A dolorosa arte de se separar – Walcyr Carrasco

Por Maya Santana
Separação, ainda amando ou não o parceiro  ou parceira, é muito difícil

Separação, ainda amando ou não o parceiro ou parceira, é muito difícil

Um bom artigo de Walcyr Carrasco, publicado na revista Época – com o título “Separar, como fazer?” – sobre talvez a mais difícil das artes: a da separação.

Leia:

Uma amiga atriz morou seis anos com outra mulher. Certa noite, ao chegar do ensaio, encontrou um recado na secretária eletrônica. A outra se separava com uma mensagem de voz. Já levara as malas, até. Subitamente, estava solteira. Queria conversar, discutir a relação, chorar, perguntar o que significaram seis anos. Impossível. Ficaram muito tempo sem se ver. Simplesmente, uma sumiu da vida da outra, sem maiores explicações. Melhor, explicação havia: um novo relacionamento.

Cruel? Separar é difícil. Principalmente se alguém conhece a outra parte, sua fragilidade. Choro, olhos sofredores, quem aguenta? Ou brigas, acusações. Se realmente acabou, no coração, o parceiro que abre as asas quer se livrar do outro como um fardo. Ficar livre. Mas seres humanos não são fardos. São pessoas. Sentem, têm emoções. Conheci, juro que sim, um ator no passado muito famoso que certo dia avisou à mulher:

– Vou comprar cigarros.

Saiu e sumiu, por bastante tempo. Ela também era atriz. Encontraram-se meses depois, no set da televisão. Ela fingiu naturalidade, como se faz com parentes que não se veem há muito tempo. Mais tarde, voltaram a ser amigos. Ela até lhe emprestou dinheiro. Vamos reconhecer: esse aí foi hors-concours na cara de pau. Pedir empréstimo?

Separar é difícil. Já tive uma namorada com quem discuti. Separei, depois de descobrir uma traição dela. (Sim, já ganhei meus chifres, mas quem nunca, com 100% de certeza?) Era noite, estávamos próximos a um viaduto. Ela correu para a mureta.

– Vou me atirar.

Fui prático.

– Você sai com outro e ainda ameaça? Se atira.

Não se atirou. Engordou, e muito, nos anos subsequentes. Obesa total. Bem feito!

Nenhum homem gosta de enfrentar o drama da separação. Mulheres, acredito, apreciam mais as cenas melodramáticas, as discussões, provar que não deu certo por culpa do parceiro. Já passei por isso. Para me ver livre, sempre reconheci que era o errado.

– Você tem razão. A culpa é minha mesmo.

Mais acusações, e eu:

– Sim, não tenho sentimentos. Tenho dificuldade de amar, de me entregar. Vou fazer terapia. Você viu aquela mala azul, grande, que usei na última viagem?

Com a internet, os aplicativos, dar adeus se tornou mais fácil. Já tentei me separar por WhatsApp. Ou e-mail. É um horror, mas funciona. Simplesmente porque, quando vem a longa resposta furiosa, basta responder, também por mensagem de texto.

– Você tem toda a razão, o problema sou eu. Perdoe-me. Só não dá para nos vermos agora, nem para um café. Você mexe muito comigo. Preciso meditar e amadurecer.

Admito. Me torno um crápula nessas horas. Todos os homens são um pouco. Mas tenho uma desculpa a meu favor, sempre tento explicar nas mensagens dramáticas. Clique aqui para ler mais.


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2 Comentários

Lúcia M. S. Oliveira 26 de novembro de 2014 - 14:29

No meu caso a morte levou.Foi duro e está sendo até hoje.

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lisa santana 26 de novembro de 2014 - 11:37

Sem conversa(ops!). É uma das piores dores.

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