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“Nenhuma perda é maior do que a da juventude.” Será?

Por Maya Santana

"Não há bem nem sabedoria que possam compensar a perda da juventude"

“Não há bem nem sabedoria que possam compensar a perda da juventude”

Será a juventude tudo isso que Raul Drewnick define neste texto – “Juventude” – em seu blog “Escreviver, impressões sobre a vida e seus arredores”, publicado pelo Estadão? Será a velhice, última etapa da existência, algo tão trágico como o blogueiro declara? Honestamente, não sei. Estou beirando os 66 anos. Os cabelos totalmente grisalhos. Não estou certa se concordo inteiramente com o autor. E você, o que acha?

Leia:

Não envelheça. Na vida não há nenhuma virtude mais desejada e querida, nem maior que a juventude.

+ De todas as nossas perdas, nenhuma é tão irreparável quanto a da juventude. Não há bem nem sabedoria que possam compensá-la. Prazeres espirituais, êxtases místicos? Balelas, balelas. Ou, para que fique bem claro: balelas, balelas, balelas.

+ Vai chegando o tempo em que os clamores e os brados serão só mais uma das tuas lembranças. Ressoarão ainda em teus ouvidos, mas teus lábios não conseguirão repeti-los e todas as tentativas, se as fizeres, não produzirão mais que balbucios incapazes de acordar teu sangue. Saberás então, mais do que quando eras jovem, o que é a juventude.

+ Na juventude, aspiramos ao ouro, porque não temos o tino de ver que ela, a juventude, é o ouro, uma riqueza que jamais teremos igual. Nós a gastamos, desperdiçamos, acabamos com ela inteira, como acabamos com o amor. No fim da vida, recebemos esmolas de afeto. O sorriso condescendente de uma jovem, de um jovem, uma palavra que nos dirijam, nos comovem e nos levam às lágrimas. Que vontade temos de dizer: poupem o sorriso, economizem as palavras; gastá-las com um velho é como adornar de ouro o pórtico de um túmulo.

+ Fantasmas de nós mesmos, refazemos com nossos passos vacilantes os caminhos da juventude. Nossa nostalgia nos leva à rua onde as mulheres alugavam o corpo e nos chamavam prometendo maravilhas por preços promocionais. São outras, agora, mas nos chamam ainda, como se pudéssemos deitar-nos com elas e repetir aqueles convulsivos rituais. Somos senhores, hoje, e deveríamos estar em casa, lendo talvez o Padre Vieira e preparando-nos para o pó com o qual temos encontro marcado. Elas nos chamam, nos instigam. Temos vergonha de dizer-lhes que, se houver escada a subir, não conseguiremos. E vamos nos afastando, afastando. Viver é sempre isso: o homem afastando-se dolorosamente da sua juventude.

+ Minha relação com a prosa me dá invariavelmente a impressão de ser algo meio sorrateiro, meio furtivo, meio pecaminoso. Sinto-me clandestino, traidor, desleal. Meu amor será sempre aquele da juventude: a poesia.

+ Quando ele diz agora amor, não sente o coração agitar-se como outrora nem, nos lábios, aquela mornidão excitada que logo se comunicava a todo o corpo. Como tantas outras, o amor foi uma ocorrência exclusiva da juventude.

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1 Comentários

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Raul Drewnick 30 de abril de 2017 - 11:14

Maya, acho que minha formação poética (o que, no caso, significa o mesmo que escola de vida) foi talvez casimiriana demais. Para o bem e para tudo mais, permaneci menino. A perda da juventude ainda se dá em mim, diariamente.

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