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Aposentadoria: entenda melhor o que é o fator previdenciário

Por Maya Santana

A boa prática previdenciária é uma combinação de tempo de contribuição e idade além, é claro, do valor poupado a cada mês para poder usufruir de um benefício na velhice

A boa prática previdenciária é uma combinação de tempo de contribuição e idade além, é claro, do valor poupado a cada mês para poder usufruir de um benefício na velhice

Vânia Cristino

Você, com certeza, já ouviu falar no fator previdenciário, a fórmula de cálculo do valor da aposentadoria que “come” parte substancial do benefício. Algum amigo ou familiar deve ter te relatado o problema e você, como qualquer outro brasileiro, formou a sua opinião a respeito. O fator tem que acabar porque ele prejudica os trabalhadores justo na hora em que eles mais precisam. Certo?

Sinto informá-lo, mas você, assim como a maioria da população, está errado. O fator envolve uma fórmula de cálculo complicada, que leva em conta a idade do futuro beneficiário na hora em que ele vai solicitar a aposentadoria, seu período contributivo e os anos de sobrevida e isso em muito contribuiu para a sua não compreensão além, é claro, o próprio governo que, como sempre, não soube “vender” nem defender a lei.

O fator previdenciário nada mais é do que uma taxa de desconto que é previsto e existe em qualquer sistema de previdência do mundo. A boa prática previdenciária é uma combinação de tempo de contribuição e idade além, é claro, do valor poupado a cada mês para poder usufruir de um benefício na velhice.

Fator-Previdenciário

Com maior ou menor grau de complexidade, a maioria dos países do mundo permite a aposentadoria antecipada – que acontece alguns anos antes do trabalhador alcançar os requisitos plenos para poder pleitear o benefício – e, para isso, cobra-se uma taxa de desconto.

É o que o nosso fator previdenciário faz. Se você se aposenta numa idade em que o fator corresponde ao número um – geralmente em torno dos 62 anos — não há nenhum desconto do valor da aposentadoria. Esse desconto existe nos casos da aposentadoria antecipada, ou seja, com idade em torno dos 52 anos para a mulher e 55 anos para o homem. Convenhamos: é uma idade muito cedo para pendurar as chuteiras num momento em que a população como um todo está vivendo mais, bem mais que nossos pais e avós.

Justamente porque é muito cedo, praticamente ninguém que se aposenta com essa idade deixa de trabalhar. A aposentadoria, na maioria desses casos, é usada como um complemento de salário. O problema só aparece quando, de fato, a pessoa pára de trabalhar e tem que viver com o valor da aposentadoria que foi baixo não porque o fator “comeu” parte do benefício mas porque ela se aposentou cedo.

Vamos fazer uma conta simples para ficar mais claro. Vamos supor que um amigo seu solicitou a aposentadoria aos 55 anos de idade e obteve um benefício de R$ 2 mil. Outro amigo só pediu a aposentadoria aos 65 anos e o valor do benefício chegou a R$ 4 mil. Vamos supor também que esses dois amigos vão morrer aos 75 anos. O que se aposentou com R$ 2 mil foi prejudicado? Claro que não. Ele viveu o dobro de tempo – 20 anos – que o outro e recebeu, no final das contas, o mesmo valor global de aposentadoria.

Leia tambem:
Como viver o tempo cada vez mais longo da pós-aposentadoria

Lembre-se: A aposentadoria é um ato voluntário. Ninguém está obrigando-o a dar entrada no benefício. Uma vez completados os requisitos que, no momento, antes da reforma que está sendo desenhada pelo governo, se resumem ao tempo de contribuição de 30 anos para a mulher e 35 anos para o homem – qualquer um pode solicitar a aposentadoria quando quiser.

Ah, e ninguém que já preencheu os requisitos precisa correr para pedir a aposentadoria com medo da reforma. A justiça reconhece que também tem direito adquirido aquele que já completou os requisitos para o acesso ao benefício, independentemente de já estar em gozo ou não da aposentadoria.

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3 Comentários

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Suricato 29 de outubro de 2016 - 10:25

Aos 65 anos de missão cumprida, um amigo inocente e ingênuo me pergunta : “você está parado?”. Depois que dei a resposta, anotei-a, porquanto não originou em mim, desembarcou em mim e minha realidade sagrada e emprestada pronunciou: “esta é uma pergunta clássica de quem é escravo do trabalho”…

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Suricato 29 de outubro de 2016 - 10:17

“Você não pensa em ir à Europa?”. Respondi : esta é uma pergunta clássica originada num compêndio chamado Mito Europa…

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Suricato 29 de outubro de 2016 - 10:13

Iluminado encerrei minhas atividades no topo da curva de gauss com a sincronização providencial de idade e paiol abastecido. Hoje percebo que muitos de meus contemporâneos continuam ganhando o mundo…e perdendo suas vidas…

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