fbpx

Reservada, de estilo modesto, ela é a nova presidente do Supremo

Por Maya Santana

"Não gosto muito de festas, de nada disso. Eu gosto de processo"

“Não gosto muito de festas, de nada disso. Eu gosto de processo”

O Brasil terá a partir de hoje uma mulher na função de presidente do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de justiça do país: Cármen Lúcia, 62 anos, uma das ministras mais respeitadas do supremo, onde atua há 10 anos, é mineira, de Montes Claros. Fazendo jus ao seu estilo reservado, modesto – costuma preparar as próprias refeições e cuidar da casa, além de dirigir o próprio carro para ir ao STF-, ela não aceitou festa na sua posse, como manda a tradição. O motivo alegado pela ministra é a crise econômica que o Brasil atravessa. Achei sensato, mesmo sabendo que a festa não seria paga com dinheiro público. Aparentemente, a Associação de Magistrados bancaria tudo.Admiro muito Cármen Lúcia e concordo com a maior parte de suas posições. Por isso, acredito que o STF -e o Brasl também – vai ganhar tendo uma pessoa como ela na sua presidência nos próximos dois anos.

Leia outros dados da biografia da nova presidente do Supremo Tribunal Federal:

Nascida em 19 de abril de 1954 em Montes Claros (MG), Cármen Lúcia Antunes Rocha viveu a infância em Espinosa, cidade de 32 mil habitantes localizada no extremo norte de Minas, quase na divisa com Bahia.

Tem duas irmãs e três irmãos. Aos 10 anos, mudou-se para Belo Horizonte para estudar num internato de freiras. Professa a religião católica e nunca se casou nem teve filhos.

A ministra costuma preparar as próprias refeições e cuidar da casa, além de dirigir o próprio carro para ir ao STF, dispensando motorista e carro oficial.

O estilo modesto e contido ficou explícito no último dia 6, quando se despediu dos colegas da Segunda Turma do STF: “Eu não tenho a mesma, digamos, tranquilidade para algumas funções do cargo de ministro do Supremo, porque

“, disse, acrescentando que é “muito feliz” e se diverte nas sessões.

Formada em direito, em 1977, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), começou a carreira jurídica como advogada, mas, antes de chegar ao Supremo, foi procuradora do estado de Minas.

Cármen Lúcia é mestre em direito constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em direito empresarial pela Fundação Dom Cabral. Ela é autora de sete livros focados, sobretudo, em direito de Estado e administração pública.

Posições
Cármen Lúcia se destaca pela fala firme, pausada e didática durante os julgamentos. Assim como o colega Luís Roberto Barroso, gosta de esclarecer e resumir, de forma simples em seu voto no plenário, decisões técnicas e complexas que estão sendo tomadas pela Corte.

A ministra também chama a atenção por frases impactantes ao expressar suas posições, sobretudo em casos polêmicos. Uma das últimas foi dita quando defendeu o fim da necessidade de autorização prévia para publicação de biografias:

“Na ciranda de roda da minha infância, alguém ficava no centro gritando ‘cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu’. O tempo ensinou-me que era só uma musiquinha, não uma realidade. Tentar calar o outro é uma constante, mas na vida aprendi que quem por direito não é senhor de seu dizer, não se pode dizer senhor de qualquer direito”.

Em outro julgamento recente, votou para suspender a lei que autorizou pacientes com câncer a fazer uso da fosfoetanolamina sintética, a chamada “pílula do câncer”. Justificou que faltavam estudos para demonstrar a eficácia ou mesmo efeitos adversos do medicamento. Antes, porém, ponderou sobre o sofrimento dos pacientes:

“A dor tem pressa, o desengano impõe uma demanda urgente, leva até o desespero. Quando a pessoa está no desengano, ela busca qualquer coisa, eu também buscaria […] O câncer tem um peso pelo nome, a palavra é tão pesada, tão estigmatizada, que por ela já leva ao desengano, e leva ao sofrimento não só uma pessoa, às vezes muito mais quem está perto e que queria se colocar no lugar do outro e não pode. E a vida não é assim”.

Houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou num mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece-se constatar que o escárnio venceu o cinismo”

Ao julgar casos de corrupção, a ministra foi dura nas palavras. Quando votou a favor da prisão do senador cassado Delcídio do Amaral, gravado tentando obstruir a Operação Lava Jato, fez uma leitura crítica da trajetória do PT no poder:

“Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou num mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece-se constatar que o escárnio venceu o cinismo”.

Quando julgou o mensalão, Cármen Lúciarepreendeu a própria defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT que tentava atribuir repasses a políticos somente como caixa dois (doação não declarada de campanha) e não como compra de apoio parlamentar:

“Acho estranho e muito, muito grave, que alguém diga, ‘houve caixa 2’. Caixa 2 é crime, é agressão contra a sociedade brasileira. Mesmo que tivesse sido isso, não é pouco. Me parece grave, porque parece que ilícito no Brasil pode ser realizado e tudo bem”.

 

 

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais