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É justo as mulheres se aposentarem aos 65, como os homens?

Por Maya Santana

Acumulando o trabalho doméstico e o artesanato, Agnes Milan diz não entender porque terá que se aposentar da mesma forma que um homem

Acumulando o trabalho doméstico e o artesanato, Agnes Milan diz não entender porque terá que se aposentar da mesma forma que um homem

Maya Santana, 50emais

Quando li que a proposta apresentada pelo governo inclui aposentadoria para homens e mulheres aos 65 anos estranhei. Não que essa igualdade seja novidade no mundo. Países mais desenvolvidos, como Alemanha, França, Austrália, Bélgica, Canadá e vários outros já adotam a mesma idade para ambos os sexos. A diferença é que no Brasil dados oficiais mostram que a mulher, mesmo se aposentando cinco anos mais cedo que o homem, já trabalha bem mais do que ele. Isso se levarmos em consideração que, de uma maneira geral, o homem brasileiro não faz nada em casa, enquanto cabe à mulher a responsabilidade por todos os afazeres domésticos. Daí a pergunta é justo as mulheres se aposentarem aos 65 anos, como os homens?

Leia o artigo de Ingrid Fagundez para a BBC Brasil:

Depois que sai do trabalho, a paulistana Agnes Milan, de 38 anos, pega os filhos na escola, prepara o jantar, põe os meninos na cama, limpa a casa e, já na madrugada, produz as tiaras que vende a R$ 5 na avenida Paulista, em São Paulo.

Dorme às 2h. Acorda às 5h. Seu marido não participa da maioria das tarefas – e ela diz não entender por que poderá ter que se aposentar da mesma forma que um homem.

“Nós trabalhamos fora e dentro de casa. Temos que ser mãe, esposa, companheira. As responsabilidades são maiores.”

A dúvida de Agnes é compartilhada por muitas brasileiras.

Igualar a idade de aposentadoria e o tempo de contribuição entre homens e mulheres é um dos pontos da proposta de Reforma da Previdência anunciada pelo governo. Em discussão na Câmara dos Deputados, o texto estabelece um mínimo de 65 anos de idade e 25 anos de contribuição para ambos os sexos.

Hoje, os números são menores para elas: 30 anos de contribuição ou 60 anos de idade contra os 35 anos de contribuição ou 65 de idade dos homens.

O argumento do governo Michel Temer é que as mulheres vivem mais – em média até os 79,1 anos -, e acabam recebendo o benefício por mais tempo. Estabelecer os mesmos limites corrigiria essa distorção.

A justificativa oficial não é consenso entre especialistas. Defendida por parte dos economistas como medida necessária para amenizar o rombo previdenciário, é considerada por outros como ameaça à qualidade de vida das mulheres.

A BBC Brasil conversou com os dois lados. Ambos reconhecem a posição mais vulnerável da mulher no mercado de trabalho, mas discordam na hora de dizer se mexer na Previdência é a melhor forma de atenuar essas disparidades.

Lógica da solidariedade

Para os críticos à proposta do governo, estabelecer os mesmos critérios previdenciários significa aumentar a desigualdade entre os sexos.

Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílios, do IBGE) de 2015, elas trabalham mais, ganham menos e ocupam vagas piores.

Permitir a aposentadoria mais cedo, dizem, seria um jeito de amenizar as diferenças.

“Estamos quebrando a lógica da solidariedade. Você não tem um grau de cooperação só entre as gerações novas e antigas, mas entre homens e mulheres. Elas têm uma inserção no mercado muito mais instável. Evidentemente a maternidade dificulta”, diz a economista do trabalho e professora da UFRJ (federal do Rio) Lena Lavinas.
A extensão da jornada é uma das principais discrepâncias citadas.

Ainda de acordo com os dados do IBGE, as brasileiras trabalham, em média, 55 horas por semana, incluindo os afazeres domésticos. Os homens dispendem 50,5 horas. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

É justo as mulheres se aposentarem aos 65, como os homens? | JETSS – SITES & BLOGS 21 de dezembro de 2016 - 07:32

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