Academias para o cérebro criam idosos “feras”

Por Maya Santana
Ryuta Kawashima, Pesquisador do Centro para o Envelhecimento Inteligente da Universidade de Tohoku

Ryuta Kawashima, do Centro para o Envelhecimento Inteligente

Eu gostaria muito de frequentar uma academia como essa, que torna pessoas mais velhas verdadeiras feras em matemática. Já fui boa nessa matéria. Hoje, aos 64 anos, mal consigo fazer contas de somar. Tenho que fazer esforço. Perdi uma habilidade por falta de praticá-la. Como lidei a vida inteira com palavras, a matemática ficou de lado. O especialista ouvido neste artigo da BBC Brasil, Ryuta Kawashima, criador de um famoso jogo de videogame, afirma que “fazer contas de somar ou subtrair não apenas nos torna melhores em matemática. Também nos ajuda a lembrar nomes e o lugar onde deixamos a chave de casa, e faz com que nosso cérebro tenha desempenho cada vez melhor em tudo o que faz.”

Leia o artigo:

Endo Tokiko mora em Sendai, a maior cidade da região de Tohoku, no Japão. Acho que ela não vai se importar por eu dizer sua idade. Com certeza, ela própria está contando para todo mundo como foi que, aos 80 anos, venceu, humilhou – ou, melhor ainda -, destroçou um britânico com a metade da sua idade, sem grandes dificuldades.

Viajei para Sendai para me encontrar com Ryuta Kawashima, um neurocientista japonês dedicado a mapear as regiões do cérebro que controlam emoções, linguagem, memória e conhecimento. Ele é muito conhecido em círculos acadêmicos. Mas também tem um grupo de admiradores formado por milhões de crianças e adultos que o conhecem como o professor do jogo de videogame Brain Game, da Nintendo.

A fama de Kawashima começou a crescer após a publicação de seu livro Treine o seu Cérebro, que teve mais de 2,5 milhões de cópias vendidas. Depois dele, vieram mais títulos, o que acabou despertando o interesse da Nintendo. Foi assim que o programa de treinamento do cientista acabou transformado em um jogo com 19 milhões de cópias vendidas.

Pesquisador do Centro para o Envelhecimento Inteligente da Universidade de Tohoku, Kawashima trabalha agora com grupos de idosos, investigando formas de manter seus cérebros ativos por mais tempo.

Kawashima acredita que a plasticidade do cérebro – a habilidade deste de se transformar – não existe apenas nos jovens, mas também em pessoas que têm demência.

Uma de suas preocupações é que o uso crescente de computadores torne nosso cérebro preguiçoso. Ou, em outras palavras, que o mundo moderno esteja nos emburrecendo.

Embora as teorias de Kawashima sejam vistas com algum ceticismo entre profissionais da área, seu trabalho é popular. E poderia beneficiar tanto pacientes com demência como a população em geral.

Kawashima crê que fazer certos exercícios simples, feitos com frequência, possam ajudar a reverter alguns processos de envelhecimento em funções cerebrais.

Fazer contas de somar ou subtrair não apenas nos torna melhores em matemática, ele disse. Também nos ajuda a lembrar nomes e o lugar onde deixamos a chave de casa, e faz com que nosso cérebro tenha desempenho cada vez melhor em tudo o que faz. Clique aqui para ler mais


CONTEÚDO PUBLICITÁRIO

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais