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Nelson Cruz leva Prêmio Monteiro Lobato de literatura infantil

Por Maya Santana

O premiado escritor e ilustrador em seu estúdio

O premiado escritor e ilustrador mineiro, 59 anos, em seu estúdio

Foi com enorme prazer que li este artigo em O Globo sobre Nelson Cruz, 59, escritor e ilustrador de primeira grandeza, que escolheu a minha cidade, Santa Luzia(MG), para viver com a mulher, Marilda Castanha, outra premiada ilustradora, e os dois filhos. Nelson acaba de ganhar o Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil 2016 por Haicais Visuais (Ed. Positivo), livro que recebeu uma chuva de elogios quando foi lançado, no ano passado. Além de ter ilustrado inúmeras obras, ele tem 20 livros de sua autoria e já recebeu prêmios que não acaba mais.

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Em um primeiro momento, o currículo é o que chama atenção: Nelson Cruz assina 20 livros de autoria própria, ilustrou obras de nomes como Carlos Drummond de Andrade, coleciona selos de Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, já recebeu cinco prêmios Jabuti, além das premiações da Biblioteca Nacional, da Academia Brasileira de Letras e da Associação Paulista de Críticos de Arte. Ainda foi indicado para o prêmio Hans Christian Andersen e – ufa! – para a lista de honra do International Board on Book for Young People. Mais admirável que a relação de prêmios, no entanto, é a história de vida por trás dela.

No livro "Haicais Visuais", Nelson Cruz apresenta os poemas japoneses de três versos em versão ilustrada (Foto: Crescer/ Editora Globo)

No livro “Haicais Visuais”, Nelson Cruz apresenta os poemas japoneses de três versos em versão ilustrada (Foto: Crescer/ Editora Globo)

Mineiro de Belo Horizonte, Nelson nasceu em 1957, filho de um pedreiro e de uma dona de casa. Estudou em uma escola pública da periferia da cidade, em um ambiente absolutamente repressor, como reporta em entrevista cedida a Odilon Moraes para o livro Traço e Prosa (Ed. Cosac Naify, 2012). Segundo as passagens narradas ali, na porta da escola havia sempre dois policiais que, a pedido das professoras, puniam as crianças que não se comportavam em sala com cassetete ou obrigando-as a fazer exercícios físicos diante dos colegas. Não é de estranhar que Nelson tenha deixado a escola antes mesmo de concluir o Ensino Fundamental. A repressão alimentou a acentuada timidez do menino mineiro, que passou a encontrar no desenho sua melhor forma de expressão. Os traços ele aperfeiçoava a partir da observação de cartuns de Henfil, Ziraldo e Jaguar, estampados nas páginas de O Pasquim – os exemplares eram comprados por um dos irmãos de Nelson e sua mãe os estendia sobre o piso de casa, com o intuito de mantê-lo limpo.

Dos cartuns aos Haicais

Depois de ter se debruçado muito sobre os jornais espalhados no chão de casa, Nelson Cruz se alimentou, na juventude, dos livros de uma biblioteca pública, das aulas de pintura que frequentou por dois anos no ateliê de uma artista mineira e do sonho de ser pintor. Foram esses os elementos que o levaram ao aprimoramento artístico e cultural, e que o introduziram no mercado de ilustração de jornais. A partir do fim dos anos 1980, e aos poucos, a literatura foi ganhando mais espaço em seu dia a dia profissional.

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A ilustradora mineira Marilda Castanha, casada com Nelson há mais de 20 anos, se lembra do dia em que o marido decidiu abrir mão da rotina nos jornais para dedicar mais tempo à literatura infantil. “Ele me disse que reduziria o trabalho no mundo real, para dar mais espaço à poesia. E foi o que aconteceu.” Na opinião de Marilda, essa capacidade que Nelson tem de migrar do real para a poesia, ou para o imaginário, é um dos pontos marcantes de sua criação. Prova disso, como ela observa, é a repercussão do livro Haicais Visuais (Ed. Positivo) que, lançado em 2015, encantou o público, a crítica e os 43 jurados da lista Os 30 Melhores Livros Infantis da CRESCER, que elegeram o autor vencedor do Troféu Monteiro Lobato. Clique aqui para ler mais.

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