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Ruy Castro escreve sobre “os privilégios da ‘melhor idade”

Por Maya Santana

“melhor idade” – algo entre os 60 anos e a morte

“Melhor idade” – algo entre os 60 anos e a morte

Maya Santana, 50emais

Gosto deste texto de Ruy Castro, 69, sobre o envelhecimento porque ele fala do assunto de uma maneira muito engraçada. Usando de muita ironia, o escritor – autor de livros como O Anjo Pornográfico, Carmen: Uma Biografia (sobre Carmen Miranda), História do Samba e Garrincha, entre outros – explicita toda a sua indignação contra a expressão melhor idade: “Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa” diz ele. Eu concordo com Ruy Castro. Definitivamente, não gosto da expressão melhor idade.

Leia o que diz o escritor:

A voz em Congonhas anunciou: “Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.”. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a “melhor idade” – algo entre os 60 anos e a morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da “melhor idade” são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da “melhor idade”, estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da “melhor idade” é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: “Voltando da farra, Ruy?”. Respondi, eufórico: “Que nada! Estou voltando da farmácia!”. E esta, de fato, é uma grande vantagem da “Melhor Idade”: você extrai prazer em qualquer lugar a que consiga ir.

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4 Comentários

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ana 28 de junho de 2017 - 19:48

Muito bom, concordo com tudo q ele disse!

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Tereza 25 de junho de 2017 - 23:26

Pois é, fico me perguntando, melhor idade para quê? Estou tentando descobrir! Só se for por ter mais tempo ocioso…

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Luiza Bitencourt 25 de junho de 2017 - 18:58

Uma verdade que muitos gostam de camuflar. Melhor idade com todas essas arranhaduras? Essa história que a velhice está na cabeça, não entra na minha.Ruy Castro, gosto da sua veracidade quanto à melhor idade, não subestima o autoconhecimento de quem está na “melhor idade”!

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Ruy Castro escreve sobre os privilégios da ‘melhor idade’ | JETSS – SITES & BLOGS 24 de junho de 2017 - 20:45

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