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A reforma da previdência subiu no telhado e lá permanece

Por Maya Santana

É bastante provável que a reforma não aconteça. Mesmo se acontecer, o próprio governo já admite que ela será desidratada, mantendo-se apenas três pontos principais: idade para aposentadoria de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens, tempo de contribuição mínimo de 25 anos e alguma regra de transição

Vânia Cristino, 50emais

Quero iniciar esse artigo com um pedido de desculpas, por ter demorado tanto a voltar a escrever. É que pretendia ir detalhando aos poucos os inúmeros itens da reforma da previdência social apresentada pelo governo. Só que a tramitação da proposta ficou embolada e sempre deixada para um segundo plano, frente às inúmeras dificuldades do governo e as seguidas denúncias da Procuradoria-Geral contra o presidente Michel Temer.

Em outras palavras, a reforma subiu no telhado e lá permanece. A última janela de oportunidade vai só até o final deste exercício e é bastante provável que a reforma não aconteça. Mesmo se acontecer, o próprio governo já admite que ela será desidratada, mantendo-se apenas três pontos principais: idade para aposentadoria de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens, tempo de contribuição mínimo de 25 anos e alguma regra de transição.

Isso significa que teremos, obrigatoriamente, outra proposta de reforma a ser feita pelo novo governo que será eleito no ano que vem. Ela, naturalmente, será muito mais dura do que a atual em termos de exigência. Nesse vácuo que se estabeleceu existem oportunidades para quem está perto de se aposentar e é bom aproveitá-las.

Primeiro, faça as contas. Pegue sua carteira de trabalho e verifique. Já preencheu os requisitos básicos? Hoje, eles são o tempo de contribuição de 35 anos para o homem e 30 anos para a mulher na previdência pública, ou seja, no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Para quem não alcança esse tempo e tem renda próxima do salário mínimo a melhor opção é a aposentadoria por idade, aos 60 anos para a mulher e aos 65 anos para o homem, desde que comprovada pelo menos 15 anos de contribuição.

Vânia Cristino é jornalista especialidade

Repórter de economia deste 1979, vencedora do prêmio Esso de jornalismo em 2009, Vânia Cristino é especialista na área de previdência e trabalho

Se está na dúvida e não sabe chegar ao valor da aposentadoria (esse cálculo só o INSS consegue fazer com certeza pois tem todo o histórico de suas contribuições) marque uma ida a um posto de atendimento pelo telefone 135. Pode ser que mesmo com a incidência do fator previdenciário seja vantajoso para o contribuinte contar com essa renda básica na velhice.

A nova Previdência Social que o Brasil será forçado a adotar não apenas por conta de seus problemas fiscais mas, também, levando em consideração a longevidade, será muito mais rígida em termos de regras para a sua concessão e valor do benefício. Especialistas no tema não descartam a possibilidade de o governo ter que adotar, num futuro próximo, o salário mínimo como valor de todas as novas aposentadorias a serem concedidas pelo INSS. Quem ganhar acima disso e quiser um benefício maior terá que fazer algum tipo de poupança procurando, por exemplo, a previdência complementar.

E então, o que está esperando?

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