fbpx

Saudade de quem já se foi aumenta no fechar do ano

Por Maya Santana

Apesar de ser finito, grande parte dos seres humanos não consegue conversar, discutir e pensar sobre esse seu limite

Apesar de ser finito, grande parte dos seres humanos não consegue conversar, discutir e pensar sobre esse seu limite

Maya Santana, 50emais

Um artigo oportuno esse de Lilian Monteiro para o portal Uai sobre sentimentos que afloram nessa época do ano, quando se tem a sensação que um ciclo se encerra e tendemos a fazer um balanço. Terminou mais um ano. Impossível não sentir saudade, muita saudade, das pessoas que amamos e já se foram, não estão mais no nosso convívio. No artigo, a jornalismo fala de como lidar com essa dor.

Leia:

“O que é a vida?” Essa indagação, feita pelo premiado diretor de teatro, ator e apresentador Antônio Abujamra no talk show Provocações, da TV Cultura, por 15 anos, é das mais inquietantes. Dos seus entrevistados, ele, que morreu de infarto em 2015, aos 82 anos, recebeu respostas de todos os tipos. A dele, revelada por seu filho, o músico André Abujamra, em um aniversário do programa, era “a vida é uma causa perdida”.

A única certeza da vida é a morte. E que ela tem começo, meio e fim. É como se a vida fosse uma fantasia e a morte a realidade. Mesmo assim, com toda a sabedoria e racionalidade, encarar o luto é uma imensa barreira. Há quem lide com a perda de maneira mais consciente, mas há quem sofra.

Especialistas da alma dizem que o ser humano precisa ter espaço na vida para o luto, que é um direito ter o tempo de vivenciá-lo. Mas, na realidade, esse é um assunto tabu, pouco falado, e que, na maioria das vezes, causa incômodo, inquietação e barreiras na hora do diálogo. Difícil de falar, difícil de ouvir.

Cada um vive o luto de uma maneira. Não há receita, não há antídoto, não há escapatória. Por mais duro que seja, ele é um processo em que o enlutado tem a chance de criar nova história, de redescoberta. Mesmo que seja essencialmente solitário, o momento de dor é de evolução e a maior oportunidade de lidar com seus sentimentos.

Não se fala da morte abertamente. Apesar de ser finito, grande parte dos seres humanos não consegue conversar, discutir e pensar sobre esse seu limite. Mesmo fazendo parte da vida. Médicos, psicólogos, psiquiatras e quem tem essa clareza dizem que falar faz bem. Mas essa é uma construção e uma descoberta individual.

SAUDADE – A morte deixa saudade. Ela pode até se transformar, mas será sempre presente. Quem fica tem de aprender a viver uma nova vida com as ausências. Vazios que são físicos, mas que podem (com a evolução de cada um) ser preenchidos com boas lembranças e carinho. Às vezes, o choro, o aperto no peito e a angústia virão… E vão embora.

No fim do ano, quando as pessoas se reúnem e freiam o corre-corre da vida, as emoções se afloram e nos encontros das famílias e amigos quem se foi é lembrado. É natural e o importante é que os pensamentos sejam elevados, que façam bem, que de alguma maneira confortem. Especialmente este 2016, marcado pela tragédia com o voo da delegação da Chapecoense, com 71 mortos, quando iam disputar o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, em Medellín, na Colômbia, a fatalidade (ou o destino) se impõe e provoca um luto coletivo, uma dor com alcance além fronteiras, com e sem laços de sangue. Como superá-lo?

Fases do luto
A psiquiatra suíça Elizabeth Kübler Ross, no seu livro ‘On death and dying’, publicado em 1969, elaborou cinco estágios pelos quais as pessoas passam ao encarar a perda, o luto e a tragédia. São eles:

1) Negação: “Isto não pode estar ocorrendo”. Recurso para afastar a realidade que dói. O isolamento é comum nesse período
2) Raiva: “Por que eu? Não é justo”. É comum procurar um responsável e não aceitar a impotência. Há oscilações entre os sentimentos de raiva e culpa
3) Negociação: “Deixe-me viver apenas até ver os meus filhos crescerem”. Frequente em processos de doenças terminais. É tentar uma negociação com o destino
4) Depressão: “Estou tão triste. Por que hei de me preocupar com qualquer coisa?” É quando sai da condição de controlador do seu destino e passa a reconhecer as limitações humanas
5) Aceitação: “Vai tudo ficar bem. Não consigo lutar contra isto, é melhor me preparar”. É quando se torna capaz de ver, tocar, falar sobre a morte. É quando cada um consegue modificar o espaço da dor internamente e passa a ser capaz de se lembrar dos bons momentos que viveu com quem partiu.

A fé de cada um
De religião a plataforma on-line, cada pessoa encontra sua forma de aceitar a morte e viver o luto. A experiência é individual e a compreensão também

Não há medida para a dor da morte. Lidar com o luto é uma vivência dilacerante. E cada um busca sua forma de seguir em frente. Cada um encontra conforto na fé que lhe convém. Segundo o padre Renato Alves de Oliveira, doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), professor de teologia da PUC-Minas e estudioso e pesquisador sobre a morte, a religião surgiu para resolver o problema da morte. “O ser humano deseja viver permanentemente nesta condição terrena da existência. No entanto, ele é um ser finito, provisório e delimitado pela morte, que coloca um ponto final e conclui sua existência. O ser humano, desde o seu nascimento, já está condenado a morrer. A religião surge fazendo uma oferta de continuidade da vida, porém, num outro plano da existência. Com a morte se dá o fim da nossa condição terrena e o início de nossa condição definitiva. Todas as religiões creem numa vida pós-mortal. O que as diferencia é a doutrina de cada uma sobre o tipo de vida pós-mortal (ressurreição, reencarnação etc.). As religiões de matriz oriental (hinduísmo, budismo, tradições indígenas etc.) creem na reencarnação já as presentes no Ocidente (judaísmo, cristianismo e islamismo) creem na ressurreição como forma de resolver e responder ao problema da morte. Para a fé cristã, a ressurreição significa a vida plena e realizada junto de Deus.” Clique aqui para ler mais.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

nove − 2 =

1 Comentários

Saudade de quem já se foi aumenta no fechar do ano | JETSS – SITES & BLOGS 12 de dezembro de 2016 - 19:21

[…] post Saudade de quem já se foi aumenta no fechar do ano apareceu primeiro em 50 e […]

Responder