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Casais sem filho e idosos sozinhos são 42% dos lares na 3ª idade

Por Maya Santana

Com amigos. Marli Pereira, de 70 anos, é aposentada e divide uma casa com amigos

Com amigos. Marli Pereira, de 70 anos, é aposentada e divide uma casa com amigos

Maya Santana, 50emais

Você já parou para pensar em quem vai cuidar de você na velhice, quando não puder mais fazer as próprias compras e nem ir ao banco? Um novo livro que acaba de ser divulgado mostra as profundas mudanças pelas quais passou e está passando a família brasileira, de tal forma que é cada vez menor o número de pessoas entre os familiares para cuidar dos mais velhos. E cresce também o número de idosos – pessoas com mais de 60 anos – que vivem sozinhos, principalmente mulheres. Aos 65 anos, eu penso em quem vai cuidar de mim, quando a velhice se instalar. Como tenho muitos irmãos, espero continuar envelhecendo com eles por perto, uns ajudando os outros. Mas o cenário no Brasil não é esse, como mostra o artigo de Cássia Almeida, de O Globo.

Leia:

A família brasileira mudou nas últimas três décadas: ficou menor, mais diversa e com mais idosos sozinhos. O livro “Politica Nacional do Idoso, velhas e novas questões”, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, em 42,1% dos lares com idosos, eles vivem sozinhos ou são casais sem filhos, diz a economista Ana Amélia Camarano, uma das organizadoras da obra e especialista no estudo da terceira idade. Essa proporção era bem menor há 31 anos: eram 25,9% em 1983. E a mulher sozinha predomina nos arranjos familiares. A explicação está na expectativa de vida maior da mulher. Em 2014, era de 78,8 anos, sete anos e dois meses mais que os homens. A esperança de vida masculina é de 71,6 anos.

— O arranjo familiar mais frequente nos lares onde há idosos é o da mãe sozinha com filhos e o da mulher sozinha. Representam 36% dos arranjos. Os casais com filhos, que respondiam por 43,7% do total em 1980, caíram para 25,5 em 2014 — afirma Ana Amélia.

Segundo a economista, essa mudança na composição familiar reduz o leque de cuidadores para idosos mais frágeis, mais velhos.

Pesa ainda o fato de a oferta de lares para idosos ser baixa. São 3.548 instituições, cobrindo 28,9% das cidades brasileiras. E a maior parte, 64,2%, é de entidades privadas sem fins lucrativos. As públicas respondem por 6,6% e seriam destinadas aos idosos sem parentes. O Estatuto do Idoso determina que a família é responsável por cuidar dos idosos e criminaliza os cuidadores familiares que não cumprem esse papel.

— Idoso sofre discriminação, violência emocional, física, psicológica. Não ter uma política de cuidados resulta em violência. Não se considera o estresse do cuidador familiar, que é responsável 365 dias por ano, sem qualquer ajuda. Isso pode levar à violência causada pelo estresse do cuidador — diz Ana Amélia.

MAIS DESIGUALDADE NA VELHICE

A economista cita o exemplo de países como Japão, Alemanha e Inglaterra, que têm a chamada política do respiro. O governo manda um cuidador para a casa do idoso, com objetivo de liberar um pouco a família:

— Divide a responsabilidade com o mercado privado.

O idoso quando não é chefe de família ou cônjuge é o que fica mais exposto ao que os pesquisadores chamam de violência estrutural. E a desigualdade é maior nessa faixa etária, diz Ana Amélia no livro.

— Há uma heterogeneidade muito grande entre os idosos. Há os mais ativos, que ainda participam do mercado de trabalho, e os mais frágeis, acamados. A sociedade brasileira é muito desigual, e isso se intensifica na velhice. Nascem em berços diferentes, têm trajetórias de vida diferentes, envelhecem de forma diferente também — explica.

Marli Rosa Pereira, de 70 anos, conseguiu se aposentar aos 65 anos. Vive com três amigos, depois que o irmão a expulsou de casa quando a mãe morreu.

— Ele me expulsou, me bateu. Vivi de casa em casa de amigos, até encontrar esse lugar. Fiz queixa na delegacia, mas depois desisti. Fiquei com medo — conta Marli.

PRODUÇÃO CULTURAL E TURISMO

O psicólogo e consultor em planejamento, acompanhamento e avaliação de programas de preparação para a aposentadoria José Carlos Ferrigno lembra do papel de transmissor cultural do idoso:

Ferrigno usa as escolas de samba e as manifestações religiosas como exemplo, onde os mais velhos trabalham firmemente na produção e com informações para os mais jovens:

— As velhas cabrochas, as baianas, os compositores, diretores de bateria, são, geralmente, mais velhos e representam um exemplo para as novas gerações.

E há um mercado a explorar, principalmente no turismo, aponta Ferrigno. No programa Viaja Mais Melhor Idade, do Ministério do Turismo, foram vendidos, entre agosto e dezembro de 2007, nove mil pacotes e, ao longo de 2008, cerca de 200 mil.

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1 Comentários

Casais sem filho e idosos sozinhos são 42% dos lares na 3ª idade | JETSS – SITES & BLOGS 24 de outubro de 2016 - 18:22

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