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A poderosa secretária dos Transportes de NY

Por Maya Santana

Aos 52 anos, Janette pode ser vista cruzando a cidade em sua bicicleta

Aos 52 anos, Janette pode ser vista cruzando a cidade em sua bicicleta

Entre seus admiradores, ela é chamada de “JSK”, em referência ao famoso  ex-presidente americano John F. Kennedy. Os inimigos preferem outro apelido,  Chaka Khan, em homenagem à exagerada cantora de funk dos anos 1970.

Mas é provavelmente unanimidade entre todos que poucas pessoas transformaram  tanto a cidade de Nova York quanto Janette Sadik-Khan, a secretária de  Transportes. Desde que foi nomeada pelo prefeito Michael Bloomberg em 2007, ela  dobrou a quilometragem de ciclovias na cidade, para um total de 800 quilômetros,  e transformou 13 ruas em praças para pedestres, incluindo uma no meio de Times  square. Outras 50 estão em construção.

Neste último ano do seu mandato, Janette sentou para conversar com o Valor no seu escritório perto de Wall Street em Manhattan, num  edifício que ainda está sendo reparado dos estragos causados pela tempestade  Sandy em outubro. Ela falou sobre suas maiores conquistas, seus desafios e sua  visão para a cidade do futuro. Disse também que é “louca pelo Brasil”, país que  já visitou seis vezes. São Paulo, Rio, Curitiba… mas a sua cidade favorita é  Salvador. “Adoro a comida, as barracas e o fato de que a deusa do mar, Iemanjá,  seja uma mulher.”

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Ele conhece bem o Brasil, onde já esteve seis vezes

Ele conhece bem o Brasil, onde já esteve seis vezes

Valor: Ciclovias têm sido uma prioridade tão grande do  seu governo que algumas pessoas a apelidaram de “secretária de bicicletas”. Por  que ciclovias são tão importantes para a senhora e elas podem ser viáveis em  cidades como São Paulo, Rio e Salvador?

Janette Sadik-Khan: Ciclovias e bicicletas são uma  importante forma de trazer equilíbrio para uma cidade. Quando você olha como as  cidades crescem e florescem, em muitos casos você pode mudar o papel do asfalto,  para priorizar maneiras mais eficientes de se locomover. Um ônibus pode levar 40  pessoas, enquanto um carro geralmente leva 1. Você pode desenhar uma cidade de  uma forma que seja mais fácil caminhar, o que é bom para a saúde e também  diminui o impacto ambiental de emissão de dióxido de carbono. E é muito fácil  pintar ciclovias, e tornar fácil para as pessoas se locomoverem em duas rodas, e  também seguro para todos. Acho que uma das nossas maiores conquistas tem sido  melhorar a segurança das ruas de Nova York. Os últimos cinco anos têm sido os  mais seguros nas ruas na história da cidade desde que dados começaram a ser  coletados, em 1910. Nossas ruas estão mais seguras, com a adição de 450  quilômetros de ciclovia nos últimos cinco anos; nossas ruas estão mais  atraentes, com 50 ruas que estão sendo transformadas em praças para pedestres;  nossas ruas estão mais eficientes, com seis novas rotas de ônibus rápido em toda  a cidade; nossa infraestrutura está em bom estado de manutenção.

Então nossas  estradas, pontes e barcos estão nas melhores condições que já tiveram em muitas  gerações. Gastamos mais de US$ 5 bilhões nisso apenas nos últimos cinco anos. Em  todas as medidas temos feito enorme progresso. Nossas ruas estavam congeladas no  tempo por quase 50 anos. A visão era a de olhar para a rua através do para-brisa  e pensar como fazer os carros se moverem o mais rápido possível do ponto A para  o ponto B. Em Nova York, metade dos residentes nem tem carro. Um terço dos  moradores se locomove a pé, um terço usa sistema de transporte público e um  terço usa carro. O que estamos tentando fazer é incluir as pessoas que caminham  e usam transporte, para que elas tenham o mesmo peso no planejamento urbano de  uma cidade de uma alta classe mundial. Queremos trazer comunidades para a mesa  para participar do planejamento e replanejamento das ruas.

Leia a íntegra da entrevista em valor.com.br

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