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A doméstica brasileira que se tornou líder trabalhista nos EUA

Por Maya Santana

Formada na universidade, hoje,  Natalícia dirige um centro que auxilia imigrantes em questões legais

Formada em universidade, Natalícia dirige um centro que auxilia imigrantes em questões legais

A história de Natalícia é dessas que precisam ser conhecidas pelo maior número possível de pessoas, porque é um exemplo de tenacidade, força de vontade e de garra para conseguir o que se busca na vida. Saiu do Brasil como doméstica com uma família que iria morar nos Estados Unidos por dois anos. Lá, foi tratada como escrava pela família: fazia todas as tarefas da casa, trabalhando das 6h às 23h, todo dia. Quando os patrões voltaram, Natalícia resolveu permanecer no país e estudar. Além de se formar em dois cursos universitários, tornou-se uma destacada líder nos movimentos de trabalhadores e imigrantes dos Estados Unidos.Uma história de vida para ser contada de boca cheia.

Leia a reportagem de João Fellet para a BBC Brasil:

O auditório da Assembleia Legislativa do Estado de Massachusetts estava cheio quando uma mulher com uma camiseta verde-amarela foi chamada ao microfone.

Diretora executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro em Boston, Natalícia Tracy pediu aos legisladores que aprovassem uma lei em discussão que impediria policiais de prender imigrantes só por estarem no país ilegalmente.

Horas antes, Tracy falara num evento da prefeitura de Boston e, após deixar a assembleia, ainda participou de um painel sobre trabalho doméstico na Universidade Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo.

A movimentada agenda reflete a projeção alcançada pela brasileira, que se mudou para os Estados Unidos em 1989 e se tornou uma destacada líder nos movimentos de trabalhadores e imigrantes do país.

Tracy mergulhou nos estudos. Formou-se em psicologia e sociologia e se tornou mestre pela Universidade de Massachusetts

Ela formou-se em psicologia e sociologia e tornou-se mestre pela Unidade de Massachusetts

Hoje com 45 anos, Tracy foi recrutada aos 19 em São Paulo para acompanhar uma família brasileira numa temporada de dois anos em Boston. Além de cuidar de um bebê de dois anos, desempenhava todas as tarefas domésticas da casa. A jornada, diz ela, ia das seis da manhã às onze da noite.

“De acordo com as leis trabalhistas dos Estados Unidos, eu estava num trabalho considerado escravo”, ela afirma à BBC Brasil.

Tracy diz que dormia numa “varanda fechada com cimento grosso no chão” e que não podia usar o telefone nem receber cartas. “Eles não me deixavam pôr meu nome na caixa de correio, e o carteiro não entregava.”

Ela conta que, muitas vezes, não sobrava comida após cozinhar para os patrões. “Fiquei doente e não me levaram ao médico. Era um ser humano que estava sob a responsabilidade deles: não falava inglês, não tinha família aqui.”

A pior parte, diz ela, era o pagamento: US$ 25 por uma jornada de 90 horas semanais, valor muito abaixo do salário mínimo local.

Encerrado o contrato com a família, os patrões voltaram ao Brasil, e Tracy resolveu ficar. Um ano depois, “estava morando num subúrbio americano, casada com um americano e vivendo uma vida americana”. Clique aqui para ler mais.

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