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40 anos após morte de Carolina de Jesus seu livro é resgatado

Por Maya Santana

Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

Carolina à margem do Rio Tietê, SP. Ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

Maya Santana, 50emais

Uma daquelas notícias que alegram: o resgate da obra da mineira Carolina Maria de Jesus, que extraiu do tempo em que viveu em uma favela de São Paulo material para escrever “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”. Pela primeira vez, o livro, lançado com sucesso nos anos 60, é adotado no vestibular de duas universidades, mostrando o ressurgimento do interesse pela obra da escritora, que morreu aos 63 anos, pobre e esquecida, há exatas quatro décadas. Para quem se interessar pelo assunto, a professora Elzira Divina Perpétua, da Universidade Federal de Ouro Preto, escreveu um livro que tornou-se referência quando o assunto é Carolina Maria de Jesus: “A Vida Escrita de Carolina Maria de Jesus”- . A ex-catadora de papel, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, vem sendo cada vez mais estudada.

Leia o artigo publicado pelo portal G1:

O livro “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, está entre as novidades dos próximos vestibulares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ano em que a morte da escritora completa 40 anos, a obra resgatada está indisponível em algumas livrarias, mas a editora responsável pela impressão garante reposição e, à espera de alta na demanda, considera hipótese de elevar tiragem.

Livro que tirou a autora do anonimato

Livro que tirou a autora do anonimato

O diário foi anunciado na semana passada como uma das três alterações na lista da Unicamp para o vestibular 2019. Os outros dois livros inseridos na lista obrigatória de leituras são a poesia “A teus pés”, de Ana Cristina Cesar; e o romance “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago.

Já a UFRGS confirmou , em março, a inclusão do livro na edição 2018 do processo seletivo. A universidade renova anualmente a relação de obras com a substituição de quatro títulos.

Inovações
Carolina nasceu em Sacramento (MG), em 1914, e foi morar na capital paulista em 1947, época em que surgiram as primeiras favelas na cidade. Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, ela reúne em “Quarto de Despejo” relatos de parte das experiências que viveu e observou na comunidade do Canindé, com três filhos. O lançamento ocorreu na década de 1960.

Para o professor de literatura Laudemir Guedes Fragoso, a inclusão da história da catadora de papel e sucatas nos processos seletivos representa inovações em abordagens de conteúdo e forma.

Leia também:
Um livro sobre a escritora que o Brasil esqueceu

“Ela foi uma voz dissonante do Brasil marginalizado, é interessante se fazer paralelo com momento atual do país”, frisou o docente ao mencionar que vê tendência na abordagem de temas sociais nas provas, incluindo literatura indígena. Ele também lembrou a relevância na tratativa de um diário.

“É um gênero antigo, do século XV, e chama atenção a busca por novas formas literárias dentro da prova”, falou o professor do Colégio Objetivo ao lembrar da inclusão de “Minha vida de menina” na edição 2018 da Fuvest. A instituição já definiu a lista para o vestibular 2019 da USP e da Santa Casa. Clique aqui para ler mais.

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2 Comentários

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lisa santana 7 de maio de 2017 - 20:03

Devagarinho, devagarinho os tempos mudam e o brasileiro vai descobrindo as personagens comuns e periféricas, como a maioria do povo brasileiro, e que fizeram e fazem a nossa história. Carolina de Jesus é uma das nossas múltiplas identidades. Que bom que ela começa a sair da sombra e ganhar a oficialidade! É o negro saindo da senzala onde a ordem branca teima em mantê-lo.

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