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A idade que está na sua identidade não quer dizer nada

Por Maya Santana

Teresa Creusa de Góes Monteiro, autora do livro A Nova Velhice

Teresa Creusa de Góes Monteiro, autora do livro A Nova Velhice

Maria da Luz Miranda, Blog Depois dos 50, O Globo

Tem velho que pode parecer jovem, de tanta vivacidade e destreza que esbanja. Tem jovem que pode parecer velho, de tão apático e indisposto. Para a Organização Mundial de Saúde, quem tem 60 anos é idoso. Há, no entanto, uma nova velhice para ser experimentada. E ela não tem a ver idade cronológica, defende a professora aposentada do departamento de psicologia da PUC-Rio, Teresa Creusa de Góes Monteiro, autora do livro “A nova velhice – uma visão multidisciplinar” (Revinter). Segundo ela, o envelhecimento assume novas conotações e o embate entre a ‘idade da inutilidade’ e a fase do ‘lucro pelos anos a mais’ não se esgota. Abaixo, a também especialista em gerontologia, acena maneiras possíveis de viver bem essa longa fase.

Quem podemos considerar velho atualmente?
As faixas etárias e seus limites antes considerados nítidos – infância, adolescência, idade adulta e velhice estão relativizadas na atualidade. No caso dos velhos, assim estão sendo considerados apenas quando há fragilidade biopsíquica que impede a pessoa manter, em algum nível de qualidade, suas atividades familiares, sociais e laborais.

Livro lançado pela geriatra

Livro lançado pela geriatra

Você pode dar um exemplo?
Uma senhora de 80 anos que faz ginástica, lê, organiza seu orçamento e sua vida familiar pode ser considerada bem mais jovem do que uma de 60 anos que se encontra com demência.

O que mudou na concepção da velhice?
Basicamente, foi o número de pessoas que conseguiram viver mais, isto é, com o aumento da expectativa de vida da população e dos avanços científicos e tecnológicos e a difusão destes conhecimentos, muitos passaram a viver, além de mais, muito melhor.

Até que ponto o gênero é determinante para a forma como envelhecemos?
A fêmea vive mais em todas espécies animais. E este fato ainda não está totalmente esclarecido. No caso dos humanos, podemos acrescentar, além de fatores biológicos e hormonais e etc, o fato de que até uma certa corte geracional as mulheres não se envolviam tanto com estresses externos da luta pela sobrevivência. Além de dedicar mais atenção à própria saúde e manter maior contato com sua emoções e afetos.

O que os velhos mais temem e quais são os principais males para a saúde na atualidade?
Os velhos temem a dependência, ou seja, ficar impedidos de exercer a própria autonomia. O sofrimento pelas possíveis doenças incapacitantes, o abandono, a exclusão social e a solidão, às vezes são até mais temidos do que a morte, ainda que esta seja a grande incógnita da vida. E temem os principais problemas de saúde. No caso da doença física, são as cardiovasculares, as osteoarticulares e o câncer. No caso dos malefícios mentais, a depressão e demência, que tem o alzheimer como sua expressão mais frequente.

O que é preciso fazer e como se organizar para ter uma velhice tranquila?
Não há receitas, mas o fundamental seria cuidar da saúde desde jovem, manter atividade física e intelectual, conhecer os próprios limites e potencialidades, amar e ser amado. E, muito importante, consolidar a espiritualidade, seja a partir de um Deus, uma doutrina religiosa ou um poder maior; seja através da doação de si e de sentimentos como fraternidade, solidariedade, tolerância e esperança.

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