Animados, adultos e idosos retomam os estudos

Por Maya Santana
José Santiago, 70 anos: de analfabeto a empresário de sucesso

José Santiago, 70 anos: de analfabeto a empresário de sucesso

São histórias inspiradoras, de pessoas que realmente tiveram que superar barreiras quase intransponíveis para realizar o sonho de estudar, de adquirir conhecimento. Adeptos do “antes tarde do que nunca”, um batalhão de homens e mulheres, boa parte com mais de 50 anos, voltou aos bancos da escola. Aumenta cada vez mais o número de pessoas nesta faixa etária que está retornando à vida de estudante É gente que redescobriu o prazer de estudar, numa etapa especial da vida.

Leia o artigo publicado por O Globo:

Quando voltou para casa depois da aula, naquela tarde longínqua dos anos 1940, José Santiago não suspeitava de que levaria mais de meio século até pisar de novo numa escola. Analfabeto, o potiguar teve a vida mudada depois da morte da mãe e do rompimento das relações com o pai, quando só tinha estudado por um ano. Ele morou na rua, fez biscates no seu estado natal e no Ceará e veio parar no Rio de Janeiro, onde se empregou na construção civil. O ritmo intenso do trabalho o manteve longe de livros e cadernos – mas, por uma incrível sorte, perto do sucesso profissional. José deixou de ser empregado e montou sua própria firma. Sem saber ler ou escrever, porém, logo teve de enfrentar obstáculos sérios. Como descobrir, por exemplo, que sua ex-secretária fechava acordos sem sua participação:

– Ela fazia tudo. Quando fui ao banco pela primeira vez sozinho, foi o pior momento da minha vida. Queria pagar uma conta mas não sabia preencher o cheque. Pedi para o caixa, para o gerente, para as pessoas na fila, e todos falaram que não podiam fazer. Fiquei revoltado e comecei a gritar que o dinheiro era meu e que só queria pagar.

O episódio ocorreu em 21 de agosto de 2005. Foi transformador. No dia seguinte, José, já um senhor de 70 anos, foi até o Ciep Rubens Gomes, em Barros Filhos, na Zona Norte carioca, e se inscreveu na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que frequenta há nove anos – e de onde se recusa a sair. Ele é um dos 3.977.670 brasileiros, segundo dados somados dos governos estaduais, participantes de programas de ensino de adultos.

– No final dos anos 90 e no início dos anos 2000, houve um boom nesse segmento (etário). Deveu-se muito às políticas empreendidas para que colégios particulares incorporassem esses estudantes. Acabou falhando. Logo depois, houve uma queda muito grande, e, atualmente, o número desses alunos está se firmando dentro de uma margem. O dado principal é que o perfil mudou. Cada vez mais aumenta o número de pessoas mais velhas na EJA – descreve a pesquisadora de educação Ana Célia Costa, da Universidade de Brasília (UnB). Clique aqui para ler mais.


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