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Morre Tunga, primeiro artista contemporâneo a expor no Louvre

Por Maya Santana

O artista, que sofria de câncer, ao lado de uma de suas obras

O artista pernambucano, que sofria de câncer, ao lado de uma de suas obras

Conheci Tunga e seu impactante trabalho em Londres. Como repórter da BBC, fui cobrir uma exposição que ele estava fazendo numa galeria importante da cidade. Era final dos anos de 1980. Ainda jovem naquela época, o artista pernambucano, morto aos 64 anos, já fazia sucesso no exterior. Para dar ideia da importância de Tunga – tem um pavlhão com suas obras em Inhotim, Minas -, ele foi o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra exposta no Museu do Louvre, em Paris.

Leia o artigo do portal G1:

Morreu nesta segunda-feira (6), aos 64 anos, o artista plástico Tunga. Nascido Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, ele estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, desde o dia 12 de maio. Ele lutava contra um câncer.

Nascido em Pernambuco, Tunga escolheu viver no Rio de Janeiro, onde se formou em arquitetura e urbanismo e começou a desenvolver sua carreira artística. Ele era filho do jornalista e poeta Gerardo de Mello Mourão e de Léa de Barros, que foi uma das mulheres que posou para o célebre quadro “As gêmeas” de Guignard.

Ele começou a carreira nas artes plásticas ainda na década de 70, com desenhos e esculturas. Tunga traçava imagens figurativas com temas ousados, como na série de imagens do “Museu da Masturbação Infantil”, de 1974. Ainda na mesma década, ele começou a fazer instalações de diferentes materiais.

Na década de 80, ele montou a instalação “Ao”, em que mostra um filme feito no túnel Dois Irmãos. O trecho se repete, como se a câmera andasse em círculos pelo caminho, não encontrando saída e nem entrada dentro daquela estrutura sem comunicação com o ambiente exterior.

Neste período, o artista plástico também abordou as ciências naturais em seu trabalho, mas também representava a fuga da normalidade. A obra “Les bijoux de Mme. Sade”, de 1983, é um exemplo disso, onde ele construiu um círculo com a forma de um osso.

Ao longo da década de 90, Tunga explorou as relações entre diferentes metais e figuras que fizeram história em sua obra. É o caso de “Lúcido Nigredo”, de 1999.

Considerado um dos maiores nomes da arte contemporânea nacional, ele foi o primeiro a ter uma obra exposta no museu do Louvre em Paris. Tunga também expôs na Bienal de Veneza. Sua obra era carregada de simbolismo, com uso de ossos, crânios, dedais e agulhas. Clique aqui para ler mais.

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