
Maya Santana
50emais
Desde 2019, quando meu irmão de 75 anos sofreu um AVC – Acidente Vascular Cerebral – e ficou com o lado esquerdo paralisado, necessitando de cadeira de rodas para se locomover, decidimos reformar nossa ampla casa, para garantir a ele e aos outros moradores, todos com mais de 60 anos, principalmente segurança, acessibilidade, conforto e autonomia.
Na medida em que vamos envelhecendo, sofremos uma série de mudanças: a força diminui assim como o equilíbrio, a visão e os reflexos. Com isso, o ambiente em que vivemos precisa ser adaptado de forma a acompanhar essas mudanças. O objetivo é facilitar a vida no dia a dia e, assim, envelhecer com qualidade.
A sala principal com piso antiderrapante e portas bem largas para facilitar a circulação
Evitar quedas
Por exemplo, uma casa ou apartamento onde vivem pessoas idosas não deve ter nenhum tapete, para evitar que alguém tropece e acabe caindo. Foi nossa primeira medida. É preciso muito cuidado, pois a população brasileira envelhece rapidamente e o número de quedas entre as pessoas nessa faixa etária só aumenta.
Recentemente, o Brasil se condoeu com o caso de Adélia Prado, maior poeta viva do Brasil. Aos 90 anos, ela caiu na casa onde mora, em Divinópolis(MG), e quebrou o fêmur, o cotovelo e o punho. Passou por cirurgias, ficou no CTI e, depois de 20 dias hospitalizada, recebeu alta para se recuperar em casa.

Assim como aconteceu com a nossa poeta, milhares de idosos sofrem quedas todos os anos. É a terceira causa de morte entre pessoas mais velhas. Em 2024, foram registrados no país mais de 344 mil atendimentos/hospitalizações pelo SUS, sem contar os que foram atendidos por planos de saúde e os atendimentos particulares. O problema é seríssimo.
Adaptações
É exatamente esse tipo de acidente que queremos evitar. Por isso, outra mudança que fizemos foi deixar a casa com o mínimo possível de degraus. Eliminamos quase todos. E construímos rampas, de inclinação suave, de maneira a facilitar levar meu irmão de cadeira de rodas para onde ele quiser. Como as rampas não são íngremes, qualquer uma das irmãs ou cuidadoras pode empurrar a cadeira.

As portas, assim como os corredores, foram todos alargados, para permitir passar com facilidade com a cadeira de rodas. E as maçanetas redondas substituídas por outras no formato de alavanca, bem mais fáceis de serem usadas.
Mudamos também os pisos para torná-los menos escorregadios, mais seguros. Optamos por colocar pedra e cerâmica antiderrapante no chão. Além disso, como a visão vai piorando, instalamos luzes fortes por toda parte, tudo muito bem iluminado.
Banheiros são um risco
Esta é a área onde as pessoas mais gostam de ficar. Foi toda coberta com pedra. Foto: 50emais
No banheiro, tivemos muito cuidado, pois esse é o lugar da casa onde os idosos mais sofrem quedas. Muita gente pergunta por quê? A resposta está numa combinação de fatores. A começar por ser um local onde se usa água, sabonete e shampoo, o que deixa o piso mais propenso a escorregões.

Não se pode esquecer também que pessoas com mais de 60 anos têm menos equilíbrio e reflexos mais lentos, então, escorregam com mais facilidade. O cantor Agnaldo Rayol morreu em 2024, aos 86 anos, em decorrência de um traumatismo craniano sofrido durante uma queda, de madrugada, em sua casa, em São Paulo, quando tentava ir ao banheiro sozinho.

Ciente desses perigos, tentamos tornar o banheiro o mais seguro possível: além da porta larga, não há degrau no box, o piso é antiderrapante e foram instaladas barras na área do chuveiro e também ao lado do vaso sanitário. Quando meu irmão vai tomar seu banho matinal, a cuidadora redobra a atenção.
À medida em que o tempo passa, vamos fazendo outras adaptações na velha casa, construída na primeira metade do século 20. Somos sete irmãs e dois irmãos. Queremos torná-la o melhor lugar para vivermos juntos esta última etapa da existência.
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