Velho é lindo

Por Maya Santana
Capa do livro que a antropóloga Mirian Goldenberg acaba de lançar

Capa do livro que a antropóloga Mirian Goldenberg acaba de lançar

Este novo livro da antropóloga Mirian Goldenberg, como o próprio título – “Velho é lindo” sugere,tenta mostrar “por a mais b” que o envelhecer, o outono da vida, na linguagem dos poetas, não é uma fase da existência tão tenebrosa como muitas de nós brasileiras somos levadas a acreditar pelo reinante culto da juventude. Há beleza nessa etapa assim como em todos os outros tempos que vivemos desde que chegamos a este misterioso “estado” conhecido como vida. O livro da antropóloga, lançado no Rio em 8 de junho, dá uma visão mais otimista, eu diria, do processo que nos conduz à ponta de cá da vida.

Leia:

A velhice é a melhor fase da vida. Acredite. Não há razões que sustentem o pânico que os brasileiros têm de envelhecer, defende a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade federal do Rio de Janeiro, que há mais de dez anos dedica-se a estudar as representações e os significados do envelhecimento no Brasil, e acaba de lançar o livro “Velho é lindo!”, sobre envelhecer, atualmente, nas grandes cidades.

Quanto mais velhos somos, mais felizes podemos ser. Melhor não duvidar. Quem tem medo dos 50, não sabe de nada e pode estar sofrendo à toa. A velhice está sendo empurrada cada vez mais para adiante e já há uma geração ageless, sem idade, solta por aí, garante Goldenberg, que se debruça agora a entender homens e mulheres acima de 90 anos.

Autora de “A bela velhice”, entre outros estudos, em “Velho é lindo!” Mirian reúne artigos em que, além de identificar sofrimentos e preconceitos que cercam o envelhecimento, sugerem alternativas para a construção de uma velhice menos traumática e menos incapacitante. Abaixo, a organizadora da coletânea explica porque há beleza na imagem acima.

Elogio à velhice

Elogio à velhice

Considerando os aspectos afetivos, sexuais, financeiros, físico e intelectual que envolvem o envelhecimento, em que campos avançamos e a quais ainda precisamos dar atençao e esforço para melhorar?

Acho muito importante mudar as representações/imagens sobre a velhice, ainda muito associadas a perdas, doenças e invisibilidade social. Os velhos de hoje, desde que tenham saúde e dinheiro suficiente, estão vivendo com autonomia e beleza até mais de 90 anos.

Noventa anos?
Estou pesquisando homens e mulheres nessa faixa etária que vivem muito bem, se cuidam, tem amizades e atividades prazerosas. Eles estão ensinando como é possível ter uma vida com projetos e significado nesta fase, derrubando rótulos e preconceitos. São parte de uma geração que está inventando uma nova forma de envelhecer, com liberdade, dignidade e felicidade. São ageless, sem idade, inclassificáveis.

O que mulheres e homens valorizam no processo de envelhecimento? Quem assume e quem se nega a aceitar a passagem do tempo, ou é tudo igual?
As mulheres mais jovens, mesmo as mais bem-sucedidas, valorizam ter um marido, desde que seja fiel, ter uma família. As mais velhas valorizam a liberdade conquistada (tardiamente) e as amizades. Para os homens mais velhos, a família tem um valor maior, é o espaço do cuidado, do afeto, do aconchego. Resumindo, as mulheres mais velhas querem liberdade e amizade, e os homens querem família e cuidado.

Afinal, de onde você tirou que ‘velho é lindo’, se a maioria das pessoas quer distância da velhice?
Dos dados da minha pesquisa com 1700 homens e mulheres moradores do Rio de Janeiro. Eles e principalmente elas me disseram que depois dos 60 anos descobriram a liberdade de serem elas mesmas, de não se preocuparem tanto com a opinião dos outros, o prazer de rir mais de si mesmas e dos outros, o valor do tempo, o foco no cuidado de si mesmas. Muitas dizem “pena que descobri tão tarde que o principal valor não é o corpo ou o marido, mas a liberdade de ser eu mesma!”


CONTEÚDO PUBLICITÁRIO

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





2 Comentários

João Silva 30 de outubro de 2018 - 10:40

Bom querido povo, tenho 63, nao me considero velho ainda, estou com algumas limitações, porem trabalhando e me divertindo, minha esposa e cinco anos mais jovem que eu, porem mesmo com estas ideias, meu sub conciente tem medo da velhice, talvez porque é uma fase da nossa vida que podemos necessitar da ajuda de outras pessoas e isto nos incomoda muito.

Responder
Anny 21 de março de 2017 - 10:51

Tenho 80 anos e nunca me achei tão linda como agora. Tenho uma bela alma que cada dia se torna melhor e gloriosa.Amo de paixão quem ainda não conheço. Choro lágrimas de compaixão e sofrimento com as agruras do mundo.Tenho sonhos dentro de mim que acredito piamente, ainda serão realizados.Tenho a certeza que sou muito amada e querida.Então chego a conclusão que a velhice e mesmo linda!!!!

Responder

Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais