Banheiro acessível e limpo nas drogarias e nas lojas, por favor

Por Maya Santana
“Banheiro só para os funcionários” - é o que se ouve sempre

“Banheiro só para os funcionários” – é o que se ouve sempre

Déa Januzzi

Querido Senhor Modesto Neto,

Hoje, quando completo 64 anos e já faço parte das estatísticas sobre o envelhecimento populacional, gostaria de escrever para o Senhor presidente da Drogaria Araújo, neto do fundador de um negócio que já é sucesso há 110 anos, detentor de 50% do mercado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um negócio e tanto, tão lucrativo que tem um faturamento de bilhões de reais.

Parabéns, Senhor Modesto Neto, mas a minha reivindicação hoje vai além dos lucros, números e cifras. Moradora do Bairro Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, sou beneficiada com duas lojas Araújo, na Rua Professor Estêvão Pinto e na Rua do Ouro. Pois bem. Depois de tomar meus dois remédios para controle da pressão arterial – que eu compro no que considero o “Shopping dos Idosos”, não é Maria Cristina Bahia Vidigal, minha amiga e cúmplice no envelhecer? Pois é: a cada ano, Senhor Modesto Araújo, 650 mil chegam aos 60 anos, tomando algum tipo de medicamento para prevenir os males do envelhecer, que é uma das maiores conquistas do século 20, mas que às vezes se torna um transtorno.

Aí, prezado Senhor Modesto Araújo, eu estava caminhando quando me deu vontade de usar o banheiro, pois certos medicamentos levam à incontinência urinária. Entrei na Drogaria Araújo da Rua do Ouro e pedi para usar o banheiro. A resposta, prezado Senhor Modesto Neto, veio rápida. “Banheiro só para os funcionários”. Muito bem, mas nem em casos excepcionais? Não, mas pergunte à gerente – e lá veio outro não.

Como parte da geração baby boom, que revolucionou costumes e posturas e que está se aposentando em massa, me deu vontade de cometer um ato de rebeldia. Pois digo ao Senhor, Modesto Neto, a minha geração vai revolucionar o jeito de envelhecer. Deu vontade, Prezado Senhor Modesto Neto, de usar o salão da drogaria como banheiro. Ou o Senhor acha que seria uma ousadia ou uma tremenda falta de educação e pudor? Pois se gasto parte importante da minha aposentadoria com remédios comprados na Drogaria Araújo, não teria pelo menos o direito de ter um banheiro para usar quando tiver necessidade, prezado Senhor? Um banheiro limpo e perfumado, nas 160 lojas da Drogaria Araújo? É o mínimo que o Senhor, que também já passou dos 60 anos, poderia fazer por nós que estamos tentando envelhecer com saúde e dignidade.

Para contar, Senhor Modesto Neto, que já passei alguns constrangimentos sérios com minha mãe Amélia que partiu em 2008, aos 91 anos de idade. No banco, na farmácia, nos shoppings, há um complô contra a velhice. Não há banheiros e quando tem, o acesso é quase intransponível. Tem que subir escada rolante, elevador até que não dá mais tempo.

Minha mãe ficou envergonhada várias vezes por não conseguir segurar até chegar ao banheiro, sob o riso e as expressões de nojo de clientes e funcionários. A minha vontade era de brigar, muitas vezes esbravejei. E, hoje, Senhor Modesto Neto, eu é que estou envelhecendo e preciso gritar alto, para que todos ouçam: “Um banheiro acessível e limpo em cada drogaria, em cada shopping, em cada loja, por favor”.

Nós, da geração baby boom, não vamos ficar calados e constrangidos. Tenho amigas que também chegaram aos 60, 65 e 70 e gastam cerca de R$ 2 mil por mês em medicamentos na sua drogaria. A caixa de remédios está repleta, mas precisamos da plenitude do envelhecer. Abraços de Déa Januzzi.

PS: Projeções indicam que dentro de 20 anos o Brasil será a sexta nação mais envelhecida do mundo. É preciso que a sociedade se prepare agora para conviver com um número maior de idosos mais ativos, conscientes ,exigentes e integrados. O desafio está lançado. Ah, esqueci de dizer também que fiz tentativas na Drogaria Pacheco, sem sucesso. Banheiro só para funcionários. É a ordem.


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7 Comentários

MaGrace Simão 11 de julho de 2016 - 16:23

AMIGA QUERIDA, sempre você atuando de forma lúcida e representando também nossa voz. Também tomo remédio para a pressão alta e aí é aquela loucura, atrás de banheiro. E sequer fiz as contas sobre o valor mensal da minha farmácia, só para não ficar maluca. Levei os 15 medicamentos que tomo, muitos para combater os efeitos colaterais do coquetel antiHIV,para perguntar a minha infectologista, de quais eu poderia abrir mão. “Nenhum” foi a resposta dela. E aí fazer o quê? E olha que nem o coquetel está incluido na conta dos 15. Coloco minha voz junto à sua, MaGrace

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Rosa 11 de julho de 2016 - 10:48

Parabéns pela iniciativa !!
Até quando os idosos serão invisíveis ?
Chega de tanta propaganda e palavras vazias ! Queremos respeito e ação , senhoras e senhores !!

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Camila 10 de julho de 2016 - 13:20

Déa, parabéns pela coragem. Por um mundo com mais respeito!

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Leda MAria Soares Cunha Belloleda 10 de julho de 2016 - 13:12

Oi Dea Januzzi,assino a reinvidicacao e realmente considero que somos acipnistas desta caregoria:farmácias e drogarias.Só os medicamentos obrigatorios meus e dE

LE minha mãe custam atualmente$800,00. /mes.$12.600 / anoVamos compartilhar.Sugiro colocar no site RECLAME AQUI.

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Elizete 10 de julho de 2016 - 08:53

Concordo plenamente. Parabéns pela iniciativa!

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Déa Januzzi 9 de julho de 2016 - 21:03

Gostaria de fazer uma campanha por mais banheiros nas farmácias, shoppings e drogarias, com fácil acesso e um pouco de conforto. É preciso lutar por nossos direitos.

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Juçara Costa 12 de julho de 2016 - 22:04

Estou nessa Déa!
Parabéns !
Tenho certeza que a Drogaria Araújo que preserva tanto seus clientes vai fazer parte desta campanha !
Parabéns pela reinvidicaçao e matéria!
Compartilhado!

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