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Mulheres que fazem do bordar uma arte de primeira grandeza

Por Maya Santana

Bordadeiras trabalham no ateliê Maria

Bordadeiras trabalham no ateliê Maria Arte e Ofício

Gustavo Werneck, Estado de Minas

Tudo começa com o desejo, depois segue na linha, guiada pela agulha sobre o tecido, até chegar ao destino: a colcha, a tolha de mesa ou, quem sabe, um pano de prato. A história de Minas vem sendo bordada séculos a fio pelas mãos femininas, marcada pela criatividade dos riscos e preservada, por muitos, como requintada obra de arte.

“Bordado deve ser escrito com letra maiúscula e sempre visto como patrimônio imaterial, pois é a cultura do saber e do fazer”, ressalta Maria do Carmo Guimarães Pereira, fundadora e diretora do Maria Arte e Ofício, em Belo Horizonte, espaço de referência e de ensino da atividade que remonta, no país, aos tempos coloniais. Lutando pela instalação de um memorial, a fim de expor o fruto de doações e aquisições guardado em mais de 20 malas e baús, ao lado de moldes centenários, ela promove encontros para falar do tema que a apaixona e se mantém cada vez mais vivo entre as alunas do curso de bordadeira oferecido no Bairro Carmo, na Região Centro-Sul.

Maria do Carmo Guimarães Pereira

Maria do Carmo Guimarães Pereira

Ver o ouro puro saindo das caixas, na forma de camisolas enfeitadas com renda francesa, fronhas de linho bordadas com linha de seda ou colchas trabalhadas em ponto paris se torna uma deliciosa viagem no tempo e nos costumes. “O bordado a mão tem aura, sensibilidade especial”, afirma Maria do Carmo, que promoverá, no próximo dia 3, o encontro “Bordando no Jardim de Maria”, oportunidade para contar histórias – o tema central será “Bordado de Viana do Castelo, de Portugal” –, ouvir palestras e praticar. “Será um dia para bordarmos palavras e emoções”, afirma a também presidente da Associação pela Preservação da Arte do Bordado (Apab). Já no dia 18, será a vez de todos os cômodos da sede, localizada no número 47 da Rua Caldas, se transformarem em grande exposição.

CONTOS DE ARTE Cada peça acondicionada nas malas e baús tem uma história e se apresenta como recorte de épocas. “Veja esta camisola doada por uma senhora de 92 anos. Ela me entregou, contou que foi usada na sua noite de núpcias, mas pediu que não pusesse seu nome na exposição, pois se referia a um momento muito íntimo”, diz Maria Aparecida para dar a noção das mudanças de comportamento. Envolvida no ofício há mais de 40 anos, ela conta que a arte do bordado, que em Minas encontrou solo fértil e dedos talentosos, sofreu duros revezes: o primeiro, com a introdução no Brasil da cultura norte-americana, na década de 1960, responsável por tirar das bancas as revistas europeias e inundar o mercado de publicações institucionalizando o ponto de cruz. Agora, há a invasão chinesa, japonesa e outras via internet.

“Até meados do século passado, o bordado era ensinado nas escolas, tinha nota na caderneta, assim como o canto orfeônico”, diz Maria do Carmo, que, no seu espaço, prima por preservar o conhecimento, estendendo essa missão à iniciação das crianças. “Não é difícil aprender a bordar. O primeiro passo é ter o desejo, depois basta enfiar a linha na agulha”, revela, com a experiência de quem entende do riscado. “Não podemos perder nossas referências, por isso o memorial é de suma importância.

A advogada Regina Massara bordando a Pampulha, em BH

A advogada Regina Massara bordando a Pampulha, em BH

O estado sempre teve bordados de qualidade, mantendo neles a religiosidade, o capricho e o requinte.” Se em priscas eras a atividade prendeu as mulheres em casa, atualmente adquire outros contornos. “Hoje, quem borda é revolucionária. Trata-se de um ofício que se reverencia, traz a linha até o peito”, compara. E ainda tem um caráter terapêutico, pois proporciona o relaxamento nas horas de aprendizagem ou produção. Além desse aspecto, as alunas fazem pesquisas, de forma a deixar para futuras gerações todas as informações sobre o ofício. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Antonio f reis 14 de fevereiro de 2017 - 13:45

Que legal!!! Juntando o talento com a arte e terapia ,e o importante é que fica lindo…….

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