fbpx

A arte de se adaptar à uma nova vida depois de uma separação

Por Maya Santana


Todo mundo que termina namoro ou casamento tem pressa de ser feliz

Maya Santana, 50emais

Na crônica que você vai ler abaixo, Fabrício Carpinejar trata de separação, um assunto quase nunca mencionado aqui no 50emais, embora separar, dizer adeus a alguém seja uma experiência pela qual, acredito, todos nós já passamos. Separação do namorado, do marido, do amante… um distanciamento tanto mais dolorido quanto maior o apego. Concordo com o autor da crônica quando ele diz que depois de uma separação, não se deve tomar nenhuma medida para combater a ausência. “Não deixe de chorar quando bater a vontade. A fragilidade é exorcismo, é colocar para fora, previne ressentimentos e mágoas.”

Leia:

Quando a gente se separa não é para empenhar grandes planos, por mais tentadora que seja a ideia de fugir e desaparecer. Não é o momento para mudar de profissão e abandonar causas. Não é para realizar tudo o que não foi feito durante a relação, por vingança e recalque.

Trata-se de uma convalescença emocional, de silêncio forçado. Um período para se recuperar e não falar nada ainda para entender o que aconteceu.

É sobrevoar os hábitos com uma atenção mínima, flutuante, básica. Não há como se exigir muito. Basta se observar e ver como a dor se movimenta pela casa. Prepare um chá para a saudade e pergunte o que ela recorda. Lembranças agradáveis? Lembranças horríveis?

Qualquer decisão será adotada para combater uma ausência, nunca por vontade própria. É mais uma reação do que uma atitude consciente. É mais um recado a um terceiro, como demonstração de poder, do que a legitimidade pensada de uma opção.

Querendo mostrar o que a outra pessoa perdeu acabará também se perdendo.

Não se precipite a justificar o fim, mantenha-se longe das redes sociais. Versões contraditórias coexistirão em você por uns meses, vai odiar e amar alternadamente com grande facilidade.

Todo mundo que termina um namoro e um casamento tem pressa de ser feliz. Não há maior angústia do que a pressa de ser feliz. Não há maior desastre do que a ansiedade para desmanchar em alguns dias o que levou meses e anos para construir. No afã de dar a volta por cima, sempre cometerá bobagens que dificultam uma hipotética reconciliação ou um fortalecimento gradual da individualidade.

O amor é formado de tréguas . É fundamental uma pausa para se desintoxicar da convivência e reparar os defeitos.

Não saia viajando, não se tatue para oferecer indiretas, não acumule plásticas, não caia na gandaia, não prometa coisa alguma, não procure casinhos antigos, simplesmente aguarde o coração se acalmar. Parece um terremoto, mas é taquicardia.

Leia também:
A vida começa e termina com uma separação
Traição é o que mais leva a pedido de divórcio na meia idade

Não elabore projetos solitários para arcar com o constrangimento de cancelar logo em seguida. Não exclua ninguém definitivamente de sua história até ter certeza, até o óbito da esperança.

Não banque a fortaleza inexpugnável. Não deixe de chorar quando bater a vontade. A fragilidade é exorcismo, é colocar para fora, previne ressentimentos e mágoas. Melhor sofrer de uma vez a maltratar a si em futuras relações.

O que é acertado por mero impulso não perdura. Investimentos numa ruptura atendem somente a uma compulsão de agradar e de se firmar, formarão dívidas reais e prejuízos morais.

Separar-se não é mudar, é a arte de se adaptar.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

9 − 1 =