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Papa abre a porta para que mulheres façam casamento e batizado

Por Maya Santana

Na reunião que realizou com as madres superiores nesta quinta-feira

O papa na reunião que realizou com as madres superiores, nesta quinta-feira

O Papa Francisco tem demonstrado ser um homem realmente muito especial. Com uma sensibilidade pouco vista nos últimos homens que ocuparam a cadeira de São Pedro, no Vaticano. Ao anunciar nesta quinta-feira, 12 de maio, sua disposição de abrir a Igreja para que as mulheres possam ter um papel mais relevante do que vêm desempenhando em todos estes séculos, Francisco mostra, uma vez mais, a sua estratégia inteligente, humana, para modernizar, trazer a Igreja para os tempos atuais. Admiro esse grande homem – entre os pouquíssimos líderes mundiais que servem de inspiração para a humanidade nestes tempos tão conturbados.

Leia os detalhes da decisão do Papa neste artigo de Pablo Ordaz, do El País:

Já desde sua primeira viagem, ao Rio de Janeiro, o papa Francisco se mostrou partidário de que as mulheres adquirissem um papel de maior relevância na Igreja católica –“não nos podemos limitar às mulheres coroinhas, à presidenta da Cáritas, à catequizadora; é preciso fazer uma profunda teologia da mulher”–, mas desde aquelas palavras até agora se passaram três anos sem nenhum avanço. Talvez por isso durante a audiência no Vaticano para mais de 900 superioras de institutos religiosos femininos Jorge Mario Bergoglio anunciou “a possibilidade no dia de hoje” de que as mulheres possam aceder ao diaconato, o grau inferior na hierarquia, abaixo do sacerdócio, mas já com a função de ministrar o batismo, distribuir comunhão e celebrar casamentos.

Durante o encontro com a UISG, a associação que reúne as superioras de todas as ordens religiosas, uma delas perguntou diretamente ao Papa: “Por que a Igreja exclui as mulheres do diaconato?” E outra insistiu: “Por que não constitui uma comissão oficial que estude essa possibilidade?”. Bergoglio, que costuma preferir o corpo a corpo aos rígidos discursos institucionais, aceitou a sugestão. Explicou que em certa ocasião já falara com “um sábio professor” que tinha estudado a função das mulheres diaconisas nos primeiros séculos da Igreja, mas que a questão não estava clara. Em seguida, como se refletisse em voz alta, acrescentou: “Constituir uma comissão oficial para estudar a questão? Acredito que sim. Seria um bem para a Igreja esclarecer este ponto. Estou de acordo. Falarei para fazer algo nesse estilo. Aceito a proposta. Será útil para mim ter uma comissão que esclareça bem isso.”

Depois de séculos de fechamento absoluto, o compromisso de Francisco –assumido, além disso, diante de mais de 900 mulheres com funções de comando em suas respectivas comunidades religiosas– adquire uma grande importância. Um Papa que duvida, improvisa e assume compromissos em público é, sem lugar para dúvidas, um Papa diferente.

Embora já no Novo Testamento –especificamente na Epístola aos Filipenses, datada de meados do primeiro século depois de Cristo– se fizesse menção aos diáconos, o Concílio Vaticano II situou o diaconato em grau inferior na hierarquia, abaixo do sacerdócio, e estabeleceu entre suas funções as de “administrar solenemente o batismo, reservar e distribuir a comunhão, ajudar nos casamentos e bendizê-los em nome da Igreja, levar o viático aos que agonizam, ler a Sagrada Escritura para os fiéis, instruir e exortar o povo, presidir o culto e oração dos fiéis, administrar os sacramentos, presidir o rito dos funerais e sepultura”. Como os sacerdotes, o diácono pode vestir sotaina ou o chamado “clergyman”, uma camisa em geral escura com colarinho.

Com relação a uma maior relevância para a mulher na Igreja, o Papa se mostrou bastante partidário durante o voo de regresso do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2013: “Sobre a participação das mulheres na Igreja não nos podemos limitar às mulheres coroinhas, à presidenta da Cáritas, à catequista… Tem de haver algo mais, é preciso fazer uma profunda teologia da mulher. Quanto à ordenação das mulheres, a Igreja falou e disse não. Assim disse João Paulo II, mas com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Mas sobre isso quero dizer-lhes algo: a Virgem Maria era mais importante que os apóstolos e que os bispos e que os diáconos e os sacerdotes. A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres. Como? Isto é o que devemos tratar de explicar melhor. Creio que falta uma explicação teológica sobre isto”.

Com suas palavras nesta quinta-feira, Francisco volta a obrigar a Igreja católica a debater sobre si mesma, a avaliar se os velhos caminhos são ainda os corretos.

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1 Comentários

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Sonia Machado 15 de maio de 2016 - 11:24

Nosso Papa querido, amado por todos. Mensageiro da paz e que não esquece de nós mulheres.

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