Saudade

Por Maya Santana
Dona Clara com o bisneto Pedro, pouco antes de nos deixar, em agosto de 2008

Dona Clara com o bisneto Pedro, pouco antes de nos deixar, em agosto de 2008, aos 87 anos

Elisa Santana, 50emais

Quando o meu pai morreu
Apesar de não ser mais tão moça
Me encolhi como uma menina
Me cobri com o manto da
Tristeza
Do vazio
E da dor
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A generosidade
O amor
A saudade
Quando o meu irmão mais velho morreu
Eu fiquei estupefata
Achei a morte ingrata
Por ter convidado para uma dança
Um homem ainda novo
E achei o meu irmão bobo
Por ter aceitado a companhia
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A reza
A saudade
A sensação da casa vazia
Quando a minha mãe morreu
Eu uma mulher mais que feita
Chorei
Corri a encher as jarras de flores
Cantei pra ela
Tomei chá de folha de laranja da terra
Acendi vela
E dela
Quando a lembrança vem
Me faz pensar que agora
Em algum lugar
Em algum dia
Em alguma hora
Eu tenho alguém que me espera

Elisa Santana é Atriz, Professora de Artes Cênicas da PUC/MG, autora de um livro de poesias (Os Peixinhos do Meu Pano de Prato) e lançou um CD (Soneto 88)em 2015.


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6 Comentários

Rogério de Oliveira 17 de maio de 2017 - 14:15

Duca e Dna Clara fabricaram uma amostra do que há de melhor na humanidade : seus filhos. E eu tive a sorte de conviver com alguns.

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Beth Cataldo 9 de maio de 2016 - 21:59

Lindo poema, Lisa. Eu me emociono toda vez que o leio. Vou reproduzi-lo na minha página do facebook.

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Elza Cataldo 8 de maio de 2016 - 12:57

Tenho certeza de que ela também foi grata pelos filhos que teve. Saudade mãe é única.

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Maria jose Santana 8 de maio de 2016 - 12:14

Que saudades Lisa , que trás sua poesia.
Parece que foi ontem, mas a saudade nos trás
para a realidade de hoje

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Carol 8 de maio de 2016 - 11:40

Saudades de Vó, de sua ternura e bondade. Ah do cafezinho dela, que ero o melhor!!!

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Lisa Santana 8 de maio de 2016 - 11:29

Alegria e gratidao de tê-la tido como mãe. Clara sabedoria.

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