A saga da mãe que teve as filhas gestadas por mulher na Índia

Por Maya Santana
Teté conta, em livro, a história do nascimento de Rita e Cecília, atualmente com 2 anos e meio

Teté conta em livro a história do nascimento de Rita e Cecília, atualmente com 2 anos e meio de idade

Clarissa Pains, G1

Durante oito meses, Teté Ribeiro acompanhou a gestação de suas filhas a quase 15 mil quilômetros de distância. A jornalista, em São Paulo, e as duas meninas sendo geradas em uma barriga que ela não conhecia, na Índia. Depois de sete anos tentando engravidar — com inseminação artificial, fertilização in vitro e tratamentos que estimulam a ovulação —, a paulista chegou a entrar na fila da adoção, mas decidiu jogar sua última cartada para ter um filho biológico: procurar uma clínica indiana que utiliza barrigas de aluguel, prática legal no país asiático. A empreitada deu certo mais rapidamente do que ela poderia imaginar. Menos de um ano depois do primeiro contato com a clínica, Teté desembarcou com o marido na Índia cheia de expectativas, ansiedade e muitas roupinhas de bebê. Dias mais tarde, eles voltaram para o Brasil com Rita e Cecília no colo.

O relato da inusitada trajetória de Teté rumo à maternidade, os dilemas de ser mãe sem dar à luz, sua relação com a dona da barriga indiana e o périplo para cuidar das gêmeas no dia a dia estão descritos, com riqueza de detalhes e emoção, no livro “Minhas duas meninas” (Companhia das Letras), que chega às livrarias nesta terça-feira. A publicação tem origem em um diário que Teté — Ana Teresa na certidão, mas conhecida por todos pelo apelido — começou a escrever pouco depois da confirmação da gravidez.

SEM ARREPENDIMENTOS

A vontade de ter filhos surgiu aos 35 anos, idade em que as taxas de fertilidade da mulher começam a cair, numa tendência que se acentua a partir dos 38. A situação era ainda menos favorável para Teté porque ela foi diagnosticada com um problema raro no útero, que não tinha aderência suficiente para “prender” os embriões. A jornalista já havia conseguido engravidar, mas perdeu o bebê. Olhando para trás, hoje, com 45 anos e ao lado de suas filhas de 2 anos e meio, Teté não se arrepende sequer das etapas mais dolorosas do longo processo.

— É claro que, durante os anos em que eu tinha medo de não conseguir ter filhos, tudo me passava pela cabeça: que eu deveria ter tentado antes, que talvez agora nada mais desse certo… Mas, se eu tivesse tido filhos em outro momento, não seriam essas meninas. Não me arrependo das escolhas profissionais e pessoais que me impediram de ter filhos antes. Elas combinam comigo, dizem algo sobre mim — avalia a editora da revista “Serafina”, do jornal “Folha de S.Paulo”, casada com Sérgio Dávila, que é editor-executivo do diário paulistano.

Para ter suas filhas na Índia, o casal visitou o país apenas uma vez antes do nascimento dos bebês. Eles precisaram mostrar, presencialmente, que estavam preparados para serem pais. Na clínica localizada em Anand, no estado de Gujarat, os dois passaram por uma sabatina que envolvia desde os motivos que os levaram a optar pela barriga de aluguel até mesmo o destino dos possíveis filhos caso eles se divorciassem ou morressem. Clique aqui para ler mais.


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