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A incrível história da octogenária Efigênia Rolim

Por Maya Santana

Ela tem 81 anos: trabalha com papel, dança, canta, escreve poesia... dá piruetas

Ela tem 81 anos: trabalha com papel, dança, canta, escreve poesia… dá piruetas

A cena é digna de uma história saída das páginas de uma obra do realismo fantástico. No início dos anos 1990, Efigênia Rolim andava pela Rua XV de Novembro, quando perto do bondinho, foi surpreendida por uma lufada de vento, acompanhada por um redemoinho, que jogou aos seus pés papéis de bala lançados à calçada. De um deles, verde, reluzente, que ela achou parecido com uma pedra preciosa, ela fez uma flor – ou teria sido um passarinho?

A velha senhora, então com um pouco mais de 60 anos, gostou tanto da sensação de transformar os invólucros em figuras que nasciam de sua imaginação, que logo procurou um suporte para suas criações, e o encontrou em uma sandália havaiana, também largada na rua. Nesse suporte de borracha criou sua primeira árvore de sonhos, feitos a partir de material reciclável, e ali nascia, como ela mesma gosta de contar, “a rainha do papel de bala pé de chinelo”, que ganharia o mundo com suas criações e sua personalidade singular.

Ela nasceu em Minas Gerais, em 1931, mas, há muito vive em Curitiba

Ela nasceu em Minas Gerais, em 1931, mas, há muito vive em Curitiba

Essa história, uma entre tantas que se entrelaçam na verdadeira epopeia que tem sido a vida da artista, hoje com 81 anos, antecede o momento de seu encontro com a jornalista Dinah Pinheiro Ribas, que acaba de lançar o livro A Viagem de Efigênia Rolim nas Asas do Peixe Voador , caprichada obra definida pela autora como “uma grande reportagem ilustrada”, que busca dar conta da trajetória pessoal e dos tortuosos caminhos percorridos pela arte desafiadora de uma criadora ao mesmo tempo ingênua e genial.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Dinah lembra que conheceu Efigênia pouco tempo depois do espisódio do redemoinho nas proximidades da Boca Maldita. “Eu era assessora de imprensa da Fundação Cultural de Curitiba em 1993, e um dia ela foi falar comigo na nossa sede [então instalada no Setor Histórico, em frente ao Largo do Rosário], e perguntou se eu poderia ajudá-la a fazer uma exposição. Fiquei encantada com a beleza ao mesmo tempo simples e mágica do que ela fazia.”

Pouco depois desse encontro, do qual brotaria uma forte amizade, Efigênia teria a primeira oportunidade de mostrar ao grande público o seu trabalho, na chamada Sala de Pedra do Palácio Garibaldi, que abrigava à época a sede da FCC, espaço então utilizado para exposições de arte popular. A mostra era composta de uma grande árvore, na qual as diversas figuras confeccionadas por Efigênia com papel de bala, eram dependuradas. “Foi um sucesso enorme”, conta Dinah.

Nesses quase 20 anos que separam o encontro entre a jornalista, e agora sua “biógrafa”, e a artista, Efigênia se transformou em uma referência no universo da arte popular no Brasil – e isso é contado, em detalhes, pelo livro. Continua em gazetamaringa.com.br

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1 Comentários

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Déa Januzzi 17 de fevereiro de 2013 - 23:13

Maya, e ainda por cima, entre uma fala e outra em defesa da natureza, ela dá cambalhotas como uma criança. Ela canta, dança, faz versos e ouve o que a natureza tem pra dizer, ao contrário da maioria. Ela é um anjo encarnado que tem um incrível figurino feito do lixo reciclado. Ela é demais. Se existissem mais Efigênias, o planeta ia agradecer. Com mais de 80 anos, ela faz estrepolias e dá lição de vida.Parabéns pela matéria.

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