fbpx

É incrível que um único juiz possa bloquear serviço de milhões

Por Maya Santana
Este é o juiz  Montalvão, que calou milhões de brasileiros

Marcel Montalvão, o juiz de Lagarto que calou milhões de brasileiros

(A Justiça já determinou o desbloqueio do Whatsapp. O aplicativo está voltando a funcionar. Prevaleceu a sensatez.)

Decidi publicar este artigo da BBC Brasil porque também partilho da ideia de que é um absurdo um único juiz impedir que milhões de brasileiros tenham acesso ao WhatsApp, prejudicando dessa maneira aquela parcela enorme de pessoas que usam o aplicativo para trabalhar. Também concordo com Nathan Thompson, pesquisador do Instituto Igarapé sobre governança na internet, privacidade e políticas de cibersegurança, quando ele diz que “parte disso é pressão e lobby das empresas de telecomunicação e da Anatel por quererem proteger o mercado de ligações, e também uma onda conservadora no Congresso, de maior controle sobre a internet”.

Leia o artigo:

A decisão judicial que bloqueou o aplicativo WhatsApp no Brasil na segunda-feira é “perigosa” e prejudica a imagem que o país construiu nos últimos anos no campo da internet, diz à BBC Brasil Ross Schulman, conselheiro sênior e codiretor da Iniciativa em Cibersegurança da New America, um centro de pesquisas e debates em Washington.

“É incrível para mim que um único juiz possa interromper um serviço vital para a comunicação de milhões de pessoas no país todo”, afirma Schulman. “Esse tipo de ação compromete a ideia do Brasil como um lugar que se preocupa profundamente com a privacidade dos usuários”.

Na segunda-feira, o juiz Marcel Montalvão, de Lagarto (SE), ordenou a suspensão do WhatsApp por 72 horas pelo descumprimento de uma determinação judicial numa investigação sobre tráfico de drogas.
A pedido da Polícia Federal em Sergipe, o juiz ordenou que o Facebook – dono do WhatsApp – entregasse mensagens trocadas no aplicativo que poderiam ajudar na investigação. O Facebook diz não ter como acessar as mensagens, já que elas não seriam armazenadas em seus servidores.

Em março, Montalvão ordenou a prisão do vice-presidente do Facebook na América Latina, Diego Dzodan, pelo descumprimento da mesma ordem.

O WhatsApp afirmou na segunda que a decisão do juiz “pune mais de 100 milhões de brasileiros que dependem do nosso serviço para se comunicar, administrar os seus negócios e muito mais, para nos forçar a entregar informações que afirmamos repetidamente não ter”.

Para Nathan Thompson, pesquisador do Instituto Igarapé sobre governança na internet, privacidade e políticas de cibersegurança baseado no Rio de Janeiro, é importante lembrar que a decisão não é isolada e que o Brasil vem mostrando uma tendência que ele chama de “preocupante” de batalhas entre a Justiça e as empresas de tecnologia.

O analista acredita que as medidas são “desproporcionais” e “retrógradas” e que ocorrem devido a uma série de fatores.

“A tendência é que os brasileiros vejam mais desdobramentos dessa batalha, e que isso volte a acontecer. Na minha visão há uma junção de fatores que podem explicar isso. Parte disso é pressão e lobby das empresas de telecomunicação e da Anatel por quererem proteger o mercado de ligações, e também uma onda conservadora no Congresso, de maior controle sobre a internet”, diz. Clique aqui para ler mais.

close

Inscreva-se para receber conteúdo incrível em sua caixa de entrada, todas as semanas

Prometemos que nunca enviaremos spam! Leia nossa Política de privacidade para mais detalhes.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais