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A admirável presidente do Chile, Michelle Bachelet

Por Maya Santana

Perto de completar 63 anos, teve dois maridos e está no segundo mandato

Perto de completar 63 anos, está no segundo mandato

Ana Maria Cavalcanti

Verónica Michelle Bachelet Jeria, conhecida apenas como Michelle Bachelet, 62 anos, governa os chilenos pela segunda vez( 2006/2010, março 2014) pelo Partido Socialista do Chile. E tem uma história marcada pela dor, de um lado, e pelo sucesso profissional do outro. As tragédias na família começaram quando o pai, general de brigada Alberto Bachelet, colaborador do governo socialista de Salvador Allende, morreu torturado pelos próprios companheiros de farda, então liderados por Augusto Pinochet.

O general Pinochet assumiu o poder, em 1973, através de um golpe, depondo e levando à morte um presidente legalmente eleito. Por 17 anos, Pinochet submeteu o Chile a uma ditadura sangrenta, responsável pela morte de 40 mil chilenos. Michele, então com 22 anos, cursava o quarto ano de Medicina, na Universidade do Chile e fazia política estudantil.

Com o pai, general de brigada Alberto Michelet, morto pela ditadura

Com o pai, general de brigada Alberto Michelet, morto pela ditadura

Um ano mais tarde, ela e a mãe, Ángela Jeria Gómez, foram presas e transferidas para a temida Vila Grimaldi, o pior centro de reclusão da ditadura. Michele chegou a ser torturada. Um ano depois, conseguiu sua liberdade e a da mãe. Exilou-se na Austrália e, depois, na Alemanha Oriental, onde continuou a estudar Medicina. A mãe é antropóloga e foi a companheira de todas as horas, sempre muito ligadas.

Em 1979, ainda durante a ditadura militar, Michele volta ao Chile e retoma os estudos de Medicina, na Escola de Medicina de Santiago. Formando-se médica cirurgiã, em 1982, com especialização em pediatria e saúde pública. Ao mesmo tempo em que concluía o curso de Medicina, participava ativamente de Ongs que prestavam assistência a filhos de torturados e desaparecidos.

Com a mãe. Ángela Jeria, sua grande inspiração

Com a mãe,Ángela Jeria, com quem mantem forte ligação

Com a restauração da democracia no Chile, ela foi convidada, no ano 2000, pelo presidente eleito na época, Ricardo Lagos, para o cargo de Ministra da Saúde. A doutora saiu-se muito bem, dedicando-se de corpo e alma ao trabalho. Dois anos depois, o presidente achou que ela poderia ir ainda mais longe. Ela foi então, em 2002, nomeada Ministra da Defesa, cargo nunca ocupado por uma mulher no país. Ela teria que lidar com os militares responsáveis pela tortura e morte do pai.

Ocupou o cargo não só com a cabeça aberta, mas, principalmente, com o coração aberto, sem rancores. Michelle Bachelet aprendeu na pele que era preciso reconciliar os militares com a sociedade civil chilena. Preparo para isso não lhe faltava: já tinha feito um curso sobre estratégia militar na Academia Militar de Estudos Políticos e Estratégias( Anepe), no Chile ; e um outro em Washington, no Colégio Interamericano de Defesa. E, talvez o seu maior cacife, era filha de general, familiarizada desde criança com assuntos militares.

Na posse, em março, ao lado das presidentes Dilma e Cristina Kirshner, da Argentina

Na posse, em março, com as presidentes Dilma e Cristina Kirshner

A partir daí sua carreira política se ampliou. Mais ainda quando durante uma inundação no norte de Santiago Michelle comandou pessoalmente, dentro de um tanque do exército,a operação de resgate dos desabrigados.

Foi um sucesso, as pesquisas de opinião começaram a apontar o nome dela como pré-candidata presidencial. A médica e ministra poderosa, fluente em quatro línguas, inclusive o português – inglês, francês e alemão -, virou celebridade nacional e, em 2004, foi eleita presidente do Chile. Deixou o cargo quatro anos mais tarde com avassaladores 80% de popularidade.

Quatro anos depois, em março de 2014, foi reeleita com 62% dos votos. Claro que nem tudo é um mar de rosas no Chile. Mas o país de 16 milhões de habitantes tornou-se um dos mais prósperos da América Latina, o mais bem posicionado quando se trata de desenvolvimento humano, competividade, qualidade de vida, estabilidade política e globalização. Muito disso graças a Michelle Bachelet.

Apesar de todo o sofrimento do passado, Michelle deu a volta por cima. É considerada uma mulher agradável e acolhedora, quase sempre com um sorriso no rosto. Já repetiu várias vezes que não pensava em chegar aonde chegou. Divorciada duas vezes, tem 3 filhos, adora música , toca violão e gosta de cozinhar para a família e amigos. Perto de completar 63 anos – em setembro – ela está solteira e sempre diz que “se o amor chegar, chegou”. A presidente se dá muito bem com os dois ex-maridos e, sabiamente, diz: “ Filhos só ficam bem quando sabem que seus pais estão bem.“

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