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Suicídio: quando falar é a melhor solução

Por Maya Santana

O atorgrande  Walmor Chagas se suicidou com um tiro aos 82 anos de idade

O atorgrande Walmor Chagas se suicidou com um tiro aos 82 anos de idade

Maya Santana

Esta manhã, tomei o maior susto. Preparava-me para ir ao dentista, quando uma das minhas seis irmãs ligou para contar que a filha de uma de nossas amigas havia se atirado do 12º andar do prédio onde morava. A jovem tinha apenas 22 anos. Fiquei em estado de choque. Suicídio é algo que sempre me intrigou muito. Cresci ouvindo a minha mãe contar a história da irmã mais nova dela, Cecília, que brigou com o namorado e, em desespero, bebeu formicida, na época um veneno usado para matar formiga. Ela sofreu muito para morrer. Embora fosse muito criança, o trágico destino dessa tia teve profundo impacto sobre mim.

Suicídio é algo muito mais comum do que a gente pensa. Mesmo morrendo uma média de 40 pessoas todos os dias no Brasil, segundo dados oficiais, – sem mencionar as muitas tentativas mal sucedidas de acabar com a vida -, o assunto continua sendo um tabu, desses difíceis de romper. Nenhum meio de comunicação fala sobre suicídio. É como se houvesse um pacto geral para não tocar nesse “ tema proibido”.

Na campanha que está fazendo ao longo deste mês, com o nome de Setembro Amarelo, chamando a atenção da população para o suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) adotou como lema “Falar é a melhor solução.” – ” (O suicídio) Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas”, diz o CVV.

Em muito casos, o suicídio pode ser evitado, como explica Dr. Neury Botega, professor UNICAMP, estudioso do assunto:


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Agora, leia a crônica “Vamos falar de suicídio”, que a jornalista Christiane Segatto publicou recentemente na revista Época:

Não virei a página do jornal de hoje quando passei pelo artigo da jornalista Paula Fontenelle, na Folha de S.Paulo. Desviar os olhos do texto sobre suicídio poderia ter sido um gesto automático para quem ainda mastigava o café da manhã. Reconheço que o tema é indigesto, mas ignorá-lo não o tira da sala.

Em períodos de crise econômica, o número de suicídios tende a crescer. Não duvido que recentemente você tenha recebido a notícia da perda de uma pessoa próxima. Aconteceu comigo. No ano passado, um vizinho e duas colegas se foram.

Duas jornalistas com quem, anos antes da tragédia, tive o prazer de trabalhar. Uma se foi depois dos 50 anos. Outra, pouco além dos 30. A mais jovem havia retornado ao Brasil depois de concluir um concorrido mestrado nos Estados Unidos.

Minha primeira reação, após o choque, foi procurar respostas. Uma busca tola. Corri ao Facebook para reler comentários e trocas de mensagens. Como não percebemos indícios de que o sofrimento era tão profundo? Poderíamos ter feito alguma coisa? Onde erramos tão absurdamente?

Se existia um traço comum nas últimas postagens dessas duas mulheres que não se conheciam era o profundo desencanto com o estado geral das coisas. Elas compartilhavam o peso da perda das ilusões políticas e da falta de perspectivas num mercado profissional em frangalhos. Um sentimento comum a tantos brasileiros neste momento.

>> O desespero de quem perde o plano de saúde

A causa foi essa? Especular seria inútil. Julgar é desumano. Embora a relação entre suicídio e transtornos mentais (depressão, abuso de álcool, entre outros) esteja comprovada, muitos dos casos ocorrem impulsivamente em momentos de crise.

As pessoas tiram a própria vida quando perdem a habilidade de lidar com fatores altamente estressantes. A origem da dor (problemas financeiros, emocionais, violência, discriminação etc) e a capacidade de suportá-la variam. São as sutilezas de cada história.

A soma dessas sutilezas faz do suicídio a segunda causa de morte na faixa etária dos 15 aos 29 anos. São mortes evitáveis. Dia 10, foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. “Conectar. Comunicar. Cuidar” é o lema da campanha da Organização Mundial da Saúde.

Conectar, comunicar e cuidar é o que podemos fazer para evitar perdas que deixam, atrás de si, feridas abertas para sempre.

A jornalista Paula Fontenelle, autora do livro Suicídio: o futuro interrompido (Geração Editorial) dedicou-se a estudar o tema depois de perder o pai. É dela a melhor das recomendações:
“Se achar que existe alguém vulnerável próximo a você, faça duas perguntas simples: Onde dói? O que posso fazer para ajudá-lo?”

De coração aberto, sem julgamento.

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4 Comentários

MARINEZ MARAVALHAS 15 de setembro de 2016 - 19:28

Emocionei-me demais lendo tudo isso. Também tive pessoa muito próxima que cometeu suicídio. Embora ache que as pessoas tem o direito de decidir sobre sua própria vida, na grande maioria das vezes estão sob grande pressão de natureza variada. Assim sendo, esse futuro pode deixar de ser interrompido, evitando-se enormes sofrimentos para muitas pessoas.
Parabéns pela bela iniciativa.

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Zênite 15 de setembro de 2016 - 13:51

Estou morta perd meu filho suicidou aós 24 anos acabou minha. Vida minha vontade é morte Meu único filho sem vícios Engenheiro cívil do nada se foi e eu e meu marido ficamos. na dor nem quero mais. falar é só dor

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Sonia Regina 15 de setembro de 2016 - 13:18

Sim eu já pensei, nao sáo uma vez,mas pensei sim, por varios motivos, emocionais,principalmente,solidão,tristeza interna, hoje caminho um dia apos o outro tentando não pensar muito,

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Cristina Masi 15 de setembro de 2016 - 07:42

Muito importante tudo isso………..

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