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O Brasil está imerso na pior crise econômica de sua história

Por Maya Santana
Presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha: uma das figuras mais nefastas da República

Presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha: uma das figuras mais nefastas da República

Não costumo falar de política no 50emais. O não falar do assunto é deliberado. Mas encontrei este artigo no jornal espanhol El País – versão em português – e achei que valia a pena publicar aqui. Ao contrário da mídia brasileira, com suas posições de um lado ou de outro, o El País consegue falar de política brasileira sem paixão, usando a razão.

Leia o artigo:

A aprovação da abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff por uma esmagadora maioria da Câmara dos Deputados abre uma etapa no Brasil marcada pela incerteza. A agonia à espera da presidenta nas próximas semanas para acabar previsivelmente saindo derrotada e humilhada pela porta de trás da história não resolve nenhuma das incógnitas que se observam sobre o futuro do gigante sul-americano. O impeachment deixa um país dividido politicamente, em lados conflitantes socialmente e imerso na pior crise econômica de sua história. Também em uma crise moral à qual somente o proverbial otimismo dos brasileiros poderá dar solução.

O Brasil entra em uma transição às cegas cuja primeira parada será o Senado, quando, ainda no início de maio, decidir sobre o caso Rousseff. Bastará uma fácil maioria simples para que a presidenta seja afastada do poder por até 180 dias enquanto é julgada em ambas as Casas. Se, como previsível, for decretada sua morte política, o poder passará ao vice-presidente, Michel Temer, seu antigo aliado e agora o pior inimigo, dirigente do conservador Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e sob suspeita de corrupção. Um personagem obscuro a quem os mercados pedem uma dura política de ajuste e uma reforma tributária: provavelmente necessárias, mas com certeza impopulares.

A confluência dos interesses de Temer com outros dois personagens de seu próprio partido – Eduardo Cunha, presidente da Câmara de Deputados, o evangélico conspirador do impeachment, acusado pelo Ministério Público de possuir milionárias contas na Suíça alimentadas com subornos da Petrobras, e Renan Calheiros, presidente do Senado, um artista da hipocrisia política também investigado por corrupção – deu motivos aos seguidores do Partido dos Trabalhadores (PT) para considerar todo o processo “um golpe de Estado constitucional” para desalojar a esquerda do poder.

Golpe ou mudança de rumo ante circunstâncias de extrema gravidade econômica – como defendem os partidários do impeachment –, dois fatos são inquestionáveis: o caso Petrobras expôs uma corrupção gigantesca na classe política brasileira que afeta todos os partidos, esquerda e direita, sem distinção; e, até agora, a única não acusada de enriquecimento pessoal foi a própria presidenta. Ao fim e ao cabo, o impeachment se baseia em um tecnicismo fiscal: a prática ilegal de recorrer a empréstimos de bancos públicos para equilibrar o orçamento.

O Brasil fica em um limbo político às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio, inquietado pela necessidade de dar resposta à recessão e encontrar uma saída à crise política. A destituição de Rousseff não deve deter a limpeza dos esgotos do poder. Mas muito menos propiciar – como se viu no domingo, com o lamentável espetáculo oferecido pelos deputados na votação, onde não faltaram gritos, empurrões, cantorias e até uma cuspida – que a democracia brasileira saia desse transe debilitada.

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2 Comentários

Ana 20 de abril de 2016 - 11:17

Um artigo racional e objetivo. Estamos diante de uma crise moral – a corrupção – que gerou “a crise política”. Cunha é réu, não vamos nos esquecer. E está no poder normalmente. Delcídio tb é réu. E continua no poder. Tudo isso é muito triste. O pior é q não há um partido ou pessoas em quem confiar para dirigir o país. Uma lástima.

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Vera 19 de abril de 2016 - 23:08

Não colou os creditos pro autor do texto onde vê se que pouco ou quase nada sabe o que ocorreu de fato aq.
Veja bem*O impeachment deixa um país dividido politicamente, em lados conflitantes socialmente e imerso na pior crise econômica de sua história. *Não dividiu o pais não…….apenas Bahia e Ceará votaram Não.Os demais estados foram quase que unanimes p/ o SIM. Isso de dividir é coisa de governos golpista ,querendo incutir nas pessoas que eles costumam sbestimar a inteligencia.Só isso. Parei de ler ai.

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