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Aos 53, Debora Bloch é taxativa: “Envelhecer é uma merda”

Por Maya Santana

Para a atriz , envelhecer é cruel para qualquer um

Para a atriz , envelhecer é cruel para qualquer um

Esta entrevista de Debora Bloch a Natália Castro, de O Globo, não gira em torno de seu envelhecimento. A atriz, que completou 53 anos em maio, fala bastante de seu novo papel na minisérie Justiça. Mas deixa escapar seus sentimentos com relação à passagem do tempo:”Envelhecer é cruel para qualquer um”, reflete, acertadamente, a bem sucedida atriz,que, para relaxar, voltou a fazer tricô, arte que aprendeu com uma tia-avó.

Leia:

Há alguns meses, Debora Bloch retomou um hábito antigo. A atriz aprendeu crochê com uma tia-bisavó quando tinha por volta dos 15 anos. Na época, fazia sucesso com seus biquínis feitos à mão. Quando viu a amiga Mariana Lima, com quem trabalha na peça “Os realistas”, tricotando no camarim, foi acometida pela nostalgia. Comprou lãs, linhas e agulhas e, desde então, tem feito bolsas, que até já deu de presente, e uma manta.

— É meio uma meditação, relaxa, dá uma esvaziada. É como quebra-cabeça, algo que exige concentração, foco — explica.

Mais do que um hobbie, a atividade vem sendo uma espécie de subterfúgio. A maneira que ela encontrou para desopilar Elisa, sua personagem na minissérie “Justiça”, formada por histórias independentes que giram em torno de ética e leis, com estreia prevista para mês que vem.

“É LOUCO O QUE SE VIVE AQUI”

Na atração de 20 capítulos, escrita por Manuela Dias, com direção artística de José Luiz Villamarim, Debora é Elisa, mulher que vê a filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa) ser assassinada pelo próprio namorado, Vicente (Jesuíta Barbosa), e não se conforma quando o rapaz é condenado a apenas 7 anos de prisão. Revoltada, resolve fazer justiça com as próprias mãos.

— É um personagem interessante, estimulante. Mas nada fácil. Porque eu tenho que visitar um lugar de muito sofrimento. Dor profunda. Eu sou mãe, e perder um filho é a maior tragédia que pode acontecer a uma mulher, é o pavor de toda mãe. Se é difícil até de pensar, imagina conviver com esse sentimento? Estou feliz em fazê-lo, mas não é fácil carregar isso diariamente. Quando chego em casa, parece que levei uma surra — conta.

Por mais pesado que seja, a atriz defende que o tema seja discutido na TV:

— Claro que as pessoas saírem fazendo justiça com as próprias mãos é a barbárie, o fim da civilização. Mas a gente vive num país de muita impunidade. A lei nem sempre faz o que é justo, e é essa a questão da Elisa. No caso dela, o assassino até vai preso, mas a irmã da minha faxineira viu o filho ser morto por ter entrado numa cachoeira em área dominada pela facção rival e pronto. É tão louco isso que a gente vive aqui, no Rio e no Brasil…

Debora está envolvida com a personagem desde abril, quando começaram os ensaios. Ao mesmo tempo estava em turnê com “Os realistas”, peça do americano Will Eno, dirigida por Guilherme Webber, que estreou por aqui no início do ano, seguiu para São Paulo e voltou ontem ao Rio, onde segue em cartaz na Maison de France por um período de dois meses. Na peça, Debora, Emílio de Mello, Mariana e Fernando Eiras vivem dois casais confrontados com dramas existenciais que vão de suas inadequações ao medo da morte iminente. O aniversário de 53 anos, em 29 de maio, Debora passou no palco. No dia seguinte, já estava num avião a caminho do Recife, para gravar a minissérie.

— Quando fui convidada para “Justiça”, eu já tinha marcado a temporada da peça. Durante cinco semanas, gravei no Recife, indo para São Paulo nos fins de semana. Até adiei a turnê para setembro, mas essa nova temporada do Rio já estava certa, não tinha jeito — diz ela.

“ENVELHECER É UMA MERDA”

Ciente de que “a câmera ama a juventude”, Debora diz que as experiências contam a favor e que não seria capaz de viver Elisa há 30 anos:

— Ela existe da minha vivência. Do que li, do que vivi, do que troquei. Isso é uma beleza. Fora isso, envelhecer é uma merda — desabafa, bem-humorada. — A (escritora) Susan Sontag (1933-2004) dizia que “por dentro você não se sente envelhecendo, mas por fora você está”. Envelhecer é cruel para qualquer um. E nós, atores, estamos expostos. Eu trabalho desde os 17 anos, não ligo para notícias de internet. Ligo para o que os meus amigos falam, e me cobro. Ficar se vendo não é fácil. Mas o ator não pode pirar nessa, porque é uma viagem sem volta. Meu medo mesmo é com relação à saúde.

E o que acha quando se olha no espelho?

— Eu não me acho exatamente bonita. Tenho um charme, mas nunca me achei. Com relação à idade, acho que poderia estar melhor (risos). (Leia a entrevista completa clicando aqui.

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1 Comentários

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Nicia 20 de julho de 2016 - 09:05

É o que sofremos diariamente! Gostei muito da entrevista.

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