A quem delegaria poder de decidir como será o seu final de vida?

Por Maya Santana
Em 2014, 548 pessoas, no Brasil inteiro,  registraram seus testamentos vitais

Em 2014, 548 pessoas, no Brasil inteiro, registraram seus testamentos vitais

Os números ainda são pequenos no Brasil. Mas está aumentando a quantidade de pessoas mais velhas que vêm registrando em cartório seu testamento vital, documento no qual deixam especificado como querem ser tratados pelos médicos no final da vida, caso não tenham condições de se manifestar. A jornalista Christiane Segatto, da revista Época, escreveu esse excelente artigo sobre o assunto, com o seguinte título: “A quem você delegaria o poder de decidir sobre seus últimos dias, caso estivesse internado num hospital, sem chance de cura e capacidade de raciocínio?”

Leia:

Passamos a vida lutando pelo direito de escolher, opinar e expressar vontades. Faz sentido abrir mão disso quando o fim se aproxima? A quem você delegaria o poder de decidir em seu lugar, caso estivesse internado num hospital, sem chance de cura e capacidade de raciocínio?

a) Ao marido, à mulher ou aos filhos que estarão exaustos e com as emoções em frangalhos?
b) Ao primo distante que veio dar uma força à família, mas sequer sabe para qual time você torce?
c) Ao médico que vai tentar medidas heroicas e inúteis com medo de ser acusado de omissão?
d) Ao hospital que prolongará sua estada enquanto for possível engordar a conta com remédios, cânulas, sondas, pacotes e pacotes de algodão e gaze a preços vitaminados?

Muita gente tem percebido o disparate e registrado, oficialmente, desejos e instruções para o final da vida. De janeiro a junho deste ano, 256 pessoas registraram o chamado testamento vital nos cartórios do Brasil. No ano passado inteiro, foram lavrados 548 documentos. Os estados com maior número de registros são São Paulo (377), Mato Grosso (86) e Rio Grande do Sul (53).

A tendência é de crescimento, segundo o Colégio Notarial do Brasil. Em 2012, ano em que o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou a questão, houve apenas 167 registros no país. O CFM determinou que os médicos respeitem a vontade do paciente incapacitado de se manifestar, caso ele tenha se preocupado em deixá-la registrada previamente.

No meio jurídico, os especialistas preferem chamar esse tipo de documento de Diretivas Antecipadas de Vontade. Isso porque testamento só produz efeito quando a pessoa morre. Algo diferente do documento em questão, que dá instruções sobre o final da vida.

Por enquanto, a maioria dos que procuram um cartório para registrar instruções viveu a experiência dolorosa de ver a internação prolongada de um amigo ou parente. “São pessoas que viveram os conflitos que essa situação gera e não querem deixar esse peso para a família”, diz Andrey Guimarães Duarte, diretor da seção São Paulo do Colégio Notarial do Brasil.

Apesar do aumento da procura pelo documento, ainda há muita desinformação em torno do que significa assinar um testamento vital. Ele é uma declaração do cidadão a respeito dos tratamentos que deseja receber no caso de doenças crônicas ou acidentes graves sem possibilidade de recuperação. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

Amélia 1 de fevereiro de 2016 - 13:20

É uma frase feita mas é a verdade:
A Esperança é a última que morre.
E se Deus quiser nos premiar com um milagre?

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