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Neste Dia de Reis, a história da pastorinha Cleusa Batista

Por Maya Santana

Cleusa, 71, faz parte do grupo "Pastorinhas da Aldeia" desde criança

Cleusa, 71, faz parte do grupo “Pastorinhas da Aldeia” desde criança

Maya Santana, 50emais

A história de Cleusa Batista, 71, merece ser conhecida, porque essa guardiã do folclore mineiro é uma artista que luta por uma grande causa:preservar uma manifestação popular do tempo do Brasil Colônia, as pastorinhas, ligadas a Folia de Reis – parte importante de nossas tradições natalinas. Nesse Dia de Reis, 6 de janeiro, como escreve Gustavo Werneck, do jornal Estado de Minas, a Folia de Reis deve ser reconhecida oficialmente como patrimônio cultural imaterial de Minas. Uma grande notícia não só para gente como Cleusa Batista, mas para todos nós.

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No caderno muito bem encapado – com folhas soltas datilografadas, outras manuscritas em letra graúda e retratos de várias épocas – está parte da vida afetiva de Cleusa da Conceição Batista, de 71 anos, moradora de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Com orgulho e alegria, ela mostra as páginas que recompõem mais de seis décadas de sua história como “cigana do Egito”, personagem do grupo de pastorinhas que visitam os presépios durante o ciclo natalino, período que se encerra hoje, Dia de Reis.

“É uma manifestação popular muito importante, faz parte da nossa cultura e precisa ser valorizada sempre”, afirma Cleusa ao aplaudir a decisão do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), que deverá declarar, em reunião às 14h, a Folia de Reis como patrimônio cultural imaterial de Minas.

No estado, há cerca de 1,5 mil grupos de folias de reis, pastorinhas, ternos, charolas e outros, conforme estudo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG). Na tarde de ontem, segurando o estandarte da Sagrada Família e a imagem do Menino Jesus, Cleusa mostrava também outros de seus pequenos tesouros como pastorinha: as longas tranças pintadas de preto, peças fundamentais no figurino de uma cigana.

Com um sorriso, embora convalescente de uma cirurgia no pulmão, ela contou que, ainda bem mocinha, resolveu fazer o próprio adereço após aceitar o convite da então organizadora do grupo, Maria de Lourdes Mendes. “Comecei a cantar com 7 anos, e um pouco mais tarde, já adolescente, resolvi inovar. Cortei uma folha de pita, planta que havia perto da minha casa, no Bairro São Geraldo, em Santa Luzia, fui a uma bica d’água e lavei até que as fibras ficassem branquinhas. Em seguida, pus tinta de cabelo numa panela com água, fervi, sequei e trancei. Não queria nada de tecido, a não ser a roupa”, revela o segredo.

Os “cabelos” são guardados com muito cuidado e, perto do Natal, Cleusa lava as tranças com xampu e usa como manda o figurino, sempre brilhantes e finalizadas com laços de fita vermelhos. Casada desde 1972 com José Braz, mãe de duas filhas, avó 10 vezes e bisavó de quatro crianças, Cleusa, em 64 anos como pastorinha, tem boas lembranças, principalmente dos tempos em que o grupo era comandado por seu pai, o militar Cipriano Batista, já falecido.

“Hoje canto sozinha, quando os amigos me convidam, mas quero manter a tradição, o folclore. Os jovens não querem mais esta responsabilidade, o que é uma pena, pois preferem alguma diversão”, lamenta. Clique aqui para ler mais.

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2 Comentários

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Antonio reis 7 de janeiro de 2017 - 00:38

Que linda matéria, viva a senhora Cleusa.!!!!! sim temos que preservar essa e outras tradições que estão enfraquecendo,,temos que fazer algo>>>>

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Neste Dia de Reis, a história da pastorinha Cleusa Batista | JETSS – SITES & BLOGS 6 de janeiro de 2017 - 13:13

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