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Morre Muhammad Ali, lenda do boxe. Um homem único

Por Maya Santana

Com Pelé, em encontro histórico

Com Pelé,que se referiu a ele como “meu ídolo”, nas suas declarações de pesar

Mohammad Ali – ou Cassius Clay – não era grande apenas no ringue. Ele próprio é um tipo de herói que não se vê mais. Sobre ele um jornal publicou: “Será difícil encontrar outro personagem com a mistura explosiva de lucidez e arrogância, talento e determinação, força e caráter”, referindo-se à morte precoce desse rebelde inteligente, aos 74 anos, em decorrência de problemas respiratórios, nas primeiras horas deste sábado. Há anos ele lutava contra a doença de Alzheimer.

Leia o artigo do El País:

Único. Entre uma coleção de adjetivos para elogiar ou criticar Muhammad Ali, morto na madrugada deste sábado aos 74 anos, este resume bem sua trajetória. A lenda do boxe Muhammad Ali, ex-campeão dos pesos pesados, foi internado na quinta-feira devido a leves problemas respiratórios. Os sintomas, no entanto, revelaram-se muito mais graves do que o esperado.

Ele foi o pugilista que “dançou” para escapar dos rivais, e o negro preso por não querer ir à guerra em nome dos brancos que oprimiam seu povo. O provocador das frases de efeito, e o muçulmano que não respondia a seu nome de batismo, Cassius Clay, por considerá-lo “nome de escravo”. O único tricampeão do mundo de seu esporte, e o batalhador contra a Doença de Parkinson, que o seguiu por mais de 30 anos e debilitou sua saúde até que complicações por problemas respiratórios o fizeram sucumbir.

Apesar da deterioração de sua saúde, até o final não deixou de participar do debate público. Em dezembro, depois que o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, anunciou seu plano de barrar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, Ali disse: “Nós, como muçulmanos, devemos enfrentar aqueles que querem usar o islã para impor a sua agenda pessoal”.

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Muhammad Ali, o rei do mundo

Ali, cujo nome de batismo é Cassius Clay, nasceu em Louisville (Kentucky) em 1942. Sofreu as humilhações da segregação racial, mas sempre proclamou sua identidade com orgulho. Um atleta loquaz que exibia seu ego sem modéstia: “Sou o melhor! Sou o melhor! Sou o rei do mundo”, disse quando ganhou o campeonato mundial contra Sonny Liston. Um ativista que tinha mais a ver com o estilo desafiador de Malcolm X do que com o ecumenismo de Martin Luther King na defesa dos direitos civis dos negros. Um herói esportivo que se converteu a uma religião estranha para a maioria dos norte-americanos. Descendente de escravos anônimos, escolheu ele mesmo seu nome e religião: influenciado pelos ensinamentos do grupo religioso Nação do Islã, adotou o nome de Muhammad Ali. “Não quero ser o que vocês querem que eu seja”, disse.

E ele não era mesmo. Veja neste vídeo quem era o verdadeiro Mohammad Ali. Genial em sua profunda consciência de si mesmo e da sociedade de seu tempo:

Sua oposição à Guerra do Vietnã não foi apenas retórica: devido à sua recusa ao recrutamento obrigatório, foi condenado a cinco anos de prisão e perdeu o direito de boxear. “O cong [Vietcong, os vietnamitas que lutavam contra os Estados Unidos na guerra] não me chamam ‘nigger’”, disse. Nigger é a palavra mais pejorativa usada para se referir aos afro-americanos nos EUA.

Metade dos EUA o detestava; meio mundo o adorava. Clique aqui para ler mais.

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