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A supermodelo que virou voz do envelhecimento natural

Pauline Porizkova, 60: "Dizem que você tem duas opções: ter vergonha da idade ou esconder isso com cirurgia. Eu proponho uma terceira: perder a vergonha"

22/08/2025
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Pauline Porizkova, 60, tcheca, foi uma das modelos mais bem pagas do mundo, nas décadas de 1980/1990. Foto: Reprodução/Internet

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A história fantástica  da tcheca Paulina Porizkova merece ser lida, porque é um exemplo da força dessa mulher, que ganhou fama internacional como modelo, nos anos de 1980/1990. E hoje, aos 60 anos, é uma ativista contra o etarismo, o preconceito de idade que se manifesta, sobretudo, em relação às mulheres.

“Mulheres mais velhas não são vistas como socialmente atraentes”, observa ela. “À medida que você envelhece, começa a sentir vergonha de não ter a mesma aparência de antes,” lamenta.

E faz uma proposta: “Dizem que você tem duas opções: ter vergonha da idade ou esconder isso com cirurgia. Eu proponho uma terceira: perder a vergonha.”

Leia a reportagem completa de India Rakusen, da BBC: 

O rosto de Paulina Porizkova causou fascínio tanto quando ela era uma menina de quatro anos, quanto mais tarde na vida dela.

Na década de 1980, ela foi uma das supermodelos mais bem pagas do mundo.

Adorada pelas câmeras, foi capa de revistas como a Vogue, o rosto de marcas globais e protagonista de um dos contratos publicitários mais lucrativos dos anos 1980.

Tudo isso enquanto desfilava nas passarelas dos epicentros do mundo da moda.

Por trás de sua imagem impecável, esconde-se uma história de abandono, exclusão, abuso e, por fim, redenção.

Depois de anos sendo vista, mas talvez não ouvida, ela começou a escrever e falar abertamente sobre a misoginia no mundo da moda e a pressão estética sobre mulheres mais velhas.

Sem pais, mas com fotógrafos

Paulina nasceu na Tchecoslováquia em 1965, em meio a uma Europa dividida pela Guerra Fria.

Sua vida deu uma guinada drástica aos três anos de idade, quando seus pais fugiram do país durante a invasão soviética de 1968, deixando-a para trás com os avós.

Eles prometeram voltar para buscá-la, mas as fronteiras se fecharam.

Na Suécia, seus pais iniciaram uma campanha desesperada para resgatá-la, incluindo uma greve de fome em frente à embaixada da Tchecoslováquia em Estocolmo.

A imprensa sueca se interessou pelo caso, e a mídia começou a enviar fotógrafos regularmente à casa de sua avó em Prostějov.

Tanques soviéticos cercados por multidão em frente ao Museu Nacional, na Praça Venceslau, em Praga. Agosto de 1968A invasão da Tchecoslováquia pelo Pacto de Varsóvia, também conhecida como Operação Danúbio, foi uma guerra não declarada envolvendo tropas de cinco países socialistas que ocorreu na noite de 20 para 21 de agosto de 1968. Foto: Getty Images

“Me faziam posar com um ursinho de pelúcia e uma cara triste, sem que eu entendesse o porquê. Eu só pensava: se eu fizer isso rápido, posso brincar de novo. Foi como ser modelo, anos depois.”

“Nunca achei estranho, até que um dia minha melhor amiga me perguntou se eu queria brincar na tarde de domingo, e eu disse a ela que era o dia em que os fotógrafos vinham.”

“Ela respondeu: ‘Do que você está falando?’ Fiquei completamente perplexa, e foi aí que percebi que só acontecia comigo.”

Sem que ela soubesse, ela se tornou um símbolo midiático do sofrimento da infância sob o comunismo, algo que ela não tinha idade suficiente para entender.

Reencontro e perda

Paulina viveu com os avós, a quem amava, e aos sete anos, sua mãe conseguiu voltar, grávida do irmão mais novo.

Ela tentou contrabandear Paulina para fora do país, mas foi presa e colocada em prisão domiciliar.

O reencontro não foi como a menina imaginava.

“Eu tinha idealizado meus pais. Lembrava da minha mãe como uma mulher linda, mas a grávida que apareceu não era o que eu esperava. Ela não tinha cheiro de lar. Não era como a minha avó.”

“Se supunha que ela devia integrar-se à família, mas eu não a conhecia e era incômodo e estranho.”

“Eu me senti um pouco dividida entre me odiar por não amá-la imediatamente e odiá-la por sua intromissão.”

Finalmente, em 1973, sua mãe recebeu permissão para deixar a Tchecoslováquia com os filhos.

Paulina tinha oito anos e não sabia que deixaria a avó para trás.

“Disseram-me que iríamos à Suécia ver o meu pai, e eu fiquei superanimada, mas pensei que poderia voltar para as férias.”

Ela se lembra vividamente de chegar à fronteira em um carro emprestado e caminhar “um longo caminho”.

A estrada para a Áustria era vigiada e ladeada por campos minados.

“Minha mãe me disse para não ter medo, mas para andar logo atrás dela.”

“Eu estava cheia de esperança. Não sabia que aquele era o momento em que deixaria minha infância, meu amor-próprio e meu mundo para trás. Só agora vejo isso claramente.”

Retrato do primeiro-ministro sueco Olof Palme em 1973

,A família Pořizková foi reunida após sete anos graças à intensa pressão política internacional liderada pelo primeiro-ministro sueco Olof Palme. Foto: Getty Images

Elas cruzaram a fronteira e, finalmente, a família estava toda reunida.

Mas logo algo inesperado aconteceu, uma noite em Viena.

“Estávamos em um quarto de hotel; meu irmão e eu estávamos deitados em camas dobráveis na beira da cama dos nossos pais. Eles pensaram que estávamos dormindo, mas eu não estava.”

“Ouvi meu pai explicar pacientemente e calmamente à minha mãe que ele havia conhecido outra pessoa enquanto ela estava presa na Tchecoslováquia e que não queria mais continuar casado.”

“Lembro-me da minha mãe chorando baixinho e dizendo: ‘Como você está me contando isso agora? Por que não disse nada antes? O que devo fazer?’

“E lembro do meu pai dizendo que ainda não estava realmente pronto para ter filhos, e me lembro disso especificamente porque pensei: ‘Não é tarde demais?'”

‘A menina comunista’

Pouco depois, a família se mudou para a Suécia.

Depois de anos sendo noticiada na imprensa como uma criança ausente, sua chegada virou manchete e seu rosto foi estampado em toda a imprensa.

Mas, longe dela, a recepção não foi calorosa.

Em seu novo país, Paulina era reconhecida como “aquela garota dos jornais”. Na escola, o apelido de “comunista fedida” marcou o início de anos de exclusão e maus-tratos.

“No começo, eram apenas comentários, mas depois me batiam, me empurravam e me maltratavam.”

Paulina acreditava que a chave para ser aceita e evitar assédio e violência era mudar sua aparência. Para isso, ela precisava de dinheiro.

Ela trabalhava em tudo o que podia: como babá, vendendo jornais e até mesmo preservativos em uma tabacaria. Tudo para comprar o que precisava para se parecer como apenas uma na multidão.

No primeiro dia de aula depois daquelas férias, ela conta que se vestiu com seu jeans da moda e uma camiseta amarela com cerejas; tinha um novo corte de cabelo; e usava gloss labial e sombra azul vibrante.

“Foi incrível trabalhar tanto e conseguir exatamente o que eu queria. Foi mágico.”

“Entrei na sala de aula esperando finalmente me encaixar. Mas ninguém olhou para mim.”

Tudo era como antes, ela sentia: ela não existia a menos que estivesse sendo maltratada.

Modelo Paulina Porizkova aos 15 anos

Nem ela nem seus atormentadores previram o que aconteceria alguns anos depois. Aqui, aos 15 anos, Paulina desfila na passarela da Halston. Foto: Foto: Getty Images

“Mas então as três garotas que vinham me maltratando fisicamente nos últimos dois anos me encontraram em um banheiro, e uma delas disse: ‘Belas roupas!’.”

“Pensei: ‘Funcionou!’ e por um momento senti uma onda de alegria, mas elas me agarraram, colocaram minha cabeça em um vaso sanitário e deram a descarga.”

“É uma sensação fisicamente horrível. A água escorre pelo nariz e você sente que vai se afogar. Mas, de longe, a pior parte foi que isso partiu meu coração.”

“Percebi que não havia nada que eu pudesse fazer para fazer parte daquilo que eu tanto queria.”

A foto que mudou tudo

Paulina se sentia deslocada na escola, em casa e na Suécia. No entanto, outra foto estava prestes a mudar tudo.

Uma de suas amigas sonhava em ser maquiadora.

Quando brincavam juntas, ela perguntava se podia maquiá-la e posar para a câmera. As fotos eram criativas. E elas se divertiam.

“Ela era realmente uma ótima maquiadora. Ela enviou algumas fotos para um agente de modelos na cidade, dizendo: ‘Eu adoraria ser maquiadora ou talvez fotógrafa de moda. Como faço isso?'”

“Mas a resposta foi diferente: ‘Quem é a garota? Qual a altura dela? E quantos anos ela tem?'”

O caça-talentos levou Paulina para conhecer um agente, o agora desacreditado John Casablancas, fundador da enorme agência Elite Model Management e criador do conceito de supermodelo.

Paulina, no entanto, não fazia ideia de quem ele era.

“Conheci John por uns 10 minutos. Ele olhou para mim rapidamente e disse que eu tinha uma pele linda e perguntou: ‘Você gostaria de ir para Paris?'”

“Eu tinha 14 anos e meio e passei de estar com a cabeça enfiada na privada para ‘Você quer ir para Paris para ser modelo?'”

Ela quis. Paris seria sua grande chance. Mas nem tudo eram flores.

O preço da beleza

Vogue, maio de 1988 - Modelo Paulina Porizkova, vestindo jaqueta de couro e pulseiras de Paloma Picasso para a Tiffany & Co. Cabelo de Frederic para Bruno Dessange. Maquiagem de Robert Snow para a Bumble & Bumble

O que as fotos não mostravam era o assédio sexual e a violência normalizados na indústria da moda. Foto:: Getty Images

Após uma série de encontros rápidos, Paulina mudou-se sozinha para a cidade no centro da moda.

Desde que deixou a Tchecoslováquia, longe dos braços amorosos da avó, ela se sentia perdida e lutava para recuperar o senso de pertencimento.

Paris era um mundo totalmente novo, uma nova oportunidade, prometendo trabalho glamouroso e viagens de luxo.

Embora logo tenha se tornado uma supermodelo, a câmera que antes documentava sua dor agora a silenciava.

O que ela encontrou foi uma misoginia profundamente enraizada, e ela se deparou com isso desde muito cedo.

“No meu quarto emprego, um fotógrafo veio por trás de mim e colocou algo no meu ombro. Eu estava me maquiando em frente ao espelho e não conseguia ver o que era, mas todos estavam rindo, então eu ri também.”

“Eu não entendi o que era até que ele se afastou e subiu o zíper da braguilha, e eu percebi que era o pênis dele.”

“Eu tinha 15 anos, então assimilei isso, assim como assimilei tudo na minha vida, pensando: ‘Então isso faz parte do meu trabalho’.”

“E eu não estava errada. Era uma parte muito importante do meu trabalho.”

Paulina sofreu inúmeros episódios de assédio e violência sexual, normalizados em uma indústria dominada por homens.

“Nós levávamos isso como um elogio. Se um fotógrafo famoso não te tocasse, você se sentia feia.”

Só um dia, enquanto assistia a um programa sobre assédio no local de trabalho, ela percebeu que não era parte do trabalho, mas sim abuso.

“Mas então, eu já tinha uns 46 anos.”

Um amor, uma perda

Os compromissos de trabalho continuaram chegando e, mesmo ainda adolescente, Paulina ganhava mais dinheiro do que seus pais juntos.

Em 1983, mudou-se para Nova York e, em 1984, apareceu na capa da edição de trajes de banho da Sports Illustrated.

Essa foto atraiu a atenção mundial.

O músico americano Ric Ocasek e a supermodelo tcheca Paulina Porizkova posam para uma foto na festa de estreia do filme "Cry-Baby", de John Waters, em 3 de abril de 1990, na cidade de Nova York

Paulina se apaixonou perdidamente por um músico que viu na televisão: Ric Ocasek. Foto: Getty Images

Em uma noite daquele mesmo ano, Paulina estava em casa assistindo à MTV e ficou hipnotizada pelos olhos azul-esverdeados de um cantor elegante que apareceu na tela.

Alguns meses depois, ela foi escalada para um videoclipe de uma banda de rock americana chamada The Cars.

Quando ela foi a um jantar para conhecê-los, o cantor de olhos azuis por quem ela havia se apaixonado apareceu: Ric Ocasek, o vocalista da banda.

Eles logo começaram a namorar. “Ele era tudo o que eu procurava.”

“Finalmente conheci alguém que parecia me adorar completamente, que não queria me dividir com ninguém, que era um tanto obcecado por mim.”

“Ele era incrivelmente ciumento, mas muito talentoso. E tão bonito e tão sexy! Foi um romance superapaixonado no início.”

Mas Ric era casado.

“Lembro-me de pensar que obviamente não era um casamento feliz, então ele ia deixar a esposa.”

“Não pensei muito sobre isso até que meses depois ele me disse que também tinha filhos. Foi um banho de água fria. Mas até então, foi um turbilhão, como um romance de filme.”

Mesmo sendo muito dominador, para Paulina ele era seu refúgio, seu lar.

“Ele era muito parecido com meu pai: talentoso, alto e muito focado no que amava. Ele também era muito parecido com minha avó: amava com uma qualidade apaixonada, possessiva e obsessiva.”

“Foi como se eu tivesse ganhado na loteria: eu tinha tudo o que conhecia como segurança em um só homem.”

Um homem muito mais velho que ela, a quem ela se entregava em todos os sentidos. Ele ditava tudo, desde as roupas que ela usava até quais amigos ela via e quais trabalhos ela aceitava.

“Ele tinha 41 anos e eu 19, então eu achava que ele sabia tudo e que, para ter um ótimo relacionamento, eu tinha que fazer o que ele dizia.”

“Não parecia controle nem tóxico. Tive que abrir mão de certas coisas, mas não parecia nada disso. Até que cresci.”

Paulina com Estée Lauder

Paulina com Estée Lauder, fundadora, com seu marido Joseph Lauder, da Estée Lauder Companies, da qual a modelo foi o rosto de 1988 a 1995. Foto: Getty Images

Em 1988, Paulina conseguiu seu maior contrato de modelo até então: como rosto da Estée Lauder, ela ganharia US$ 6 milhões por ano.

“Ric ficou encantado porque isso me tirou do jogo se ser modelo: eu seria apenas a sofisticada rainha do gelo da Estée Lauder, o que ele aprovava. E foi maravilhoso para mim também, porque eu queria fazer filmes e outras coisas.”

Em 1989, Ric e Paulina se casaram e tiveram dois filhos. Mas, com o passar das décadas, o relacionamento deles mudou, assim como ela havia mudado.

“As coisas começaram a piorar depois de cerca de 25 anos de relacionamento.”

“Eu cuidei de uma casa, dos meus filhos, dos meus enteados, dos pais dele. Atuei em filmes, escrevi um romance e um livro para crianças.”

“Já era uma mulher, não a garota que era quando nos conhecemos, admirando-o com brilho nos olhos, e ele como o grande protetor e meu príncipe. E ele se sentiu diminuído.”

“A dinâmica mudou, e ele não sabia como lidar com isso a não ser me ignorando.”

Após quase 30 anos de casamento, Paulina e Ric se separaram e iniciaram o processo de divórcio. Mas eles continuaram na mesma casa.

Ric foi diagnosticado com câncer de pulmão e ela cuidou dele até sua morte em 2019.

Ela descobriria logo depois que aquele que havia sido seu companheiro de vida (e que administrava seu dinheiro) a havia excluído de seu testamento

Uma voz inesperada

Antes da morte de Ric, quando o relacionamento estava se deteriorando e ele a estava excluindo, Paulina decidiu voltar a ser modelo.

“Eu queria recuperar um pouco da minha vida.”

Mas ela encontrou um tipo diferente de rejeição: o etarismo.

“Tive uma reunião com minha agente de modelos e comecei a dizer: ‘Não é que eu queira reviver minha carreira de modelo…’ e ela riu e disse: ‘Não é como se você pudesse reviver sua carreira de modelo!'”

O motivo não foi surpreendente: “Mulheres mais velhas não são vistas como socialmente atraentes”, observa ela.

“À medida que você envelhece, começa a sentir vergonha de não ter a mesma aparência de antes.”

Em vez de se sentir intimidada, Paulina começou a se manifestar.

Ela denunciou o preconceito por idade, a invisibilidade das mulheres mais velhas e a hipocrisia da indústria que a glorificou e depois a descartou.

Ela usou as redes sociais para mostrar rugas, lágrimas, cicatrizes, pensamentos e emoções, compartilhando não apenas seu rosto, mas também sua história.

Paulina Porizkova discursa no palco durante o New York Times Well Festival de 2025, no Duggal Greenhouse, em 7 de maio de 2025, na cidade de Nova York.

À medida que as mulheres se aproximam da meia-idade, começamos a nos tornar invisíveis (…). Mas é aí que realmente começamos a viver a vida por nós mesmas’, disse Paulina no New York Times Well Festival de 2025. Foto: Getty Images

Em 2022, ela publicou Unfiltered (“Sem filtro”, em tradução livre), uma série de ensaios na qual desmascarou a fachada de seu casamento glamouroso.

“Eu era a esposa afortunada em um casamento excepcionalmente feliz entre celebridades que superou todas as adversidades, quando a verdade era que, quando completei 50 anos, meu marido não me tocava há muitos anos”, revelou.

Ela também explora as complexidades de ser mulher.

“A mulher ideal não é uma mulher. É uma criança.”

E ela voltou aos olhos do público, às revistas e passarelas, mas desta vez em seus próprios termos: fiel a quem ela é e a quem ela quer ser.

“Acontece que o que não te mata não necessariamente te fortalece. Isso é uma falácia. Mas o que não te mata te faz entender sua força”, observa ela.

Uma força que não passou despercebida pela empresa que a catapultou ao status de supermodelo: a Estée Lauder a convidou para trabalhar com eles novamente.

De acordo com o presidente global da marca, Justin Boxford, Paulina foi contratada “não como porta-voz, mas como um exemplo a ser seguido”.

“Ela está mudando a conversa sobre o envelhecimento, e queremos ser o alto-falante para ajudar a espalhar sua mensagem.”

Enquanto isso, Paulina continua a impressionar no Instagram postando fotos suas, como uma de biquíni em seu aniversário de 60 anos, que viralizou e aparece em inúmeras reportagens.

“Dizem que você tem duas opções: ter vergonha da idade ou esconder isso com cirurgia. Eu proponho uma terceira: perder a vergonha.”

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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