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Ex-escrava será primeira mulher a estampar nota de 20 dólares

Por Maya Santana

Harriet Tubman, escrava que fugiu e voltou para resgatar outros negros, na nota de 20 dólares

Harriet Tubman, escrava que fugiu e voltou para resgatar outros negros, na nota de 20 dólares

O nome da primeira mulher escolhida para estampar uma nota de dólar é Harriet Tubman(1822-1913), ex-escrava que se distinguiu na causa abolicionista, uma das heroínas da História dos Estados Unidos. A estampa de Harriet vai substituir a do sétimo presidente americano, Andrew Jacson, um defensor da escravidão que teve papel importante na tomada de terras de povos indígenas em território do país. A decisão de colocar uma mulher na nota de 20 dólares, o que ocorrerá até foi tomada depois de intensa campanha para que não apenas homens sejam representados na moeda americana.

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O secretário do Tesouro americano, Jack Lew, anunciou nesta quarta-feira (20) seus planos para substituir a ilustração do ex-presidente dos Estados Unidos Andrew Jackson, que hoje adorna a nota de US$ 20, pela da ex-escrava Harriet Tubman. Tubman lutou na causa abolicionista antes e durante a Guerra Civil Americana e é considerada uma das heroínas da história do país.

A mudança na nota de US$ 20 virá acompanhada ainda de outras inovações: de acordo com o site Politico, a nota de US$ 10 estampará em sua parte de trás efígies de mulheres do movimento sufragista americano; e a nota US$ 5 será modificada para incluir líderes do movimento pelos direitos civis dos negros no país.

A renovação – programada para ocorrer até 2020, centenário da conquista do voto feminino nos Estados Unidos – é resultado de uma campanha realizada pelo grupo Women on 20s (Mulheres nas Notas de 20, em tradução livre). A organização reúne ativistas que, desde o começo de 2015, pressionam o governo americano para que mulheres tenham sua representação na moeda do país, hoje integralmente ilustrada por homens. No ano passado, o grupo conduziu uma pesquisa online sobre quem deveria ser a primeira mulher a ser representada. Das 600 mil pessoas que participaram, quase 40% escolheram Tubman.

A atriz Susan Sarandon, 72, é uma das que participaram da campanha para por uma mulher na nota de dólar

A atriz Susan Sarandon, 72, participou da campanha para por uma mulher na nota de dólar

O alvo principal da campanha, a nota de US$20, antes da campanha pela inclusão de Tubman, já era vítima de questionamentos. Jackson, o sétimo presidente dos Estados Unidos, tem contra si o fato de que era contra o uso da moeda em papel. Ele preferia as transações em ouro e prata. Além disso, era um defensor da escravidão e exerceu papel importante na tomada de terras de povos indígenas em território americano. Dentre os objetivos citados pela declaração do Women on 20s, encontra-se “a remoção de símbolos de ódio, intolerância e desigualdade, para permitir a igualdade que estimulará o potencial de todas as pessoas independente de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou identidade”. Jackson deixará a parte da frente da nota, mas se manterá na face traseira, o que rendeu críticas por parte de grupos e ativistas ao Tesouro americano.

Harriet Tubman nasceu em Maryland, estado localizado entre o sudeste e o noroeste americano, na década de 1820. Como escrava, aos seis anos começou a trabalhar como servente doméstica. Aos 13, foi enviada para trabalhar nos campos da fazenda onde vivia. Ela viu suas irmãs serem vendidas, os pais idosos trabalharem como escravos e carregou por toda a vida marcas físicas da escravidão: além das cicatrizes deixadas por chicotes, ela ganhou uma deficiência permanente depois de receber uma forte pancada na cabeça, desferida por um feitor e destinada a outro escravo a quem Harriet tentava defender – ela nunca se recuperou completamente e como consequência, por vezes caia em sono profundo sem querer.

Em 1849, conseguiu fugir rumo ao norte e se instalou na Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. Harriet trocaria a segurança da liberdade no Norte para voltar a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravos. Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar entre 60 e 70 escravos, entre parentes e amigos. Ela disse que “nunca perdeu nenhum passageiro”, o que lhe rendeu o título de “a mais hábil condutora” das Rotas Subterrâneas. A determinação e tenacidade também lhe renderam o apelido de “General Tubman”, dado pelo abolicionista John Brown, que também a qualificou como “uma das pessoas mais corajosas do continente”.

Nos Estados Unidos, ela se tornou mais conhecida por sua participação durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Kate Larson, historiadora e autora da biografia Bound for the Promised Land – Harriet Tubman: portrait of an American Hero (Destinada à Terra Prometida – Harriet Tubman: retrato de uma heroína americana, em tradução livre), qualifica Harriet como um “camaleão” – ela atuou como professora, cozinheira e espiã, conectando as tropas da União com redes de informações de escravos. “Ela é lembrada por sua determinação nas Rotas Subterrâneas, não só para se libertar, mas voltar diversas vezes para resgatar sua família e amigos, pondo sua vida em grande risco”, afirma Larson. “Muito poucas pessoas fizeram isso, e Tubman não o fez uma ou duas vezes, mas 13 vezes. Ela enfrentou a possibilidade de ser morta muitas vezes, quase foi capturada muitas vezes e continuou lutando contra a escravidão a cada momento que pôde. Ela nunca desistiu, ela continuava em frente”, diz a autora. Embora tenha tido um papel ativo, Tubman levaria 30 anos para conseguir do governo americano a pensão que lhe era de direito como “veterana” da Guerra Civil. Clique aqui para ler mais.

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