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Um guerreiro que luta pela causa das pessoas com deficiência

Por Maya Santana

Vereador Leonardo Mattos

Vereador Leonardo Mattos, do Partido Verde

Déa Januzzi –

Consegue imaginar onde e como vão estar as pessoas com deficiência como você, aos 80,90 anos? Antes de responder, o vereador do Partido Verde (PV), Leonardo Mattos, de 60 anos, levou a mão à cabeça: “Nossa, nem me fale”. Paraplégico aos 22 anos por causa de um acidente de carro, Leonardo é um guerreiro que luta pela causa das pessoas com deficiência, uma de suas principais bandeiras.

Casado, pai de trigêmeos, ele agora está abraçando a causa do envelhecimento populacional, que vem aí como uma tormenta para desmoronar preconceitos, criar políticas públicas significativas – e abrir passagem para o envelhecimento ativo, sem esquecer os que vão ficar dependentes de cuidados e atenção, que não vão conseguir mais desempenhar as funções normais do dia a dia devido a deficiências cognitivas que levam á demência, como a doença de Alzheimer que vai apagando a história de vida de cada um. Leonardo Mattos quer ser um ator político na Câmara Municipal para implantar as mudanças necessárias.

A resposta sobre como vão envelhecer as pessoas com deficiência veio no dia seguinte, durante a realização do II Seminário de Políticas para Idosos, promovido por Leonardo Mattos na Câmara Municipal de Belo Horizonte – já conseguiu aprovação e verba para o Centro-Dia, com atividades artísticas e recreativas para os idosos de baixa renda.

Geriatra Karla Giacomin

Geriatra Karla Giacomin

A geriatra Karla Giacomin, uma das convidadas para o seminário, explicou aos participantes que o envelhecer por si só exige atitude. “Não há uma solução mágica. Vamos fazer as políticas públicas acontecerem, pois não podemos mais ficar enxugando gelo e apagando incêndio. Ou elegendo políticos que desconhecem o que foi conquistado por seus antecessores, como se fosse um jogo a cada nova eleição. Não podemos ficar interrompendo experiências positivas já consolidadas. O jogo tem que continuar, sem repetir erros em tempo eleitoral. Nem ficar confortavelmente sentados em nossos sofás, porque isso não vai mudar nada. Na hora de votar é preciso saber quem sai ganhando com o nosso voto.”

Ela lembrou que o envelhecimento não é uma questão de gênero nem de profissão ou de estabilidade financeira. “O envelhecimentochega para o gay, o rico, a prostituta, o pobre, o negro e para pessoas com deficiência. Todos vão envelhecer e, portanto, é preciso agir agora, porque o idoso não tem mais tempo de ficar esperando. Não dá para cochilar. É preciso ficar com os olhos bem abertos. É só prestar atenção nos idosos que vivem nos grandes centros urbanos. Todos os dias dia um idoso tropeça e cai, é atropelado nas ruas por falta de respeito às faixas e sinais de trânsito. Os passeios estão cheios de buracos e postes. Não há um banco para que ele possa sentar entre um longo quarteirão e outro, uma praça. É preciso começar agora essa mudança de cultura e comportamento, em favor dos mais velhos, que são barrados pela falta de acessibilidade urbana. As cidades hoje são inimigas dos idosos”.

Se para os idosos que estão envelhecendo naturalmente, as barreiras urbanas causam danos, imagine para as pessoas com deficiência. Quantos usuários de cadeiras de roda você vê nas ruas? Quantos estão nas universidades? No mercado de trabalho? Na PUC Minas que se gaba de ser uma universidade inclusiva apenas 1% dos estudantes são pessoas com deficiências, apesar de somarem 12% na capital.

Ao passar os olhos pelo plenário da Câmara, além de Leonardo Mattos, que dirige muito bem a sua cadeira de rodas, só uma outra participante é notada. Mas ela não fala, porque tem a doença de Alzheimer há 10 anos. Pracidina Maria Belico, de 77 anos, deixa para a filha Lúcia, de 58 anos, ser portadora de sua dor. A filha diz que a mãe não sai de casa nem para passear nas ruas vizinhas, pois os passeios estão cheios de postes e de buracos impedindo o desenrolar seguro da cadeira de rodas. São verdadeiras armadilhas para quem é velho e ainda por cima tem limitações. Ela só sai de casa em táxi adaptado, para irem determinados lugares. “Nem de bengala dá para andar no bairro, onde moramos”, diz Lúcia.

Pracidina é o melhor exemplo do que é envelhecer com deficiência numa cidade grande. Tem que permanecer na prisão dos seus dias, pois a sociedade não consegue ainda enxergar nem os velhos quanto mais os idosos deficientes. “Eles vão sofrer duplo preconceito, por serem velhos e deficientes”, resume a geriatra Karla Giacomin.

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1 Comentários

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Lívia Abreu 22 de maio de 2016 - 10:44

Parabéns Déa Januzzi pela matéria. Colocou muito bem situações onde todos nós corremos o risco de vivê-las. Minha admiração estendida ainda ao Vereador Leonardo Mattos, pelos seus projetos e preocupação com classes desprotegidas politicamente e pela maioria da sociedade.

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