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David Bowie, 69, reinventa a forma como um artista envelhece

Por Maya Santana

O eclético David Bowie fez aniversário nesta sexta-feira

O eclético David Bowie fez aniversário nesta sexta-feira

Matias, Uol –

David Bowie faz aniversário nessa sexta-feira, dia 8, e usa a data como desculpa para mais um passo em sua longa carreira. O dia em que completa 69 anos foi escolhido como o dia de lançamento oficial de seu mais novo disco, batizado com um ícone – ★ – pronunciado como Blackstar. O disco faz parte de uma nova e inesperada fase da carreira do artista inglês que pode ajudar mais uma vez a redefinir a paisagem da cultura pop, como Bowie fez em algumas oportunidades.

Esta nova fase começa a partir do desaparecimento do cantor no meio da década passada. A partir de um dos incidentes mais bizarros de sua carreira – quando foi atingido por um pirulito em forma de coração no olho esquerdo, num show em Oslo, na Noruega, em 2004, e continuou o show tocando uma música dos Pixies! -, Bowie começou a diminuir suas aparições públicas. Na verdade o incidente na Noruega antecipou o final abrupto da turnê Reality que o cantor realizava naquele ano e três shows mais tarde, quando se apresentava no Hurricane Festival, na Alemanha, encurtou o setlist da noite porque estava sentindo dores no peito. Do palco ele foi para o hospital onde submeteu-se a uma cirurgia cardíaca, fazendo-o cancelar o resto da turnê e desaparecendo lentamente do olho público.

Desde 2004, ele realizou apenas poucos shows – uma participação no show de David Gilmour em 2006, quando “Arnold Layne”, em homenagem a Syd Barrett, um de seus ídolos, que morreria naquele mesmo ano, uma participação em um programa de TV com a banda indie canadense Arcade Fire – e pendurou as chuteiras discretamente. Desde 2005, ele praticamente sumiu, fazendo o papel de Nikolai Tesla num filme de Christopher Nolan, gravando com Scarlett Johansson e dublando um personagem no filme do Bob Esponja – e só. E mais de uma vez surgiram boatos de que o cantor estava em péssimas condições de saúde – e que teria até falecido. Até 2013.

É quando ele inicia sua atual fase, em que o artista parece ter entendido que sua produção cultural não requer a sua presença, seja em apresentações ao vivo ou em entrevistas. Ele comunica-se igualmente com fãs e mídia, usando suas redes e seus contatos para anunciar uma nova produção e uma nova aventura. A primeira delas foi The Next Day, seu vigésimo quarto disco, lançado no início de 2013 e anunciado de súbito, sem o menor alarde. Bowie se alinhava a outros artistas mais novos – como Radiohead, My Bloody Valentine, Aphex Twin, Boards of Canada, Daft Punk e Beyoncé – ao lançar um disco quase que simultaneamente com seu o anúncio, sem criar expectativa nos meses anteriores.

Essa espera anterior era necessária quando a indústria fonográfica precisava de tempo para produzir discos e deslocá-los até os pontos de venda. Com a música digital isso tornou-se secundário e Bowie precisou de menos de dois meses para colocar seu novo disco à venda, após o anúncio em janeiro daquele ano. A capa era um indício da nova fase – ele reutilizava a capa de seu clássico “Heroes”, seu décimo segundo disco, lançado em 1977, só que ele encobria o próprio rosto com um quadrado branco, uma explicação que, apesar de sua ausência física, ele continuará lá.

E ele continua – e embora não apareça fora de sua obra, ele está lá, em pessoa, em todos seus clipes, como no da faixa-título que anunciou seu vigésimo quinto disco, chamado de ★ (Blackstar), no ano passado, ou no recém-divulgado “Lazarus“. Clique aqui para ler mais.

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