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Não é necessário esperar a velhice para ser você mesma

Por Maya Santana

Antropóloga Mirian Goldenberg, 59

A antropóloga e escritora paulista Mirian Goldenberg, 59

Maya Santana, 50emais

Esta crônica da antropóloga Mirian Goldenberg, uma estudiosa da velhice, autora de vários livros sobre o tema, fala de uma atitude muito comum nas pessoas: a de adiar um desejo, seja ele qual for, esperando que o tempo passe e que a chegada da idade ajude a concretizá-lo. O que a antropóloga chama a atenção é que muitas vezes esse desejo – voltar a estudar, viajar, fazer intercâmbio, etc – pode ser realizado em qualquer etapa da vida. A espera não se justifica. Qualquer hora é hora se ser você mesma.

Leia a crônica, publicada originalmente na Folha de São Paulo:

Muitos acreditam que só mais velhos irão conquistar a liberdade e a sabedoria para aproveitar melhor o tempo e, assim, parar de tentar responder desesperadamente às expectativas e demandas dos outros.

Perguntei a homens e mulheres de 40 a 65 anos: “O que você quer ser e fazer quando envelhecer?”.

As respostas mais frequentes foram:

1. Ter mais tempo para cuidar de mim mesmo e fazer as coisas que eu gosto;
2. Voltar a estudar (inglês, francês, filosofia, psicologia, história…);
3. Aprender uma coisa nova (tocar um instrumento, fotografar, surfar, dançar…);
4. Fazer coisas que sempre quis fazer, mas nunca tive coragem (escrever um livro, pintar um quadro, cantar…);
5. Viajar e sair mais com os amigos;
6. Curtir mais o marido, esposa, namorado, namorada, filhos, netos;
7. Caminhar, nadar, fazer ginástica e ir à praia todos os dias;
8. Ler muito mais e ir mais vezes ao cinema, teatro e shows;
9. Reformar e decorar a casa;
10. Simplificar a vida (guardar só o que uso, preciso e gosto).

É fácil perceber que eles desejam coisas que poderiam ter em qualquer fase da vida. Por que então esperar envelhecer?

Eles disseram que só mais velhos terão mais tempo e liberdade para fazer o que realmente gostam e querem.

Uma professora de 63 anos disse: “Tenho uma certa urgência de aproveitar o tempo da melhor forma possível. Não deixo mais para amanhã o que quero fazer hoje. Sei que a vida é muito curta, o tempo passa muito rápido. Não quero desperdiçar o meu tempo ou simplesmente deixar o tempo passar. O tempo para cuidar de mim passou a ser uma prioridade e, para isso, precisei me libertar e me desapegar de muitas coisas, pessoas e obrigações”.

Ela disse que somente “depois de velha” descobriu como ser mais verdadeira, livre e feliz.

“Depois dos 60 anos passei a ter a coragem de ser eu mesma, de fazer o que eu tenho vontade de fazer. Me arrependo profundamente de não ter começado a minha libertação mais cedo. Perdi muito tempo da minha vida tentando agradar e cuidar de todo mundo e me esqueci de mim mesma”.

Muitos acreditam que só mais velhos irão conquistar a liberdade e a sabedoria para aproveitar melhor o tempo e, assim, parar de tentar responder desesperadamente às expectativas e demandas dos outros.

Aprendi com meus pesquisados a me fazer duas perguntas fundamentais:

O que eu quero ser e fazer quando envelhecer? Por que não posso ser mais livre para “ser eu mesma” desde agora?

Mirian Goldenberg – É antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora de ‘Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade’.
Fonte: Folha de S. Paulo
Edição: F.C.

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2 Comentários

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Maria 6 de dezembro de 2016 - 20:37

Boa noite.Esse texto parece comigo a beira de fazer 50 anos.Me deparo com uma tristeza pois o tempo passou não tenho filhos ,nem marido há pouco tempo perdi minha mãe câncer colo de útero.Moro com o meu pai. Faço faculdade de serviço social.Tem horas que penso em mudar para psicologia.Sou tec. de Enfermagem.E posso falar uma coisa conheço e tento conhecer pessoas para um relacionamento.Quando falo que uso prótese saem correndo é toda uma mistura,meu rosto cheio de manchas e sempre cabelos amarrados.Cuidei,trabalhei e me abandonei.De vez enquando até saio,mas cansei das pessoas dizerem e você está sozinha no mundo e você não tem marido,nao tem filho.Isso é muito ruim.Vou caminhando as vezes pergunto a mim mesma o que faço na terra,pra que trabalho é.para que estudo? E é assim que vou caminhando.Cuidei e me abandonei sem perceber.Agora só.Vou seguindo a estrada da vida.Apesar desse resumo que fiz uma coisa digo.Nunca deixei de sorrir e no meu trabalho faço todos rirem.Gosto da alegria e sou alegre e é Deus é a alegria que me sustenta.Sei que tenho que mudar.

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