A cada segundo, duas pessoas completam 60 anos

Por Maya Santana

Em 10 anos, serão um bilhão de pessoas com mais de 60 anos

Como bom jornalista que é, Ted C. Fishman gosta de uma boa história. Daí que começa Shock of Gray com uma muito próxima, a dos próprios pais, para ilustrar duas faces do mesmo dominó: a velhice. Enquanto a mãe, na casa dos 80, ainda rebola num concerto tributo ao Led Zeppelin e nada no Lago Michigan, o pai muito antes disso entrou num processo degenerativo, que o deixou totalmente dependente da família.

Daí em diante Ted parte para o subtítulo do livro: o envelhecimento da população mundial e como ele coloca jovens contra velhos, filhos contra pais, trabalhadores contra patrões, empresas contra rivais e nações contra nações. Tem-se a impressão de que só virá pedreira. Mas não é assim. O jornalista, autor do best seller China S. A., também mostra como o choque grisalho traz expansões de civilidade, de círculos sociais e de investimentos na ciência em busca da expansão maior, a imortalidade.

Livro trata das implicações do aumento do número de idosos

Ted estava em Chicago, sua cidade natal, quando deu esta entrevista atualizando suas pesquisas. Shock of Gray foi lançado em 2010 e, na época, ainda não se cravava 1 bilhão de idosos em dez anos, dado que a ONU divulgou nessa semana. Um pouco antes da entrevista o jornalista havia feito uma palestra para 1.100 executivos da segurança pública sobre como a polícia, os bombeiros e outros serviços de emergência devem se adaptar a um mundo em que, a cada segundo, duas pessoas celebram o 60º aniversário. “O complicador da história é que esses profissionais estão enfrentando pressão para que reduzam suas pensões”, diz. Funcionários públicos contra governo. Trabalhadores contra patrões, enfim.

O jornalista e ensaísta Ted C. Fishman é americano

Quem sofrerá e quem se beneficiará com 1 bilhão de idosos daqui a dez anos?

Ted C. Fishman – Um mundo de idosos implica enormes desafios em diferentes frentes. O envelhecimento da população se propalou por dois motivos: o prolongamento da vida em si e o fato de muitas famílias serem menores do que há uma ou duas gerações. Se continuarmos construindo redes de seguridade social nos moldes dos anos 1930, 50 ou 80, os países irão à bancarrota e todos os cidadãos vão sofrer. E, se não encontrarmos maneiras de cuidar do crescente e imenso grupo de pessoas que não tem filhos, então centenas de milhões no mundo se encontrarão sozinhos e isolados quando mais velhos. Acho, no entanto, que o aspecto mais importante de um mundo envelhecido é que o benefício é maior que o sofrimento. O fato de as pessoas estarem morrendo mais tarde significa que a humanidade está ganhando o maior tesouro de todos: mais vida. É o que sempre desejamos, desde que começamos a misturar ervas em tigelas e conversar com espíritos nas árvores. O economista Robert Fogel, Nobel de Economia, destacou que por 7 mil gerações não houve grandes alterações na longevidade. Isso começou a mudar a partir do século passado, e agora as pessoas normalmente vivem 40 anos mais. Isso é maravilhoso.Leia mais em www.estadao.com.br


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1 Comentários

Rosamari SousaOlivalles 13 de julho de 2018 - 09:27

Amei! É muito proveitoso e responsabilidade social muito mais que vivemos neste tempo de muitas mudanças bruscas ,e a cada dia, muitas novidades.

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