1ª prefeita negra de cidade colonizada por alemães

Por Maya Santana
Demonstrando disposição, Tânia Therezinha está chegando aos 50 anos

Demonstrando disposição, Tânia Therezinha está chegando aos 50 anos

Tânia Terezinha da Silva desembarcou na cidade de Dois Irmãos pela primeira vez no início da década de 1990. Nascida e criada na Vila Rosa, em Novo Hamburgo, ela resolveu tentar a sorte em um concurso público para técnico em enfermagem – profissão que aprendeu durante o Ensino Médio, na escola Santa Catarina. “Eu não sabia que, a partir daquele momento, minha vida iria mudar”, conta.

Ela conseguiu, na época, ficar em primeiro lugar no concurso. Durante os dois primeiros anos, dividia seus dias no percurso entre Dois Irmãos e Novo Hamburgo, onde o marido e os filhos moravam. “Mas aí comecei a me apaixonar pela cidade, que é simples e tranquila. Os pátios das casas não tinham grades, eram abertos. Pensei: é nesse lugar que quero criar meus filhos”, recorda.

Quando decidiu se mudar para a cidade de 27 mil habitantes e forte colonização germânica, Tânia sequer possuía filiação partidária e jamais poderia imaginar que um dia fosse ser eleita a primeira prefeita mulher e negra do município.  No início, logo que chegou na cidade, começou a trabalhar em uma unidade móvel de saúde. “Percorríamos todos os bairros e escolas, então pude conviver com muita gente. Íamos inclusive para localidades onde as famílias falam quase que exclusivamente alemão”, comenta.

Tânia Therezinha tem 49 anos é técnica em enfermagem

Antes de ser prefeita, a técnica em Enfermagem teve 3 mandatos de vereadora

Em 1995, veio o convite para que se filiasse ao PMDB e, em 1996, Tânia conseguiu se eleger a quarta vereadora mais votada da cidade. Cargo que ela considera “ingrato”, já que o parlamentar não pode formular leis que impactem no orçamento municipal. Em 2000, ao não conseguir a reeleição, ela assumiu a coordenação do posto 24 horas que, na sua definição, é uma espécie de HPS de Dois Irmãos. “Todas as urgências do município se concentram lá”.

Foi no posto que Tânia continuou colocando em prática a premissa que adota e que a levou a optar pela área da saúde. “Sempre trabalhei no atendimento à pessoa como um todo. Quando vamos vacinar uma criança, não podemos olhar somente a carteirinha e o braço. É preciso olhar o entorno. Como está essa criança e sua família?”, explica.

Ela estava gostando tanto do trabalho que se recusou a participar das eleições de 2004, apesar dos apelos do partido para que concorresse. Em 2008, tentou manter a mesma postura, mas acabou sendo persuadida, já que o PMDB precisava cumprir a cota de 30% de mulheres na nominata para a Câmara Municipal. Quando abriram as urnas, a surpresa: 2.055 votos, marca ainda imbatível na cidade. Em 2012, o vereador mais votado obteve 1.471 votos. Neste mandato, ela conseguiu a unanimidade dos colegas para ser a presidente da Câmara. Continua em http://migre.me/de8S6


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