. Tambem sou de Caratinga. Um grande abraço

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enilzasoares da silva 18 de junho de 2016 - 09:13

parabens ,espero chegar la………………..

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Rosário Barbosa Castro 3 de dezembro de 2015 - 19:50

Parabéns Lays e Cristina! Vocês nasceram realmente para pertencerem uma a outra. Maravilha de homenagem. Vocês são alma gêmeas. Deus abençoe vocês! Bjus da amiga Rosário Barbosa Castro.

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Carla Vaucher 3 de dezembro de 2015 - 12:07

Que lindo texto Cristina!! Dona Lays é realmente um exemplo de mulher e um amor de pessoa. Tenho um carinho enorme por ela! Beijos!!

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lacia Brandão 3 de dezembro de 2015 - 08:28

Nossa…estou encantada, história esta nunca vista…Cristina, e lhe vi spenas uma vez numa ida de Angelina Barbosa aí no seu estabelecimento…lembra? Você tem uma belíssima mãe, exemplo para todas as pessoas idosas…que ela sirva de lição nesse mundo vasto!
Um grande abraço de mais uma fã,
LACIA

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Angelina Barbosa 3 de dezembro de 2015 - 06:33

Parabéns Cristina! Sua mãe é um grande exemplo a ser seguido! História como essa, deveria ser contada no Fantástico! E não as bobagens que tenho visto ultimamente. .bjos.

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Dalva Martins Ferreira 2 de dezembro de 2015 - 23:15

Homenagem merecida. Dona Lays sempre foi exemplo para todos nós. Parabéns pela iniciativa linda e carinhosa para com sua mãe. Orgulho de ser caratinguense!!!!!
Forte abraço
Dalva do Velécio

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mercia arregut 2 de dezembro de 2015 - 22:14

Parabéns Cristina por saber falar tão lindamente dessa mãe exemplo de vida, coragem!
Parabéns Lays por nos mostrar o caminho saudável e alegre de viver!
Grande beijo pra vocês

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regina sales 22 de outubro de 2015 - 19:23

Que beleza de história…quando eu crescer, quero ser como vc. (Sou 20 anos mais nova)

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Cristina 2 de dezembro de 2015 - 20:35

Obrigada por seus elogios Regina Sales. Tomara que você consiga seu intento.

Grande abraço,

Ângela Cristina Porcaro

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Fabíola 2 de dezembro de 2015 - 21:23

Regina Sales,
a mamãe (sou a terceira filha) é muito bem humorada e generosa inclusive com todas as suas pesquisas.
Ela é uma fonte inesgotável de projetos e curiosidades.

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