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Lia de Itamaracá, 73, uma das lendas vivas de Pernambuco

Por Maya Santana

O jornal The New York Times a chamou de "diva da música negra"

O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”

Na verdade, Lia de Itamaracá é um patrimônio brasileiro. Encontrei este excelente artigo sobre a nossa Cesárea Évora no blog Cajumanga. Nascida em Pernambuco, Lia tornou-se conhecida depois do sucesso da música “Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”, de Teca Calazans, gravada em 1963. Mas Lia, pela sua grandeza como artista, é pouco conhecida no Brasil, onde é comparada à carioca Clementina de Jesus, de quem o país tomou conhecimento quando já tinha mais de 60 anos. Lia tem 72.

Leia:

O jornal The New York Times a chamou de ‘diva da música negra‘. O francês Le Parisien comparou sua voz à da cabo-verdiana Cesária Évora. No Brasil, críticos de música comparam-na a Clementina de Jesus. No entanto, ainda há quem duvide que a cirandeira Lia de Itamaracá realmente exista.

Para muita gente, trata-se de uma personagem que vive apenas nos versos Essa ciranda quem me deu foi Lia,/que mora na Ilha de Itamaracá, uma música de domínio público gravada pela primeira vez por Teca Calazans, em 1963. Mas Lia é real, tem 72 anos.

Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu no dia 12 de janeiro de 1944, na ilha de Itamaracá, Pernambuco. Sempre morou na Ilha e começou a participar de rodas de ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.

O jornal francês Le Parisien comparou sua voz à da cabo-verdiana Cesária Évora

O jornal francês Le Parisien comparou sua voz à da cabo-verdiana Cesária Évora

“Bonita, essa Lia! Enorme, mulher de metro e oitenta. Os cabelos desarrumados, blusa florida, e calça jeans, pés gigantescos em sandália de couro cru. Não está nada à vontade, devemos ser mais alguns daqueles forasteiros que vêm para tirar fotografias, posar ao lado se possível com um sorriso que por enquanto economiza, como também raciona as palavras…

As cirandas pernambucanas de Lia estão na boca de toda a gente,na alegria das pessoas se dando as mãos, cirandando em volta dela. E na verdade essa mulher de quarenta anos, meiga às vezes, e justamente desconfiada quase sempre, é para muitos apenas uma dessas peças de artesanato urdidas em barro e que vão ornamentar uma estante…” – Hermínio de Carvalho.

Trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino e, nas horas vagas, dedica-se à musica e à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus.

A compositora Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o seu talento e acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.

Maria Madalena começou a ficar conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 1960 e é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans: Oh cirandeiro/cirandeiro oh/ a pedra do teu anel brilha mais do que o sol. A estes versos Teca incorporou uma toada informativa, que também teve grande sucesso: Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá.

Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado A rainha da ciranda,não recebendo, no entanto, nenhum pagamento pelo trabalho.

Mais de duas décadas depois foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival Abril Pro Rock, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil. Antes ela só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina.

Em 2000, saiu seu CD Eu Sou Lia, lançado pela Ciranda Records e reeditado pela Rob Digital, cujo repertorio incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone.

O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público.

Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.

No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD Rádio Samba, do grupo Nação Zumbi, teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto.

As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos.Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá, hoje, é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá.

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1 Comentários

lisa santana 13 de abril de 2016 - 18:48

Linda! Lindo!

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