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Adélia Prado, considerada maior poetisa viva do Brasil, chega aos 90 anos

A escritora, casada, com cinco filhos, vive na cidade onde nasceu, Divinópolis, no interior de Minas Gerais

14/12/2025
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Adélia Prado vive em Divinópolis, cidade onde nasceu e criou os filhos, a 118 km de Belo Horizonte. Foto: Ana Prado

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Adélia Prado é considerada a maior poetisa viva do Brasil. Neste sábado, 13 de dezembro, Dia da protetora dos Olhos, Santa Luzia, ela completou 90 anos, cultivando a simplicidade da vida no interior de Minas, na cidade de Divinópolis, a 118 km de Belo Horizonte, onde nasceu, cresceu, criou os cinco filhos e vive até hoje.

Não é preciso dizer que essa discreta mineira é uma das vozes mais importantes da literatura brasileira, conhecida por sua poesia que une o sagrado e o profano. Descoberta por Carlos Drummond de Andrade, ela conquistou grandes prêmios, como o Jabuti e o maior da língua portuguesa, o Camões, em 2024.

Mas, como lembra um profundo conhecedor do trabalho da poetisa, “talvez o maior prêmio de Adélia seja outro: ela está viva e lúcida aos 90 anos, criando.”

Leia o artigo completo de Gustavo Werneck e, mais abaixo, o texto do filósofo Leônidas de Oliveira, ambos do jornal Estado de Minas:

Poesia em feitio de oração, encantando os olhos com as palavras recém-saídas do sacrário dos sentimentos. Os versos, que muitas vezes parecem concebidos com as mãos postas, joelhos na terra, tocam o coração e atingem, com delicadeza, os nervos que habitam a flor da pele. Sim, há estrofes de arrepiar, harmonia completa entre o divino e o humano. Mineira de Divinópolis – e de onde mais poderia ser? –, Adélia Luzia Prado de Freitas completa hoje 90 anos de vida, dos quais muitas décadas de amor à língua portuguesa sempre permeadas pela fé e a religiosidade. O nome composto homenageia a santa do dia 13 de dezembro, Santa Luzia, protetora da visão e poderosa guardiã contra a cegueira do corpo e da alma.

Que todos tenham, portanto, olhos bem abertos diante de um poema de Adélia Prado, como é conhecida internacionalmente a autora de “Bagagem”(1976) e “Jardim das Oliveiras”(2025), ambos lançados pela Editora Record, que anuncia novas edições, em fevereiro, de “Filandras”, “Miserere” e “Solte os cachorros”.

Ganhadora do Prêmio Camões (2024) e destacada, dias antes, com o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, a mineira demonstra, em versos, total intimidade com o Senhor da mais alta esfera celeste. Com Deus, para maior exatidão. Em suas palavras, o céu não está longe dos seres da Terra – pelo contrário. É possível tocá-lo com as ideias mais ternas/eternas, e igualmente fortes, aproximar o invisível do dia a dia, debulhar as contas dos mistérios e ter princípio, meio e fim na palma da mão. E, na ponta da língua, um pedido: “Meu Deus, me dá cinco anos. Me dá um pé de fedegoso com formiga preta”.

Sobre a religiosidade na vida e no trabalho de Adélia Prado, assim fala ao Estado de Minas o também poeta e bispo diocesano de Divinópolis, dom Geovane Luís da Silva, que lhe declara sua gratidão pela coragem ao expressar sua fé poeticamente. “A poesia de Adélia Prado traduz de modo inequívoco o grito da alma humana sedenta da grande esperança que somente Deus pode oferecer. Seus escritos poéticos nascem da experiência do cotidiano enquanto lugar privilegiado onde o mistério divino se revela e toca o coração das pessoas.”

VESTÍGIOS DO ETERNO

Dom Geovane ressalta que na obra mais recente, “O jardim das oliveiras”, emerge o retrato da poetisa que descobre no mundo os vestígios do eterno: “A vontade de Deus é o mundo, também inescrutável em seu mistério”. A vida, na concepção de Adélia Prado, “é uma ritualidade cheia de imprevistos, onde somos alcançados pelo mistério do amor de Deus”.

A religiosidade acompanha a vida de Adélia. Da mais tenra infância, chegam os versos de “Anjos”, sobre a coroação de Nossa Senhora nas igrejas católicas. Ao ler, você, leitor, enxerga nitidamente a cena no templo: meninas vestidas de branco, com asas de penas, caminhando em direção ao altar. E pode antever tudo o que precede o ato, o diálogo entre mãe e filha. Simplicidade colada à realidade.

A DIVINA POESIA DE UMA MULHER DE FÉ 

Em entrevista concedida ao Estado de Minas em 3 de abril de 1986, Adélia Prado se declarou “católica, apostólica, romana”e revelou ter sido professora de educação religiosa, em Divinópolis, na Região Central de Minas. Mesmo tendo sua poesia marcada por sensualidade e bom humor, conforme sublinhou o repórter, ela reiterou a profunda ligação entre seus escritos e a religiosidade.

No ano seguinte, em 25 de abril de 1987, a mineira profetiza: “A poesia é divina. O poeta, ele próprio precariíssimo, tem os pés de barro. O que ele diz, se está realmente fazendo poesia, é o que o torna porta-voz de algo maior que ele”. Na época, lançava o livro “O pelicano”e aguardava a montagem de “Dona Doida – Um interlúdio”, monólogo de Fernanda Montenegro baseado nos seus poemas. E sempre valorizando os versos, acrescenta: “Sem poesia, o mundo cai de quatro”.

Leia também: Quem é Adélia Prado, maior poetisa viva do Brasil

Conhecedora da Bíblia e defensora da eternidade do livro sagrado dos cristãos, Adélia explicou: “(A Bíblia) nos informa que Deus nos criou…e dotou-nos de inteligência capaz para descobrirmos a forma como surgiu o homem”. E concluiu: “A ciência pode espernear, esbravejar, mas não tira sequer um pingo de letra da Bíblia”.

Diante de versos que escreveu, a exemplo de “Deus me olha e me causa terror”, ela explicou: “Tomo da Bíblia muitas epígrafes. Isso acontece por dois motivos: a Bíblia, para mim, é um livro vital. Eu considero que tudo está escrito lá. A Bíblia oferece farto material para grifar qualquer assunto, de maneira bela, tão bela! De altíssima literatura. Ela responde às necessidades dos meus textos, por serem verdadeiros e belo também”.

O verso “Deus me olha e me causa terror” está no poema “Duas maneiras”, do livro “Bagagem”. E há o lado da grande intimidade da poetisa com Deus, como fica claro em “Orfandade”, da mesma obra.

EXTREMA VITALIDADE 

O assunto Sagradas Escrituras, do qual Adélia bebe na fonte inesgotável de conhecimento e sabedoria, dominou por mais tempo a conversa com a equipe do EM. “A Bíblia não é um manual de ciências, não é um manual de histórias; ela não ensina estatística, biologia etc. A Bíblia é o livro de informação religiosa, é a revelação de Deus para o homem”.

A respeito da figura de Jesus Cristo, abriu o coração sobre o Jesus da Bíblica e o Jesus histórico: “A Bíblia quer dizer é que o filho de Deus, salvador do homem, nasceu e é um homem como nós”(…) “O Jesus dos Evangelhos não é um Jesus histórico, mas um Jesus conhecido na fé. Repare que os evangelistas não falam nunca no aspecto físico de Jesus.

Quinze anos depois, também em entrevista ao EM, Adélia foi direto ao ponto: “Poesia é alimento espiritual”. A frase veio com uma explicação sobre o que o significado do seu ofício: “Eu vejo a poesia, como toda arte, como alimento espiritual. Então, toda vez que uma entidade abre espaço para que a poesia seja o centro das atenções, é de extrema vitalidade. O que é a poesia? Ela é exatamente o contato com o real, o contato com a realidade de maneira bela, através da forma. Acho isso uma maravilha, fico feliz em poder estar em variados locais para falar da poesia. De poder fazer a única coisa que acho que faço bem, que é ler poesia”.

Leia também: Adélia Prado: O tempo acalma os sentidos, apara as arestas, coloca band-aid na dor

O céu da literatura se abriu para Adélia Prado em 1975, conforme relatou ao repórter Domingos Sávio, do Estado de Minas. “Eu mandei um livro de poemas para o Drummond (o itabirano Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987), quer dizer, eu estava com o livro pronto, acreditava no livro, achei que aquilo era um livro de poesia, e falei assim: preciso mostrar para alguém, né? E encaminhei para o Drummond, e ele encaminhou para a editora Imago, na época era o editor Pedro Paulo de Sena Madureira, e ele viu o livro e tal, daí…todo mundo sabe a história”.

O livro em questão era “Bagagem”, que foi sucesso de crítica e leitores. Drummond considerou “fenomenais”os versos, dizendo que Adélia “é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo!” Em crônica publicada em 9 de outubro de 1975 no “Jornal do Brasil”, Drummond escreve sobre o trabalho dela e sacramenta: “Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis. Como é que eu posso demonstrar Adélia, se ela ainda está inédita, aquilo de vender livro à porta da livraria é pura imaginação, e só uns poucos do país literário sabem da existência deste grande poeta-mulher à beira-da-linha?”

Em “Bagagem”, o poema “Com licença poética” presta uma homenagem a Drummond, autor de “Poema de sete faces”, que começa assim: “Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida”. Inspiradíssima, Adélia Prado escreveu: “Quando nasci, um anjo esbelto desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira”.

E como tudo começou na vida de Adélia Luzia Prado de Freitas, nascida em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, onde vive até hoje? Escreveu os primeiros versos aos 15 anos, logo após o falecimento da mãe. Completou o magistério (curso para formação de professora) em 1953 e foi lecionar dois anos depois. Em 1958, se casou com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos. Antes do nascimento da caçula, a escritora e o marido iniciaram o curso de filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai.

Poucos anos depois, Adélia enviou os originais de seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna (1937-2025), que os submeteu à apreciação de Drummond. O lançamento de “Bagagem”, no Rio de Janeiro, em 1976, teve a presença de Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Drummond, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon, entre outros intelectuais e escritores. Desde então, a obra dela se tornou um marco da literatura brasileira, abrangendo, além da poesia, contos, romances, livros infantis e peça de teatro. Além de agraciada com os prêmios Camões e o Machado de Assis, Adélia Prado é vencedora de outras premiações literárias, como Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional, sendo condecorada pelo governo brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural em 2014.

A editora Record vem relançando os livros de Adélia Prado em edições renovadas. Este ano, chegaram às livrarias “Bagagem”, livro de estreia, publicado em 1976, o terceiro livro da autora, “Terra de Santa Cruz” (1981), “O pelicano”, de 1987, e o romance “O homem da mão seca” (1994). Em fevereiro, haverá novas edições de “Filandras”, “Miserere” e “Solte os cachorros”.

Publicado pela primeira vez em 2001, “Filandras” reúne “43 contos curtos retratando a vida cotidiana simples de mulheres que aprendem a se mover, sonhar, desejar e sofrer no espaço íntimo da casa, entre as obrigações de todos os dias e anseios de uma vida inteira. Ao traçar vários retratos dessas mulheres, os contos se unem num contexto maior e formam um painel delicado e íntimo da existência feminina”. Importante dizer, caro leitor, que as frases entre aspas são de divulgação da editora.

Oitavo livro de poesia de Adélia Prado, publicado originalmente em 2013, “Miserere” é, ainda “que com leveza e humor, ‘um pedido de socorro’ em relação à finitude, aos pecados e aos males terrenos e da alma, conforme divulgado pela editora. Na reunião de poemas escritos na maturidade, Adélia volta a temas tão caros a sua obra para fazer uma reflexão de vida inteira sobre o cotidiano, a intimidade e uma relação com o sagrado que está espalhada desde o ofício de escrever poesia até a mais prosaica receita culinária.”

Leia também: Adélia Prado: O tempo leva a vida. A memória traz de volta o que importa

Primeiro livro em prosa, lançado originalmente em 1979, “Solte os cachorros” mostra que, para a mineira Adélia Prado, “a poesia está em toda parte, derramando a mesma força da linguagem de seus primeiros livros numa prosa inventiva e madura. O salto da poeta na ficção não foi ao acaso. Em sua estreia na prosa, Adélia Prado usou a mudança de gênero literário para se apresentar como uma narradora feroz, sem medo de se impor como uma das prosas mais contundentes para retratar a vida das mulheres de sua geração”.

“Ela nos ensina que o mundo será salvo pelo feminino’

Leônidas de Oliveira*

“Nunca me imaginei fazendo 90 anos. Mas, quando chega, você percebe que não é nenhum bicho-papão! Estou em estado de gratidão pela vida!”, afirmou, ontem, ao Estado de Minas.

Ao completar 90 anos, Adélia Prado nos entrega, com o novo livro “O jardim das oliveiras”, o sopro vital de sua poesia. O lançamento vem carregado de esperança. São quase quinze anos desde “Miserere”— obra que li e ouvi dezenas de vezes, como quem busca consolo e desassombro. Na infância, ainda na escola municipal Alfredo Balena, em São Gotardo, participei de recitais em que seus versos eram declamados. No seminário, os ecos de sua fé encarnada na linguagem me acompanharam como um catecismo poético. E até hoje, nas tardes em casa, a ouço em voz alta, como se suas palavras fossem uma oração mineira, uma brisa do sertão.

Há autores que nos descrevem; há outros que nos decifram. Adélia é dos que nos revelam. Como uma bruxa visionária, vê o que ainda está por nascer. Vê o feminino como centro do futuro. Não o feminino como oposto do masculino, mas como sensibilidade que cura, gesto que reza, corpo que dança e ama. “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo”, ela escreveu em “Bagagem” (1976), seu livro de estreia, num dos poemas mais citados e fundamentais de nossa literatura. Mas logo depois, essa mesma voz diz: “O que a memória ama, fica eterno.”

Adélia está para a poesia como Guimarães Rosa para a prosa: ambos ergueram Minas ao grau máximo da linguagem. Guimarães inventou o sertão pela reinvenção da fala; Adélia revelou o sertão por dentro da alma. São Minas tropeiras, filosóficas, barrocas, rezadeiras. E se Rosa for o profeta do sertão mítico, Adélia é a santa do quintal. Em “O coração disparado” (1978), ela declara: “Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.” Essa é a sua ética estética: uma fusão entre pensamento e sensibilidade.

Adélia Prado sempre foi uma poeta da inteireza. Religiosa e sensual, doméstica e metafísica. Seus versos desafiam o reducionismo e abrem a linguagem para contradições que não se anulam, mas se iluminam mutuamente. “Erótica, a senhora? — Sou.”– responde ela em um poema que se tornou epifania para gerações de leitoras. A mulher que reza e que deseja; a esposa que filosofa ao varrer o chão. Em “Terra de Santa Cruz”(1981), lemos: “Se a alma não for lavada todo dia, enguiça.” Há nesse verso uma síntese de sua teologia poética: o cotidiano é sagrado, o espírito se hospeda no corpo, e Deus mora no fogão a lenha.

A crítica literária demorou a compreender a força revolucionária de Adélia. Como bem notou Flora Sussekind, sua poesia é “um campo de embate entre o sagrado e o prosaico, o corpo e o verbo, a transcendência e o balde de água”. Já Heloísa Buarque de Hollanda escreveu que a autora de “O pelicano”(1987) deu às mulheres “uma linguagem do desejo sem culpas e uma gramática do amor cristão que não exclui o prazer”. Adélia desfez dicotomias. Ela não habita margens: ela as dissolve. Por isso sua obra é sempre nova. Por isso é contemporânea — e por isso ainda não foi plenamente compreendida.

“Oráculos de maio”(1999), “Louvação da matéria”(1991), “A faca no peito”(1988), “Solte os cachorros”(1979), “Diligência”(2019): em todos seus livros, a poesia vem com o corpo da fala, com os ossos da terra. Não há nela ornamento sem carne.

Até mesmo “Cacos para um vitral”(1980), título aparentemente etéreo, é cheio de uma concreção espessa — de lágrimas, sangue e arroz com feijão. Em um de seus versos mais cortantes, ela diz: “Tenho pena das palavras com que me traí.”E em outro: “A mulher que chora não é fraca. Ela rega.” Essa é Adélia: flor, faca e fonte.

Seus prêmios são muitos — o Jabuti, o da Academia Brasileira de Letras, o Griffin Poetry Prize (Canadá), o reconhecimento internacional. Mas talvez o maior prêmio de Adélia seja outro: ela está viva e lúcida aos 90 anos, criando.

E mais que isso: sendo lida por jovens, por mães e pais, por professores e lavadeiras. Sua poesia não é feita para eruditos, mas para corações de carne. Ela é lida por quem precisa de sentido, e não de teoria. Sua obra não se fecha: ela germina.

“Eu sou do sertão e suas palavras ecoam em mim como uma revelação de quem fui e sou.”Por isso leio Adélia. Porque suas palavras são lavra e profecia, pão e penitência. Porque, como disse em “Miserere”(2011): “Tudo que a boca come é sagrado.”E porque ela nos ensina que o mundo será salvo pelo feminino — e pela poesia.

*Arquiteto e urbanista, filósofo, professor, MsC e PhD

 

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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