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Margaret Mee: a inglesa que retratou planta rara da Amazônia

Por Maya Santana

Artista botânica inglesa, ela se especializou em plantas da Amazônia brasileira

Margaret Mee, ilustradora botânica, viveu no Brasil mais de 30 anos

Tinda Costa

A primeira vez que ouvi falar de Margaret Mee foi numa visita que fiz ao Kew Gardens, o jardim botânico real, em Londres. Uma amiga inglesa entusiasmada com as belezas naturais em exibição levou-me para ver uma estufa de bromélias e orquídias.

Na entrada, havia um cartaz com uma foto de uma senhora franzina desenhando no meio da floresta. Mee, minha amiga me contou, era uma especialista em retratar a flora da Mata Atlântica e Floresta Amazônica usando técnicas científicas em um contexto artístico.

A Flor da Lua se abriu para a artista inglesa

A Flor da Lua se abriu para a artista inglesa

Ela é considerada uma das maiores ilustradoras botânicas do século 20 e se destaca de outros ilustradores por aliar em seus traços ciência e arte. Depois da vergonha que passei com a minha falta de conhecimento sobre essa artista apaixonada pela flora brasileira e uma das primeiras defensoras da biodiversidade da flora de nossas matas e florestas, procurei saber mais sobre Margaret Mee.

Ela nasceu no interior da Inglaterra em 1909 e cresceu entre os campos verdes do condado de Buckingham onde seu amor pela natureza deve ter originado. Quando jovem, no período entre as guerras, ela se tornou uma ativista política e lutou contra o fascimo. Nessa época também Margaret frequentou as principais escolas de arte de sua terra Natal.

Um dos muitos e belos trabalhos da artista

Um dos muitos e belos trabalhos da artista

Em 1952, com o intuito de cuidar de uma irmã doente, ela e seu segundo marido, Greville Mee, artista gráfico e comerciante de arte, vieram para o Brasil. Moraram algum tempo em São Paulo e depois se estabeleceram no Rio de Janeiro onde ficaram durante trinta anos. A primeira viagem que ela fez a Amazônia foi em 1956.

Nessas explorações, ela sofreu com a malária, hepatite infecciosa e ataques noturnos de vampiros, entre outras dificuldades. Mas o resultado do seu esforço valeu a pena. Chegou a produzir 450 pinturas da flora tropical como helicôneas, orquìdeas, bromélias e outras plantas. Publicou livros e diários de viagem. Fico imaginando a aventura que deve ter sido a última viagem dela a floresta feita em 1988, aos 79 anos de idade! Margaret sonhava em pintar a flor-do-luar, uma espécie de cacto que só floresce à noite de lua cheia na região do arquipélogo de Anavilhanas.

Margaret retornou ao rio Negro e depois de horas navegando numa canoa entre arbustos chegou a um remoto local onde estava a flor prestes a explodir. Ela ficou de vigília e a flor-da-lua se abriu lentamente para a pintora que documentava tudo à luz de lanterna. O trabalho só terminou às 3 da manhã, mas a artista continuou sua vigília até as 8 da manhã quando finalmente a flor se fechou totalmente e para sempre.

Essa expedição marcou a vida dela para sempre e ela retornaria à região outras 14 vezes para desenhar, pintar e coletar muitas espécies de plantas. Essas viagens eram feitas num pequeno barco, acompanhada apenas por guias da região e, de vez em quando, por um ou outro amigo. Mas em contraste com a sua aparência aparentemente delicada, seu kit de pinturas incluia um revolver 32.

Além de ter sido uma das primeiras pessoas a lutar contra a destruição das florestas brasileiras, depois que voltou a Inglaterra, Margaret Mee criou uma Fundação Botânica e oportunidades para que artistas e cientistas brasileiros pudessem se especializar em ilustração botânica em Londres. Ela morreu em novembro de 1988, em consequência de um acidente de automóvel. Em sua honra foi fundada a “Margaret Mee Amazon Trust”, organização para educação, pesquisa e conservação da flora amazonense.

Ela fazia suas viagens pela Amazônia num pequeno barco, acompanhada apenas por guias da região e, de vez em quando, por um ou outro amigo

Ela amava a Floresta Amazônica , que visitou todos os anos, durante muito tempo
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12 Comentários

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ana maria 26 de março de 2014 - 02:31

linda a história da Flor da Lua. O perfume dela deve ser inebriante. Há pessoas que amam a natureza. M. Mee é uma delas.

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Luciana Nogueira Azevedo 27 de março de 2014 - 19:24

Obrigada por postar Margareth Mee , maravilhosa eternamente !!!

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Margaret Mee: a inglesa que retratou planta rara da Amazônia – Liquidificadoida 18 de maio de 2018 - 16:08

[…] Leia a matéria completa em: http://www.50emais.com.br/a-inglesa-que-se-apaixonou-pelas-nossas-plantas/ […]

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Luis Paulo Alexo 6 de novembro de 2018 - 19:50

The mistura beaultiful human m mee Love só mutirão

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Pilar de Zayas Bernanos Sohn 18 de março de 2019 - 18:50

Parabéns pelo MARAVILHOSO documentário sobre a Margaret, uma mulher tão singular, um exemplo de SER humano.

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Karen Cunningham 23 de março de 2019 - 09:44

Minha Mãe, Mary Aune, viajou com ela. Ficaram muitos dias em plena floresta com só um canoeiro para remar. Minha Mãe desenhou um pequeno diário que foi copiado e incluído nas diversas entrevistas de amigos depois da morte de Margaret. Tenho uma pintura dela que consta das ilustração do belo livro “Margaret Mee.
Karen Cunningham

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Maya Santana 23 de março de 2019 - 10:57

Karen, obrigada pelo comentário. Margaret Mee foi alguém muito, muito especial. Forte abraço para você.

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Maria das Graças Lapa Wanderley 24 de março de 2019 - 09:17

Conheço muito está singela e magnífica artista. Como especialista em bromeliaceae tive o privilégio de fazer a introdução do livro das aquarelas brasileiras que ilustram as mais belas bromelias das nossas matas. Lindíssimo. Foi editado pelo instituto de Botânica de São Paulo.

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cristiano henrique ramos 10 de fevereiro de 2020 - 17:49

Excelente texto, acredito que precisa de uma correção, pois acredito que estava falando sobre morcegos vampiros e não somente de vampiros, acho eu.
Não conhecia sobre a história dela e irei pesquisar um pouco mais, de volta, parabéns pelo texto.

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Mirian Ortiz 12 de fevereiro de 2020 - 07:11

Fatos como esse e que devem ser postados, comoartilhadis e viralizados.
Uma linda mulher , em completa conexão com a natureza, deixando a História, um pouco mais importante. Somando generosamente, para que conheçamos, recantos do nosso País. Devo minha devoção a ela, pelo amor que demonstrou ao meu País.

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João Régis Guillaumon 12 de fevereiro de 2020 - 17:43

Conheci Margareth Mee pessoalmente, em 1972, no sítio de Burle Marx, no Rio, com quem eu estava estagiando. Além de uma artista fora de série, era uma pessoa incrível e divertida.

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Adilson Adalberto 18 de fevereiro de 2020 - 15:45

Como biólogo e também desenhista, me inspiro nela pra fazer meus trabalhos realistas!

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