fbpx

Incontinência urinária: nada a ver com a romantização da velhice

Por Maya Santana

Antes vista como sintoma, a incontinência urinária ganhou o status de doença, a partir de 1988

Antes vista como sintoma, a incontinência urinária ganhou o status de doença, a partir de 1988

Déa Januzzi

Preciso falar de um assunto incômodo que não tem a ver com a romantização da velhice. Não tem poesia não, mas o assunto faz parte do envelhecimento – e eu mesma já estou passando por esse constrangimento. Quero falar hoje de incontinência urinária ou perda involuntária de urina.

Deixei de tomar cerveja no happy-hour justamente para não cair no vexame de sentir vontade de ir ao banheiro em momentos inapropriados: dentro do carro, na rua, a alguns metros da portaria do prédio onde moro. Já passei horrores de molhar a roupa toda a um minuto do banheiro depois de tomar cerveja com amigos. Na verdade, as cidades não foram feitas para quem tem mais de 60. Para chegar ao banheiro de alguns bares, você tem que escalar uma centena de escadas. É praticamente um esporte radical subir até o banheiro, sem contar o estado de calamidade de cada um deles. Conversando com amigas, elas também já estão vivendo essa perda

Outra estranha contradição é que depois dos 60 anos, as pessoas, sejam homens ou mulheres, vão envelhecer e passar pelos mesmos inconvenientes. Está provado, por exemplo, que depois dos 60, as pessoas têm pouco mais de 50% de água no corpo, o que faz parte do processo natural de envelhecimento. É fato ainda que os velhos têm menos reserva hídrica e precisam tomar mais água.

Tente, portanto, tomar dois a três litros de água durante o dia, conforme recomendado. Você será acordado pela urgência de ir ao banheiro, pelo menos umas cinco vezes durante a noite. Tenho amigas que não conseguem chegar até o banheiro, tão perto, mas tão longe!

Responsável até pela confusão mental dos mais velhos, a desidratação pode causar também queda da pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (batedeira), angina (dor no peito), coma e até morte.

Vá dormir com um barulho desses. Pedi ajuda à fisioterapeuta e gerontóloga, Viviane Café para ensinar que a perda involuntária de urina, apesar de acometer homens e mulheres, é duas vezes mais comum no sexo feminino – e aumenta com a idade. As consequências desse corpo seco, sem água, são assaduras, feridas na pele, infecções urinárias e interrupções do sono. Além de ter um impacto sobre a vida social das pessoas devido à perda de urina em locais e momentos inadequados, provocando constrangimento e vergonha, e levando, progressivamente, à redução da autoestima, ao isolamento dentro de casa e à depressão.

São vários fatores que predispõem a incontinência urinária: múltiplos partos, menopausa, diabetes, obesidade, tabagismo, abuso de álcool e cafeína, medicações, infecções urinárias crônicas e repetitivas, cirurgias ginecológicas e de próstata, entre outros. Viviane Café confessa que, do mesmo modo, as intervenções são abrangentes, mas é preciso procurar um especialista.

Há tratamentos eficazes para a incontinência urinária com boas taxas de sucesso, mas que dependem da adesão de cada um. Ela dá algumas dicas. Mudar o estilo de vida, perder peso, reduzir álcool e café, parar de fumar. Fisioterapia e exercícios para treinamento da bexiga e fortalecimento da musculatura da pelve estão indicados para a maioria das pessoas e costumam apresentar bons resultados sem os efeitos colaterais dos remédios.

Antes vista como sintoma, a incontinência urinária ganhou o status de doença, a partir de 1988. Ela provoca perdas involuntárias de urina e acometerá, segundo previsões da Sociedade Brasileira de Urologia, um em cada 25 brasileiros ao longo da vida. Pesquisas recentes mostram que 50 milhões de pessoas sofrem com a incontinência urinária.

Envelhecer tem dessas coisas inevitáveis. Hoje mesmo corri para casa depois de duas cervejas na hora do almoço. Confesso que, desta vez, fui salva. Cheguei a tempo!

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





3 Comentários

Mariana 2 de março de 2016 - 17:38

Uso as calcinhas da Retex pra incontinência urinaria, é uma beleza, da pra sair de casa usando que ninguém percebe, confortável e da pra lavar e reutilizar. Recomendo pra quem precisa.

Responder
lisa santana 27 de fevereiro de 2016 - 20:29

Déa, querida, pensei nisto ontem voltando para casa às 10 horas da noite, depois de duas inocentes cervejas e não me aguentando de vontade de ir ao banheiro. Estava de vestido, parei numa rua deserta, abri a porta do carro e fiz ali esmo. Senti um prazer raro. Me recusei a chegar incomodamente toda molhada em casa. Mas vamos combinar, é drama.

Responder
Déa Januzzi 27 de fevereiro de 2016 - 20:54

Ah, Lisa, é mesmo, já fiz isso até na Savassi, perto de uma árvore, amiga. Beijos e obrigada
Vamos que vamos, com todos os percalços.

Responder

Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais