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Psicóloga lança ‘A Segunda Vida – um guia para a mulher madura’

Por Maya Santana
A psicóloga Marisa Sanabria com os netos na noite de lançamento do livro

A psicóloga Marisa Sanabria com os netos na noite de lançamento do livro

Déa Januzzi

Marisa Sanabria, psicóloga, mestre em filosofia está com um novo livro na praça: “A Segunda Vida” – Um guia para a mulher madura, pela Editora Êxito. Escrito com liberdade, sem preocupação teórica ou acadêmica, apesar de ser uma intelectual de muito respeito e de entender sobre mitologia, ela escreve como quem pensa em voz alta, compartilhando com outras mulheres as ansiedades, conflitos e desejos de uma nova etapa da vida, aquela que é marcada pela menopausa, pela aposentadoria, pelos filhos já criados e o ninho vazio. Marisa escreve sobre “A segunda vida”, como se estivesse conversando com as mulheres numa roda de fogueira ou numa tarde de chá.

Aos 61 anos, casada há 35 com o mesmo marido, uma filha e dois netos, Marisa sabe do que está falando, que a segunda vida começa quando “a mulher toma posse de si mesma e de quem ela é. Trata-se de um tempo de transformações, que exige o desapego de papéis, fantasias e protagonismos, como deixar de ser a rainha do lar, de buscar o amor eterno e romântico, de perseguir a todo custo uma imagem de juventude e outras tantas ideias que não fazem mais parte do nosso repertório. São transformações que o tempo traz, mas que muitas não percebem. Resistem às mudanças ou não se sentem preparadas para enfrentá-las, insistindo em ficar congeladas em um espaço que não existe mais”.

Marisa sabe que para conquistar a maturidade é “preciso remover obstáculos, preconceitos e violências sociais. Na segunda vida,o amadurecimento solicita um balanço da própria história: o que foi conquistado, o que ficou para trás, o que está perdido e o que ainda queremos e podemos fazer com esse novo tempo, que pode chegar a 20, 30, 40 anos ou mais de vida”.

Além do próprio exemplo, Marisa pode relatar depoimentos de mulheres que vão ao seu consultório de psicologia, um tanto confusas com esse novo momento da vida. O livro traz relatos interessantes, como o de uma paciente que diz assim: “Tenho medo de envelhecer. Não falo minha idade nem faço mais aniversário. Como vai ser minha vida a partir de agora?”. Uma outra garante: “Não é fácil envelhecer. Ver as mãos se encherem de pintas, o cabelo cair… Mas aí eu penso: Que bom! Vivo a minha vida. Não dou satisfação e não sou mais o centro do universo”. Uma terceira está muito bem e confessa: “Hoje desfruto da minha companhia. Estar sozinha, costurando, cozinhando, é um prazer muito grande. Não vejo o tempo passar”.

Livro acaba de ser lançado

Livro acaba de ser lançado

Estes são apenas alguns depoimentos de mulheres que entraram na segunda vida. A própria Marisa está muito bem neste momento, com uma sensação de liberdade pessoal. “As perdas são parte do caminho”. Ela diz que se sente muito serena em relação à morte dos pais, “pois sempre tive projetos de vida, uma profissão que me preencheu e me preenche até hoje, porque me possibilita ser criativa, produtiva e reflexiva, além de ser uma atividade que pode ser exercida na maturidade, incorporando ao saber a história pessoal e a trajetória de vida”.

Marisa também se cuida. Faz hidroginástica, pilates e caminhada. Cuida da alimentação e tenta manter um peso mais ou menos compatível. Na verdade, Marisa sempre foi magra, com os cabelos em hena vermelha desde os 20 anos. É elegante, alegre e costuma estar sempre de bom humor. Em alguns momentos fica mais reflexiva, aí então adora bordar, tomar um chá ou café. Marisa usa o bordado como terapia em grupos de mulheres, que se redimem de seus problemas desenhando e colorindo no tecido. O ateliê terapêutico é uma espécie de redenção de mulheres que até então nunca pegaram na agulha e na linha. Quando bordam juntas, Marisa também indica filmes e livros que vão fechar a sessão com maestria.

Mesmo reconhecendo que hoje, aos 61 anos, está mais lenta, ela não deixa de prestar atenção nos sinais que a idade deixa no corpo:”O ritmo é menos frenético, preciso descansar mais e organizar o tempo, não consigo emendar uma tarefa na outra. Se vou dar uma conferência preciso me preparar um pouco antes e descansar depois.Preciso e gosto de ter um tempo em silêncio, gosto de ficar sozinha para pensar na minha história, para tomar decisões e refletir comocheguei até aqui. Cada vez mais tenho cultivado a tolerância e o respeito por mim mesma, reconhecendo e agradecendo deter chegado onde cheguei pelo meu próprio esforço e trabalho”.

Marisa entende do feminino maltratado, violentado no mundo patriarcal. É por isso que o livro “A Segunda Vida” tem tanto a acrescentar. “O envelhecimento é feminino”, dita ela. “Nós mulheres estamos vivendo mais e mais.” O próprio IBGE constatou em pesquisa de 2013 que há 26% mais mulheres que homens acima de 60 anos no Brasil. São 14,5 milhões de mulheres e 11,5 milhões de homens nessa faixa etária. Essa contínua e inexorável transformação levou Marisa a escrever o livro e a pensar como vivem as mulheres que hoje, depois de fazer a travessia da menopausa, com todas as vicissitudes e descobertas, estão na faixa dos 55, 60 e até 70 anos. Quem são elas, como se enxergam, como se relacionam com o mundo, com outras mulheres e com os próprios anseios, temores e prazeres? Como percebem o envelhecimento e de que forma planejam o futuro, levando em conta que em breve entrarão na fase dos 80 anos.

Parte integrante da geração babyboomer, essas mulheres de 60 a 75 anos fizeram parte do movimento hippie, aderiram ao amor livre, tiveram acesso à pílula anticoncepcional, percorreram o caminho íntimo da conquista do corpo. E como gesto decisivo de sua condição, essas mulheres entraram em massa no mercado de trabalho. E agora essas mulheres se deparam com uma perspectiva comum: a de ter anos de vida pela frente. O momento em que se encontram exige reflexão, entendimento e tomada de consciência de como o tempo futuro será vivido.

Marisa dá dicas: “Acho muito importante ter entusiasmo e desejo por algumas coisas, estudar uma língua estrangeira, aprender a bordar, fazer uma pequena viagem.” Ela, por exemplo, não tem nenhuma expectativa de feitos fantásticos, nem pretende ensinar aos outros como conduzir a vida. “Como terapeuta respeito o caminho que cada uma escolher. Sou grata, e me sinto honrada de ter sido escolhida para acompanhar algumas pessoas em um trabalho tão delicado e artesanal como o processo de autoconhecimento”. Ela vai continuar trabalhando até quando a saúde permitir, sem perder o entusiasmo e o encantamento pela vida.

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8 Comentários

sidiney 19 de dezembro de 2018 - 05:31

muito bom o texto

Responder
Heloisa Belluzzo 23 de março de 2016 - 10:59

Belíssimo texto, Déa! Publicar o livro de Marisa Sanabria foi uma honra e um presente especial para mim.

Responder
Camila 22 de março de 2016 - 10:59

Déa, este livro parece ser inspirador!

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Manuela Cardoso 21 de março de 2016 - 17:18

Gostei imenso desta sinopse. Resido em Portugal e gostaria de comprar o livro. Como o posso fazer?
Parabéns à escritora pelo seu trabalho.

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Déa Januzzi 21 de março de 2016 - 21:53

Manuela, é só deixar o endereço in box no facebook de Marisa Sanabria ou enviar e-mail para
[email protected]
Abraços Déa Januzzi

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Creusa Lucia vicente 20 de março de 2016 - 15:15

A Marisa Sanabria com sua capacidade profissional, a sensibilidade e a doçura no trato com as questões femininas, tem contribuído muito para acabar com o preconceito de que o amadurecimento seja sinal de Fim, quando na verdade e um novo começo. Parabéns Januzzi, bela matéria.

Responder
Marisa Sanabria 20 de março de 2016 - 10:33

Obrigada Déa, minha amiga querida….espero que a gente possa ajudar com estas reflexões outras mulheres.

Responder
Marlyana Tavares 20 de março de 2016 - 09:41

Adorei e vai ao encontro ao meu momento. Quero comprar o livro. Parabéns Januzzi!

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